Metáfora do dia:
Portugal é um pacote de arroz com bagos desiguais.
Um quinto da população come baguinhos, a classe
média come bagos e depois há uma pequena minoria
que são «Os amigos do Bagão».
(Texto enviado por um amigo de Lisboa)
sexta-feira, outubro 29, 2004
terça-feira, outubro 26, 2004
Amor - Camões vs Drummond
Luís de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É o não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
"As sem-razões do Amor"
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado ao vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;
É o não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?
"As sem-razões do Amor"
Carlos Drummond de Andrade
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado ao vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
domingo, outubro 24, 2004
CORES
A ansiedade veste de bege
A paixão vem de carmim
O desejo de escarlate
Atracção lê-se em marfim
A desilusão é cinzenta
De tons negros a angústia
O desespero amarelo
Castanha a melancolia
No verde brilha a esperança
O roxo mostra tristeza
O bordeaux certa inconstância
Há vivacidade no laranja
O amor azul só usa
A paz em branco caminha
O sorriso é côr-de-rosa
D' ouro e prata a alegria
Púrpura, turqueza, cobalto...
Miscelâneas de sentires
Musicalidades percorrem
Na sinfonia da vida
Vivida
A viver
Na pauta
Inacabada
A paixão vem de carmim
O desejo de escarlate
Atracção lê-se em marfim
A desilusão é cinzenta
De tons negros a angústia
O desespero amarelo
Castanha a melancolia
No verde brilha a esperança
O roxo mostra tristeza
O bordeaux certa inconstância
Há vivacidade no laranja
O amor azul só usa
A paz em branco caminha
O sorriso é côr-de-rosa
D' ouro e prata a alegria
Púrpura, turqueza, cobalto...
Miscelâneas de sentires
Musicalidades percorrem
Na sinfonia da vida
Vivida
A viver
Na pauta
Inacabada
quarta-feira, outubro 20, 2004
O Pedido
Num dia de tempestade, o Sol, timidamente, disse às Núvens: "Por favor, deixem-me espreitar! Gosto tanto de ver os verdejantes campos, as flores coloridas, o mar!... Levar um pouco de luz àquelas almas que deambulam ao sabor do impiedoso vento que tudo arrasta à sua frente, sem dó nem piedade!..."
E o Vento afastou as núvens para que o Sol pudesse espreitar e aquecer com os seus raios as deliciosas criaturas que corriam atrás do seu chapéu, cá por baixo.
O Sol esboçou um sorriso e, com ele, a claridade regressou plena às almas que deambulavam sem norte.
O Mar amainou a sua revolta contra o mundo cruel que tão mal o tratava.
O Vento soprou em brisa ténue e refrescante.
As Núvens coloriram o seu cinza carregado num branco brilhante pelos raios de sol que iluminaram os cabelos molhados que esvoaçavam ao vento.
As ruas espelhadas, em lencóis macios e sedosos se tornaram, convidando a mergulhos por entre os pequenos lagos instalados, como que a desafiar os transeuntes mais incautos.
As pessoas, encolhidas nas suas roupagens grossas e desconfortáveis, saltitavam por entre os lagos, como se tentassem escapar aos pingos de chuva que os iam alimentando, provocados pelo mau tempo.
Mas seguiam, de peito firme, desafiando as Núvens, tendo, por breves momentos, o Sol como seu aliado e o Vento como bom amigo que lhes iam lembrando que, afinal, nem mesmo o mau tempo as pode amedrontar, desde que possam, sempre, olhar para ele com um sorriso.
(Texto feito em parceria com o meu Amigo António)
E o Vento afastou as núvens para que o Sol pudesse espreitar e aquecer com os seus raios as deliciosas criaturas que corriam atrás do seu chapéu, cá por baixo.
O Sol esboçou um sorriso e, com ele, a claridade regressou plena às almas que deambulavam sem norte.
O Mar amainou a sua revolta contra o mundo cruel que tão mal o tratava.
O Vento soprou em brisa ténue e refrescante.
As Núvens coloriram o seu cinza carregado num branco brilhante pelos raios de sol que iluminaram os cabelos molhados que esvoaçavam ao vento.
As ruas espelhadas, em lencóis macios e sedosos se tornaram, convidando a mergulhos por entre os pequenos lagos instalados, como que a desafiar os transeuntes mais incautos.
As pessoas, encolhidas nas suas roupagens grossas e desconfortáveis, saltitavam por entre os lagos, como se tentassem escapar aos pingos de chuva que os iam alimentando, provocados pelo mau tempo.
Mas seguiam, de peito firme, desafiando as Núvens, tendo, por breves momentos, o Sol como seu aliado e o Vento como bom amigo que lhes iam lembrando que, afinal, nem mesmo o mau tempo as pode amedrontar, desde que possam, sempre, olhar para ele com um sorriso.
(Texto feito em parceria com o meu Amigo António)
O Preço da Liberdade
> O Preço da Liberdade
> Por MIGUEL SOUSA TAVARES
> Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004
>
> Há várias maneiras de classificar as pessoas. Um amigo meu costuma
> classificá-las entre as que são importantes e as que o não são - sendo
> que importante, aqui, significa apenas, e é muito, aquilo que merece a
> nossa importância, a nossa atenção, e o que o não merece: parece-me,
> todavia, um critério curto. Uma amiga minha gosta de as classificar,
> simplesmente, entre boas e más pessoas
> - bons e maus caracteres: parece-me um critério que faz sentido, mas
> que abrange apenas o domínio das relações pessoais. Mas, se
> pretendemos classificar as pessoas pelo critério da cidadania, a
> classificação que sempre tive como fundamental é a que distingue os
> homens livres dos capachos.
>
> O grande mal português é que temos, verdadeiramente, poucos homens
> livres. Pouca gente, poucos cidadãos, que estejam dispostos a viver a
> sua vida, a construir o seu caminho, sem terem de prestar vassalagem a
> várias formas de poder. Os arquitectos não são livres, porque dependem
> dos interesses económicos do dono da obra. Os médicos não são livres,
> porque, regra geral, querem ser simultaneamente profissionais liberais
> e assalariados do Estado. Os advogados de sucesso não são livres,
> porque dependem da consultadoria dos governos e do tráfico de
> influências entre os negócios, o poder e o patrocínio. Os empresários
> não são livres, porque dependem dos subsídios, das isenções fiscais e
> da atenção do governo nos concursos públicos. Os intelectuais não são
> livres, porque estão quase sempre dependentes de empregos, bolsas ou
> subsídios públicos, os quais acabam inevitavelmente por pagar com
> simples fretes de propaganda partidária. Os jornalistas, quase todos,
> não são livres, porque dependem do pequeno chefe, o qual reporta ao
> editor principal, o qual deve satisfações ao proprietário, o qual tem
> de prestar atenção aos humores e sensibilidades do poder da hora.
>
> Portugal não é, nunca foi, um país de homens livres, de homens
> verdadeiramente amantes da liberdade, para quem a liberdade seja tão
> importante como poder respirar. A grande e púdica mentira em que temos
> vivido nos últimos trinta anos é a de ter acreditado, ou fingido
> acreditar, que no dia 26 de Abril de 1974 éramos todos pela liberdade.
> Desgraçadamente, nesse longínquo dia, não era "a poesia que estava na
> rua", mas sim a hipocrisia. A liberdade não se encontra ao virar da
> esquina - conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e
> individualmente, com riscos e com perdas, e não a coberto da protecção
> fácil das multidões ou das leis.
>
> Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está
> disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que
> ela exige - sempre.
>
> Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos
> e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não
> a de cada um, individualmente, mas a de todos. O preço de termos
> empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do
> abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da
> cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As
> nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente
> definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e
> cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e
> friamente, aquilo que merecemos.
>
> Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana
> portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida
> tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo
> televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de
> gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci
> factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de
> descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos
> Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda
> tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas
> exigem absolutamente. Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo
> e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
>
> Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é
> este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a
> vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser
> mungido na Quinta dos Influentes?
>
> 2. Há dois anos atrás, ingenuamente, aceitei fazer parte de uma
> comissão nomeada pelo anterior Governo e cuja missão principal era
> definir como deveria funcionar a televisão pública, com que meios e
> financiamentos e a que regras deveria obedecer. Como eu, várias outras
> pessoas, que nada quiseram nem receberam em troca, sacrificaram muito
> dos seus tempos úteis e livres, para, dentro do prazo fixado, dotar o
> Governo do resultado de uma reflexão, em forma de propostas concretas,
> que reunia o maior consenso possível entre gente de diversas
> proveniências e ideias. Recebido o trabalho e fingindo-se escudado nas
> conclusões da sua "comissão independente", o ministro Morais Sarmento
> meteu as conclusões ao bolso e, até hoje, nem um obrigado nos disse.
>
> Entre as conclusões que ele fez desaparecer instantaneamente na
> atmosfera, estava uma que recomendava que as regras editoriais e
> deontológicas estabelecidas para o funcionamento da televisão pública
> tivessem, obviamente, extensão a todo o território nacional, incluindo
> Açores e Madeira.
> Porque, tanto quanto era do nosso conhecimento, nas regiões autónomas
> vigora a mesma Constituição, o mesmo regime democrático e o mesmo
> Estado.
>
> Porém, a solução adoptada para a Madeira foi exactamente a oposta e
> que veio ao encontro das antigas e persistentes exigências do soba
> local: a RTP-Madeira foi dada de bandeja ao dr. Jardim, aí vigorando,
> como no resto da vida pública local, uma concepção de liberdade de
> informação que se confunde com aquela em que o dr. Jardim aprendeu a
> fazer jornalismo, no tempo do partido único, da censura e da ditadura.
> E a coisa seguiu assim, sem escândalo de maior. Esta semana, porém, a
> sem-vergonha do regime madeirense chegou ao extremo de o PSD-Madeira
> (um eufemismo do dr. Jardim) protestar oficialmente pelo facto de a
> RTP nacional ter enviado equipas de reportagem à Madeira para cobrirem
> (para o continente, exclusivamente) as eleições locais - o que,
> segundo eles, constitui um "insulto à alta capacidade dos
> profissionais da RTP-Madeira". E mais, indignaram-se eles com o facto
> de os jornalistas idos de Lisboa "se terem instalado num hotel", a
> partir do qual "transmitem para Lisboa aquilo que em segredo montam,
> com máquinas que trouxeram e aí colocaram". Por mais que puxe pela
> memória, só consigo lembrar-me de coisa semelhante comigo ocorrida na
> antiga Roménia de Ceausescu. O PSD-Madeira é hoje o único regime em
> toda a Europa que considera um insulto e uma ameaça a presença de
> jornalistas "estrangeiros" a reportarem para fora como funciona o seu
> regime.
>
> Será isto, pergunto, "o regular funcionamento das instituições
> democráticas", tão caro ao Presidente da República? Ou a excepção
> democrática madeirense já está definitivamente assumida como coisa
> banal e inevitável?
Nota: Artigo que me foi enviado por mail por In_Loko em 19 do corrente
> Por MIGUEL SOUSA TAVARES
> Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004
>
> Há várias maneiras de classificar as pessoas. Um amigo meu costuma
> classificá-las entre as que são importantes e as que o não são - sendo
> que importante, aqui, significa apenas, e é muito, aquilo que merece a
> nossa importância, a nossa atenção, e o que o não merece: parece-me,
> todavia, um critério curto. Uma amiga minha gosta de as classificar,
> simplesmente, entre boas e más pessoas
> - bons e maus caracteres: parece-me um critério que faz sentido, mas
> que abrange apenas o domínio das relações pessoais. Mas, se
> pretendemos classificar as pessoas pelo critério da cidadania, a
> classificação que sempre tive como fundamental é a que distingue os
> homens livres dos capachos.
>
> O grande mal português é que temos, verdadeiramente, poucos homens
> livres. Pouca gente, poucos cidadãos, que estejam dispostos a viver a
> sua vida, a construir o seu caminho, sem terem de prestar vassalagem a
> várias formas de poder. Os arquitectos não são livres, porque dependem
> dos interesses económicos do dono da obra. Os médicos não são livres,
> porque, regra geral, querem ser simultaneamente profissionais liberais
> e assalariados do Estado. Os advogados de sucesso não são livres,
> porque dependem da consultadoria dos governos e do tráfico de
> influências entre os negócios, o poder e o patrocínio. Os empresários
> não são livres, porque dependem dos subsídios, das isenções fiscais e
> da atenção do governo nos concursos públicos. Os intelectuais não são
> livres, porque estão quase sempre dependentes de empregos, bolsas ou
> subsídios públicos, os quais acabam inevitavelmente por pagar com
> simples fretes de propaganda partidária. Os jornalistas, quase todos,
> não são livres, porque dependem do pequeno chefe, o qual reporta ao
> editor principal, o qual deve satisfações ao proprietário, o qual tem
> de prestar atenção aos humores e sensibilidades do poder da hora.
>
> Portugal não é, nunca foi, um país de homens livres, de homens
> verdadeiramente amantes da liberdade, para quem a liberdade seja tão
> importante como poder respirar. A grande e púdica mentira em que temos
> vivido nos últimos trinta anos é a de ter acreditado, ou fingido
> acreditar, que no dia 26 de Abril de 1974 éramos todos pela liberdade.
> Desgraçadamente, nesse longínquo dia, não era "a poesia que estava na
> rua", mas sim a hipocrisia. A liberdade não se encontra ao virar da
> esquina - conquista-se, merece-se e alcança-se, por si próprio e
> individualmente, com riscos e com perdas, e não a coberto da protecção
> fácil das multidões ou das leis.
>
> Não há lei que possa declarar um homem livre, se ele próprio não está
> disposto a bater-se pela liberdade que lhe deram e a pagar o preço que
> ela exige - sempre.
>
> Pagamos, e temos pago, bem caro o preço inverso: o preço de não sermos
> e nunca havermos sido uma nação de cidadãos amantes da liberdade - não
> a de cada um, individualmente, mas a de todos. O preço de termos
> empresários que vivem do favor do Estado, sindicatos que vivem do
> abrigo partidário, intelectuais que vivem das migalhas do orçamento da
> cultura. O preço de sermos dependentes, tementes e subservientes. As
> nações de homens livres prosperam; as nações de gente subserviente
> definham: cada vez estamos mais próximos do México ou da Madeira e
> cada vez mais distantes da Espanha ou da Inglaterra. Temos, exacta e
> friamente, aquilo que merecemos.
>
> Por ora, não vou perder-me nos sórdidos detalhes desta semana
> portuguesa, em que de repente foi como se toda a podridão escondida
> tivesse vindo à superfície. Vi vermes rastejando em directo
> televisivo, vi o medo, a subserviência, o preço, estampado na cara de
> gente porventura boa, ouvi razões e argumentos de estarrecer, conheci
> factos e circunstâncias que nem nos meus mais negros momentos de
> descrença julguei serem possíveis nesta desilusão a que chamamos
> Portugal. Por ora, contenho-me, porque o nojo e a revolta são ainda
> tão presentes que ofuscam a lucidez e a serenidade que certas coisas
> exigem absolutamente. Mas quem me lê sabe que apenas preciso de tempo
> e de recuo - como quem recua perante um quadro para melhor o ver.
>
> Aliás, impõe-se a distância necessária para tentar entender que país é
> este, que cidadãos são estes e o que verdadeiramente os preocupa: a
> vaca a ser mungida na Quinta das Celebridades ou o Governo a ser
> mungido na Quinta dos Influentes?
>
> 2. Há dois anos atrás, ingenuamente, aceitei fazer parte de uma
> comissão nomeada pelo anterior Governo e cuja missão principal era
> definir como deveria funcionar a televisão pública, com que meios e
> financiamentos e a que regras deveria obedecer. Como eu, várias outras
> pessoas, que nada quiseram nem receberam em troca, sacrificaram muito
> dos seus tempos úteis e livres, para, dentro do prazo fixado, dotar o
> Governo do resultado de uma reflexão, em forma de propostas concretas,
> que reunia o maior consenso possível entre gente de diversas
> proveniências e ideias. Recebido o trabalho e fingindo-se escudado nas
> conclusões da sua "comissão independente", o ministro Morais Sarmento
> meteu as conclusões ao bolso e, até hoje, nem um obrigado nos disse.
>
> Entre as conclusões que ele fez desaparecer instantaneamente na
> atmosfera, estava uma que recomendava que as regras editoriais e
> deontológicas estabelecidas para o funcionamento da televisão pública
> tivessem, obviamente, extensão a todo o território nacional, incluindo
> Açores e Madeira.
> Porque, tanto quanto era do nosso conhecimento, nas regiões autónomas
> vigora a mesma Constituição, o mesmo regime democrático e o mesmo
> Estado.
>
> Porém, a solução adoptada para a Madeira foi exactamente a oposta e
> que veio ao encontro das antigas e persistentes exigências do soba
> local: a RTP-Madeira foi dada de bandeja ao dr. Jardim, aí vigorando,
> como no resto da vida pública local, uma concepção de liberdade de
> informação que se confunde com aquela em que o dr. Jardim aprendeu a
> fazer jornalismo, no tempo do partido único, da censura e da ditadura.
> E a coisa seguiu assim, sem escândalo de maior. Esta semana, porém, a
> sem-vergonha do regime madeirense chegou ao extremo de o PSD-Madeira
> (um eufemismo do dr. Jardim) protestar oficialmente pelo facto de a
> RTP nacional ter enviado equipas de reportagem à Madeira para cobrirem
> (para o continente, exclusivamente) as eleições locais - o que,
> segundo eles, constitui um "insulto à alta capacidade dos
> profissionais da RTP-Madeira". E mais, indignaram-se eles com o facto
> de os jornalistas idos de Lisboa "se terem instalado num hotel", a
> partir do qual "transmitem para Lisboa aquilo que em segredo montam,
> com máquinas que trouxeram e aí colocaram". Por mais que puxe pela
> memória, só consigo lembrar-me de coisa semelhante comigo ocorrida na
> antiga Roménia de Ceausescu. O PSD-Madeira é hoje o único regime em
> toda a Europa que considera um insulto e uma ameaça a presença de
> jornalistas "estrangeiros" a reportarem para fora como funciona o seu
> regime.
>
> Será isto, pergunto, "o regular funcionamento das instituições
> democráticas", tão caro ao Presidente da República? Ou a excepção
> democrática madeirense já está definitivamente assumida como coisa
> banal e inevitável?
Nota: Artigo que me foi enviado por mail por In_Loko em 19 do corrente
sexta-feira, outubro 15, 2004
Alerta (importante ler)
Pensar Enlouquece. Pense Nisso.
Blog (mais ou menos) pessoal de Alexandre Inagaki. Baseado em fatos surreais. Aprecie sem moderação. No ar desde agosto de 2002. Servimos bem para servir sempre. Nenhum animal foi maltratado durante a produção dos posts deste blog. Sorria, você não está sendo filmado. Ao persistirem os sintomas, consulte o médico.
« É pra rir ou pra chorar? |Main| A votação dos coadjuvantes »
setembro 30, 2004
Aberta a temporada de caça aos blogs
Já escrevi, em ocasiões passadas, sobre as ameaças de processo judicial feitas a blogueiros como Alessandra Félix, Edney Souza e Cristiano Dias. Esses imbróglios foram os primeiros indícios de que a visibilidade crescente dos blogs e a liberdade de expressão exercida por quem os escreve começavam a incomodar.
Pois bem, agora é oficial: surgiu o primeiro caso de um blog brasileiro retirado do ar por conta de um processo judicial. O caso, inédito no país, limou da Web o blog coletivo Imprensa Marrom (disponível para visitação apenas no cache do Google). O aspecto mais surreal desse imbróglio é que a ação foi motivada por um... comentário. O autor do processo (dono de uma empresa de recolocação profissional) sentiu-se ofendido por um comentário deixado no blog, entrou com uma liminar na justiça e o Imprensa Marrom saiu do ar.
O precedente é perigossímo. Em um país que teoricamente defende a liberdade de expressão, ver um site fora do ar por causa de um comentário que sequer foi redigido por seus autores é algo de kafkiano. Fernando Gouveia, que escreve na Internet com o pseudônimo Gravataí Merengue e é o responsável pelo registro do domínio imprensamarrom.com.br, não esconde a angústia com o caso e alerta, sem esconder sua ironia: "muito cuidado com os comments que vão ao ar. Apaguem tudo que pareça minimamente ofensivo, pois alguém pode optar por, em vez de pedir a retirada do comentário, simplesmente processar o blog".
O aspecto mais aterrador de todo esse caso é constatar que mergulhamos, oficialmente, no território das incertezas. A partir desse precedente, sou obrigado a fazer alguns questionamentos sobre a natureza de meu blog. Até que ponto posso emitir as minhas opiniões sem que algum melindrado ameace tirá-lo do ar por algum critério subjetivo? Chegará o tempo em que necessitaremos de consultoria jurídica prévia para a publicação de um post? Vale a pena permitir a publicação de comentários, ou será mais prudente limitar a interação do meu blog? Devo me limitar a escrever sobre o cardápio do meu café da manhã e as cólicas do meu cachorrinho?
Com a palavra, Fernando Gouveia:
"Esta é a PRIMEIRA AÇÃO JUDICIAL promovida contra um blog por causa de comentário. Vamos criar jurisprudência. Essa causa, desculpe o pieguismo, é 'de todos nós'. Não podemos deixar que 'o outro' ganhe essa ação, porque aí vai ser uma festa contra todos nós. Qualquer assuntinho mais polêmico pode ser alvo de uma medida assim, e os blogs definitivamente se condenam a ser um diarinho bundamole que versa sobre o umbigo do dono (e cuidado para que o umbigo - ou uma aliança do mesmo com o resto do abdômen - não processe o autor)".
Escrito por Alexandre Inagaki em setembro 30, 2004 08:40 PM
AMIGOS: Este artigo foi retirado dum link do //jornaldoblogueiro.blogger.com.br
de 12 de Outubro do corrente ano
intilulado "A volta do blog Imprensa Marrom"
Não deixem de lá ir e ler.
A todos interessa.
Blog (mais ou menos) pessoal de Alexandre Inagaki. Baseado em fatos surreais. Aprecie sem moderação. No ar desde agosto de 2002. Servimos bem para servir sempre. Nenhum animal foi maltratado durante a produção dos posts deste blog. Sorria, você não está sendo filmado. Ao persistirem os sintomas, consulte o médico.
« É pra rir ou pra chorar? |Main| A votação dos coadjuvantes »
setembro 30, 2004
Aberta a temporada de caça aos blogs
Já escrevi, em ocasiões passadas, sobre as ameaças de processo judicial feitas a blogueiros como Alessandra Félix, Edney Souza e Cristiano Dias. Esses imbróglios foram os primeiros indícios de que a visibilidade crescente dos blogs e a liberdade de expressão exercida por quem os escreve começavam a incomodar.
Pois bem, agora é oficial: surgiu o primeiro caso de um blog brasileiro retirado do ar por conta de um processo judicial. O caso, inédito no país, limou da Web o blog coletivo Imprensa Marrom (disponível para visitação apenas no cache do Google). O aspecto mais surreal desse imbróglio é que a ação foi motivada por um... comentário. O autor do processo (dono de uma empresa de recolocação profissional) sentiu-se ofendido por um comentário deixado no blog, entrou com uma liminar na justiça e o Imprensa Marrom saiu do ar.
O precedente é perigossímo. Em um país que teoricamente defende a liberdade de expressão, ver um site fora do ar por causa de um comentário que sequer foi redigido por seus autores é algo de kafkiano. Fernando Gouveia, que escreve na Internet com o pseudônimo Gravataí Merengue e é o responsável pelo registro do domínio imprensamarrom.com.br, não esconde a angústia com o caso e alerta, sem esconder sua ironia: "muito cuidado com os comments que vão ao ar. Apaguem tudo que pareça minimamente ofensivo, pois alguém pode optar por, em vez de pedir a retirada do comentário, simplesmente processar o blog".
O aspecto mais aterrador de todo esse caso é constatar que mergulhamos, oficialmente, no território das incertezas. A partir desse precedente, sou obrigado a fazer alguns questionamentos sobre a natureza de meu blog. Até que ponto posso emitir as minhas opiniões sem que algum melindrado ameace tirá-lo do ar por algum critério subjetivo? Chegará o tempo em que necessitaremos de consultoria jurídica prévia para a publicação de um post? Vale a pena permitir a publicação de comentários, ou será mais prudente limitar a interação do meu blog? Devo me limitar a escrever sobre o cardápio do meu café da manhã e as cólicas do meu cachorrinho?
Com a palavra, Fernando Gouveia:
"Esta é a PRIMEIRA AÇÃO JUDICIAL promovida contra um blog por causa de comentário. Vamos criar jurisprudência. Essa causa, desculpe o pieguismo, é 'de todos nós'. Não podemos deixar que 'o outro' ganhe essa ação, porque aí vai ser uma festa contra todos nós. Qualquer assuntinho mais polêmico pode ser alvo de uma medida assim, e os blogs definitivamente se condenam a ser um diarinho bundamole que versa sobre o umbigo do dono (e cuidado para que o umbigo - ou uma aliança do mesmo com o resto do abdômen - não processe o autor)".
Escrito por Alexandre Inagaki em setembro 30, 2004 08:40 PM
AMIGOS: Este artigo foi retirado dum link do //jornaldoblogueiro.blogger.com.br
de 12 de Outubro do corrente ano
intilulado "A volta do blog Imprensa Marrom"
Não deixem de lá ir e ler.
A todos interessa.
quarta-feira, outubro 13, 2004
Ela
Saiu! Seu passo certo, programado,
sem pressa na aparência.
De olhar distante, vendo sem nada ver
os pequenos grandes nadas que a rodeiam
Segue trajectos calculados, meditados
minutos antes delineados
De cadência suave, altiva de nada,
cabelos ao vento, tez natural,
na sua simplicidade muito própria.
Ninguém encontra, ninguém vê.
Traída pelo olhar sereno, expressivo
de curiosidades, de procuras,
as gentes olham, seguem, se reviram
quando ela passa distraída
Os passarinhos, os melros, as rolas bravas
com seus cantares e chilreios
esvoaçam perto dizendo "Bom dia"
E ela, ao vê-los, sorri
pensando "Natureza maravilhosa!"
Sem nada procurar nem esperar
da vida, certa da rota a seguir,
caminha como se em sonhos navegasse
Interioridades musicais, coloridas
de marulhentos mares, brisas
e luares estrelados, pacificantes,
perseguem seus gestos e postura.
Que esperar da vida se a vida a espera?!
E lá vai ela, que tudo e nada vê,
cadenciada pelo seu mundo.
sem pressa na aparência.
De olhar distante, vendo sem nada ver
os pequenos grandes nadas que a rodeiam
Segue trajectos calculados, meditados
minutos antes delineados
De cadência suave, altiva de nada,
cabelos ao vento, tez natural,
na sua simplicidade muito própria.
Ninguém encontra, ninguém vê.
Traída pelo olhar sereno, expressivo
de curiosidades, de procuras,
as gentes olham, seguem, se reviram
quando ela passa distraída
Os passarinhos, os melros, as rolas bravas
com seus cantares e chilreios
esvoaçam perto dizendo "Bom dia"
E ela, ao vê-los, sorri
pensando "Natureza maravilhosa!"
Sem nada procurar nem esperar
da vida, certa da rota a seguir,
caminha como se em sonhos navegasse
Interioridades musicais, coloridas
de marulhentos mares, brisas
e luares estrelados, pacificantes,
perseguem seus gestos e postura.
Que esperar da vida se a vida a espera?!
E lá vai ela, que tudo e nada vê,
cadenciada pelo seu mundo.
segunda-feira, outubro 11, 2004
Deambulações
Ah! Como gostaria de ver a Luz!
Sentidos trementes, comovidos
Sensibilizados por palavras belas
Em água, em mar me tornei
Deslizei, percorri caminhos, voei
Inconsciente, de mim saí
Involuntária, a Voz segui
Que ao longe aqui morava...
Entre regressos e partidas
O tempo foi passando, não notei
Em sonambulismos pela casa andei
Numa amálgama de pensares difusos
Procurando a Luz que não via
Mas que estava lá, sim, eu sentia
A mente voltou forte, analítica
Ordenando a miscelânea de sentires
E entre revirares e leituras
Entre meditações e preces
No rodeante silêncio calmo
Adormeci em paz, sorrindo...
Sentidos trementes, comovidos
Sensibilizados por palavras belas
Em água, em mar me tornei
Deslizei, percorri caminhos, voei
Inconsciente, de mim saí
Involuntária, a Voz segui
Que ao longe aqui morava...
Entre regressos e partidas
O tempo foi passando, não notei
Em sonambulismos pela casa andei
Numa amálgama de pensares difusos
Procurando a Luz que não via
Mas que estava lá, sim, eu sentia
A mente voltou forte, analítica
Ordenando a miscelânea de sentires
E entre revirares e leituras
Entre meditações e preces
No rodeante silêncio calmo
Adormeci em paz, sorrindo...
domingo, outubro 10, 2004
A Menina dos Caracóis
Correndo como louca, lá vai a menina dos caracóis, descendo a calçada.
Cabelos rebeldes, saltitantes, vestido de chita curto, colorido, esvoaçando na cadência do movimento apressado.
Descalça, chinelas na mão, saco noutra, de pés calejados por um hábito de vida, imunes aos escolhos da viela, ela não corre... voa!
De cara gaiata, olhos vivos, brilhantes, que tudo e mais querem ver.
Passa, entre as gentes que com ela se cruzam, gentes de andar pesado, custoso, cansado, de ar sisudo pelo peso da existência árdua que sempre conheceram, qual turvelinho, sem as tocar, sequer roçar.
Alguém, numa esplanada improvisada de duas mesas à porta dum tasco, a chama, pergunta porque corre, mas ela não ouve... Ela, que tudo escuta, que nada lhe escapa, na sua sensibilidade de criança ainda.
Caracóis rebeldes, faces rosadas, em desalinho, de olhos luzindo como dois faróis, de sorriso aberto de felicidade, irrompe casa dentro, ofegante da correria:
"Mãe! Olha o que a senhora da casa grande me deu!"
E abre o saco.
Dele sai um fato de banho, já usado, e uma velha boneca de trapos que abraça carinhosamente.
"Mãe! Posso ir até ao rio? Posso?... Posso?..."
Cabelos rebeldes, saltitantes, vestido de chita curto, colorido, esvoaçando na cadência do movimento apressado.
Descalça, chinelas na mão, saco noutra, de pés calejados por um hábito de vida, imunes aos escolhos da viela, ela não corre... voa!
De cara gaiata, olhos vivos, brilhantes, que tudo e mais querem ver.
Passa, entre as gentes que com ela se cruzam, gentes de andar pesado, custoso, cansado, de ar sisudo pelo peso da existência árdua que sempre conheceram, qual turvelinho, sem as tocar, sequer roçar.
Alguém, numa esplanada improvisada de duas mesas à porta dum tasco, a chama, pergunta porque corre, mas ela não ouve... Ela, que tudo escuta, que nada lhe escapa, na sua sensibilidade de criança ainda.
Caracóis rebeldes, faces rosadas, em desalinho, de olhos luzindo como dois faróis, de sorriso aberto de felicidade, irrompe casa dentro, ofegante da correria:
"Mãe! Olha o que a senhora da casa grande me deu!"
E abre o saco.
Dele sai um fato de banho, já usado, e uma velha boneca de trapos que abraça carinhosamente.
"Mãe! Posso ir até ao rio? Posso?... Posso?..."
sábado, outubro 09, 2004
Caminhos
Percorro caminhos distantes onde a esperança reside.
Longe...Lá! Tão longe...
Deixo-me envolver pelos sons de Grieg e do seu Peer Gynt, e danço em pontas, envolta em tules, luzes brancas, cores multifacetadas... e voo qual floco de neve levado pelo vento frio do norte.
Isolada, no meu canto, na sonoridade que me trespassa corpo e alma, em gradações sonoras, metálicas, de trompetes e pratos que gritam "Acorda!"
A chuva cai. Densa, pesada, em transparências invisíveis.
Fico olhando o vazio numa busca desesperada e inconstante, de quê?
Do nada! Porque nada sempre é algo. O que quizermos que seja, será!
Por momentos vagueei, percorri caminhos de ti, trilhos da tua vida. Abracei ilusões, desilusões, expectativas, cansaços, ambições, desejos.
Assim sou. Mas já não chove, o vento amainou, só o frio se mantem na noite.
Amanhã será novo dia.
A Luz trará um novo sorriso.
Longe...Lá! Tão longe...
Deixo-me envolver pelos sons de Grieg e do seu Peer Gynt, e danço em pontas, envolta em tules, luzes brancas, cores multifacetadas... e voo qual floco de neve levado pelo vento frio do norte.
Isolada, no meu canto, na sonoridade que me trespassa corpo e alma, em gradações sonoras, metálicas, de trompetes e pratos que gritam "Acorda!"
A chuva cai. Densa, pesada, em transparências invisíveis.
Fico olhando o vazio numa busca desesperada e inconstante, de quê?
Do nada! Porque nada sempre é algo. O que quizermos que seja, será!
Por momentos vagueei, percorri caminhos de ti, trilhos da tua vida. Abracei ilusões, desilusões, expectativas, cansaços, ambições, desejos.
Assim sou. Mas já não chove, o vento amainou, só o frio se mantem na noite.
Amanhã será novo dia.
A Luz trará um novo sorriso.
quinta-feira, outubro 07, 2004
Musicalidades...???
Sussurros me posuem pela noite dentro.
Deslizantes no espaço semi-obscurecido que me rodeia, e que busco entontecida, ignorando o espaço e o tempo.
O desconhecido, nunca sentido, algures olvidado nos recônditos duma memória nunca intensamente clarividente, (des)conhecidos jamais pronunciados, quem sabe se em densas ilusões pensados...
A noite!... Irreverente, despudurada, perdida no éter de fluidos sonhados em musicalidades Wagnerianas... entre a Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach, vagueia em mescladas luminosidades... a suavidade, a doçura harmónica dos azuis neutros, difusos, dos radiosos brancos de brilhos em ondulações de mares e murmúrios, para mim, só para mim, dum Debussy e o seu Claire de Lune...
E me perco! Me acho! Sem nada ver, só sentires em sonhos sonhados...
E vejo! Mas a cegueira é minha madre, que caminha sem guia, sem norte...
E sinto... sem sentires! Onde a ilusão impera!
Oh noite! Pérfida e inclemente, que com teus tentáculos me abraças, me levas para além dos sonhos!
Em palavras (in)distintas me perco! Que ouço, que não ouço, mas que me transmutam,
em perdições de eus...
Ao longe, ouço Jean-Michel Jarre no seu concerto na China...
A realidade chama por mim...
Sonhei?!? Divaguei?!?
Ainda não sei...
Deslizantes no espaço semi-obscurecido que me rodeia, e que busco entontecida, ignorando o espaço e o tempo.
O desconhecido, nunca sentido, algures olvidado nos recônditos duma memória nunca intensamente clarividente, (des)conhecidos jamais pronunciados, quem sabe se em densas ilusões pensados...
A noite!... Irreverente, despudurada, perdida no éter de fluidos sonhados em musicalidades Wagnerianas... entre a Tocata e Fuga em Ré Menor de Bach, vagueia em mescladas luminosidades... a suavidade, a doçura harmónica dos azuis neutros, difusos, dos radiosos brancos de brilhos em ondulações de mares e murmúrios, para mim, só para mim, dum Debussy e o seu Claire de Lune...
E me perco! Me acho! Sem nada ver, só sentires em sonhos sonhados...
E vejo! Mas a cegueira é minha madre, que caminha sem guia, sem norte...
E sinto... sem sentires! Onde a ilusão impera!
Oh noite! Pérfida e inclemente, que com teus tentáculos me abraças, me levas para além dos sonhos!
Em palavras (in)distintas me perco! Que ouço, que não ouço, mas que me transmutam,
em perdições de eus...
Ao longe, ouço Jean-Michel Jarre no seu concerto na China...
A realidade chama por mim...
Sonhei?!? Divaguei?!?
Ainda não sei...
quinta-feira, setembro 30, 2004
Confidencial
Caros amigos,
Isto é confidencial...
Estes dados foram-me fornecidos pelo primo de um amigo meu, cujo pai
trabalha com a irmã da cunhada mais nova de um agente, que mora ao
lado de um coronel reformado. A filha deste pensionista namora com o
filho mais velho do sapateiro que engraxa as botas dos militares.
A Brigada de Trânsito acabou de adquirir 34 novas viaturas de
intercepção e controlo.
São meia-dúzia de Fiat 127... a debitar cerca de 185 cv,costumam andar
na A1 entre Condeixa e a recta de Pegões.
Atenção!
Estes carros são conduzidos por mulheres austríacas, vestidas à
vianense e levam a bordo 3 crianças. Para detectar os infractores
estão equipadas com um radar rotativo no tejadilho. Como disfarce
levam um autocolante da Milupa onde se pode ler "Bebé a bordo"
Fazem também parte da frota 24 Talbot Samba 1.1 (com 215 cv!)que
circulam em fila indiana pelo IP5. Estes carros são conduzidos por
antigos maquinistas da CP. A sirene está escondida por baixo de um
mocho de plástico no tejadilho.
Na Nacional 125, desde o final do mês passado, circulam dois Renault
12 beges, com condutores octogenários vestidos à sevilhana. Estes
carros levam montada uma câmara de estúdio no tejadilho e sempre que
alguém ultrapassa os limites o condutor dá indicações ao operador de
câmara para começar a filmar. Em simultâneo é feita uma ligação via
telemóvel para o segundo carro que prontamente acompanha o
transgressor.
Assim que estiverem lado a lado, o condutor do segundo carro liga de
volta para o carro com a câmara dando-lhe a leitura exacta da
velocidade. Convém salientar que debaixo do capô deste Renault 12
estão mais de 245 cv... a centralina destas máquinas foi reprogramada
em Luanda!
As restantes duas viaturas são Toyota Dyna 2.5D, de caixa aberta, e
usam como disfarce 1500 kg de sacos de cimento. Na cabina vão três
lutadores de sumo, dois dos quais comandam um sofisticado radar. A
câmara é comandada pelo condutor que também está encarregue de todas
as comunicações com a central. Estas Toyotas estão preparadas com um
kit TTE e já foram vistas na serra da Estrela, a subir de Sabugueiro
para a Torre, atrás de um 2CV a 196 km/h.
PS: Um vizinho do meu primo teve que vender o Punto GT para pagar a multa...
Eles não perdoam!
Anónimo
Nota: Este mail foi-me enviado pelo Pedro, do blog Azelhas do Mar
Obrigada meu Amigo
Isto é confidencial...
Estes dados foram-me fornecidos pelo primo de um amigo meu, cujo pai
trabalha com a irmã da cunhada mais nova de um agente, que mora ao
lado de um coronel reformado. A filha deste pensionista namora com o
filho mais velho do sapateiro que engraxa as botas dos militares.
A Brigada de Trânsito acabou de adquirir 34 novas viaturas de
intercepção e controlo.
São meia-dúzia de Fiat 127... a debitar cerca de 185 cv,costumam andar
na A1 entre Condeixa e a recta de Pegões.
Atenção!
Estes carros são conduzidos por mulheres austríacas, vestidas à
vianense e levam a bordo 3 crianças. Para detectar os infractores
estão equipadas com um radar rotativo no tejadilho. Como disfarce
levam um autocolante da Milupa onde se pode ler "Bebé a bordo"
Fazem também parte da frota 24 Talbot Samba 1.1 (com 215 cv!)que
circulam em fila indiana pelo IP5. Estes carros são conduzidos por
antigos maquinistas da CP. A sirene está escondida por baixo de um
mocho de plástico no tejadilho.
Na Nacional 125, desde o final do mês passado, circulam dois Renault
12 beges, com condutores octogenários vestidos à sevilhana. Estes
carros levam montada uma câmara de estúdio no tejadilho e sempre que
alguém ultrapassa os limites o condutor dá indicações ao operador de
câmara para começar a filmar. Em simultâneo é feita uma ligação via
telemóvel para o segundo carro que prontamente acompanha o
transgressor.
Assim que estiverem lado a lado, o condutor do segundo carro liga de
volta para o carro com a câmara dando-lhe a leitura exacta da
velocidade. Convém salientar que debaixo do capô deste Renault 12
estão mais de 245 cv... a centralina destas máquinas foi reprogramada
em Luanda!
As restantes duas viaturas são Toyota Dyna 2.5D, de caixa aberta, e
usam como disfarce 1500 kg de sacos de cimento. Na cabina vão três
lutadores de sumo, dois dos quais comandam um sofisticado radar. A
câmara é comandada pelo condutor que também está encarregue de todas
as comunicações com a central. Estas Toyotas estão preparadas com um
kit TTE e já foram vistas na serra da Estrela, a subir de Sabugueiro
para a Torre, atrás de um 2CV a 196 km/h.
PS: Um vizinho do meu primo teve que vender o Punto GT para pagar a multa...
Eles não perdoam!
Anónimo
Nota: Este mail foi-me enviado pelo Pedro, do blog Azelhas do Mar
Obrigada meu Amigo
terça-feira, setembro 28, 2004
O Catavento
Gira, gira o catavento
Não sabe onde vai parar.
Tudo foi precoce na vivência passada
A sua concha, o seu intenso mundo interior
Sonhos vividos na sua plenitude. Em sonho...
A calma, o saber ouvir, a sua existência diária
Gira, gira o catavento
Não sabe onde vai parar
Sorriso bom, alegria moderada, franca
Pronta para ajudar, sugerindo
Leitora fácil, ávida de conhecimento
A música vivia no seu interior
Seu Templo, sua Igreja, sozinha
Lugar de reforço da paz sentida
Memórias belas de momentos suaves
Gira, gira o catavento
Não sei onde vai parar
Tempos de produzir, cedo chegaram
Recordações com luz, com alegria
O querer saber mais, a valorização pessoal
Num repente tudo voa, tudo muda
Encontros, desencontros, ilusões desfeitas
Gastas, incontornáveis, inexplicáveis
Restou o seu refúgio interior, intocável
Gira, gira o catavento
Não sei onde vai parar
Anos a fio mirou o reverso do espelho
Mas... o trabalho fora protela acções
Olvida, ultrapassa... e os meninos?...
Doçura dos seus olhos, encantos de si...
Até que um dia... Há sempre um dia!
Na monotomia diária do isolamento votado
Viu para além do espelho... Acordou!
Acordou de e para si mesma
Analisou, meditou, ponderou e agiu
A reviravolta deu-se. Tarde, muito tarde!...
E o catavento gira, gira
Onde irá ele parar?
Será Norte? Será Sul?
A tempestade vai passar
O vento vai amainar
Os sonhos, a esperança, o sorriso, a paz
Vão voltar!
Não sabe onde vai parar.
Tudo foi precoce na vivência passada
A sua concha, o seu intenso mundo interior
Sonhos vividos na sua plenitude. Em sonho...
A calma, o saber ouvir, a sua existência diária
Gira, gira o catavento
Não sabe onde vai parar
Sorriso bom, alegria moderada, franca
Pronta para ajudar, sugerindo
Leitora fácil, ávida de conhecimento
A música vivia no seu interior
Seu Templo, sua Igreja, sozinha
Lugar de reforço da paz sentida
Memórias belas de momentos suaves
Gira, gira o catavento
Não sei onde vai parar
Tempos de produzir, cedo chegaram
Recordações com luz, com alegria
O querer saber mais, a valorização pessoal
Num repente tudo voa, tudo muda
Encontros, desencontros, ilusões desfeitas
Gastas, incontornáveis, inexplicáveis
Restou o seu refúgio interior, intocável
Gira, gira o catavento
Não sei onde vai parar
Anos a fio mirou o reverso do espelho
Mas... o trabalho fora protela acções
Olvida, ultrapassa... e os meninos?...
Doçura dos seus olhos, encantos de si...
Até que um dia... Há sempre um dia!
Na monotomia diária do isolamento votado
Viu para além do espelho... Acordou!
Acordou de e para si mesma
Analisou, meditou, ponderou e agiu
A reviravolta deu-se. Tarde, muito tarde!...
E o catavento gira, gira
Onde irá ele parar?
Será Norte? Será Sul?
A tempestade vai passar
O vento vai amainar
Os sonhos, a esperança, o sorriso, a paz
Vão voltar!
Talmud
Talmud é um livro onde se encontram condensados todos os depoimentos, ditados e
frases pronunciadas pelos Rabinos através dos tempos.
Tem um que termina dizendo o seguinte:
"Cuida-te quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas.
A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da
cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual....debaixo do braço
para ser protegida e do lado do coração para ser amada".
frases pronunciadas pelos Rabinos através dos tempos.
Tem um que termina dizendo o seguinte:
"Cuida-te quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas.
A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da
cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual....debaixo do braço
para ser protegida e do lado do coração para ser amada".
domingo, setembro 26, 2004
Poética
Entre palavras sentidas e letras perdidas
perco-me...
Leio, olho, procuro, medito, interdito
não acho...
Corro, percorro, vagueio, devasso
obscureço...
Rebusco, escuto, invado, qual intrusso
escuso...
Por entrelinhas, em caminhares difusos
entonteço...
Não vejo, não desisti, vou em frente
Palavras...
Letras...
Alguém entende?...
perco-me...
Leio, olho, procuro, medito, interdito
não acho...
Corro, percorro, vagueio, devasso
obscureço...
Rebusco, escuto, invado, qual intrusso
escuso...
Por entrelinhas, em caminhares difusos
entonteço...
Não vejo, não desisti, vou em frente
Palavras...
Letras...
Alguém entende?...
quarta-feira, setembro 22, 2004
Batas Brancas
Batas brancas que circulam, se cruzam atarefadas ou lentas.
Semblantes tensos, sisudos, pensativos, trocam opiniões e analisam situações.
As macas entram correndo com doentes gemendo com semblantes de dor, enquanto outras saem leves e vazias do sofrimento deixado.
Pessoas com problemas aguardam sua vez de chamada, enquanto parentes ou amigos procedem às inscrições.
Os pacientes mais faladores contam suas maleitas, seus infortúnios, para tentar minorar o sofrimento real ou a solidão em que vivem.
É um corre corre em corredores de tons brancos, lisos, impessoais, mostrando que ali, na dor, todos somos iguais.
Um enfermeiro passa "Conheço-a de algum lado!", "É natural, talvez daqui!", "Sabe, tenho uma vizinha muito parecida consigo...". Conversa interrompida por um chamamento do lado. Um sorriso que se foi...
Não há tempo.
A resolução de problemas impera.
Lá fora, umas dezenas esperam a sua vez de ser ouvidas pelas batas brancas.
Semblantes tensos, sisudos, pensativos, trocam opiniões e analisam situações.
As macas entram correndo com doentes gemendo com semblantes de dor, enquanto outras saem leves e vazias do sofrimento deixado.
Pessoas com problemas aguardam sua vez de chamada, enquanto parentes ou amigos procedem às inscrições.
Os pacientes mais faladores contam suas maleitas, seus infortúnios, para tentar minorar o sofrimento real ou a solidão em que vivem.
É um corre corre em corredores de tons brancos, lisos, impessoais, mostrando que ali, na dor, todos somos iguais.
Um enfermeiro passa "Conheço-a de algum lado!", "É natural, talvez daqui!", "Sabe, tenho uma vizinha muito parecida consigo...". Conversa interrompida por um chamamento do lado. Um sorriso que se foi...
Não há tempo.
A resolução de problemas impera.
Lá fora, umas dezenas esperam a sua vez de ser ouvidas pelas batas brancas.
quinta-feira, setembro 16, 2004
Carta a um Amigo
Estas letras são para ti, meu querido e especial amigo (que não conheço).
As saudades sentidas (sei lá!...) apertam dia a dia com a tua ausência (estarás perto?).
Partiste (ou ficaste...) para terras longínquas (ou não) em busca da fortuna (ou da aventura) e duma melhoria de vida (liberdade?!).
Dos teus rastos (peugadas) ficaram as lembranças (souvenirs) dos caminhos partilhados (sozinho) nos passeios pelos bosques, pelo mar.
Tornaste-te o companheiro ideal (na solidão) para enfrentar as agruras da vida (ou não) e acompanhar a Dita (infelicidade) que programámos os dois (só tu).
O teu sorriso e alegria (em lágrimas) sempre presente, preenche os espaços vazios (nem tanto!) desta existência que vagueia ao sabor da maré (alta ou baixa) pela tua presença.
Tudo em ti resplandescia (era obscuro): os teus olhos, os teus gestos, a tua postura (que desconheço).
A tua verbalidade (mudez) fluente, plena de conhecimentos sábios (1+1=2), de cultura (dos legumes), enlevavam-me em miríades de cores (anácromas).
Em sonhos vias-me (a mim?!) dizias, para me colocares um ar feliz no meu rosto.
Os sonhos (pesadelos) comigo, transportávam-nos a lugares distantes (à cidade ao lado), com exóticos manjares (sopa?) e entardeceres das mil e uma noites (passou-se!...).
As viagens que fizemos (não existiram) tornaram-se memórias indescritíveis.
Meu querido e especial amigo (desconhecido), tudo isto não passa de lembranças (pequenas ofertas) de um passado sempre presente (inexistente) que nunca esquecerei.
Anseio o teu regresso (partida) como uma flor que espera a mão delicada que a irá colher (credo!...).
Manda notícias tuas (para quê, se não existes?!) logo que possas.
A sempre (jamais!) tua especial amiga (quem será?) que nunca te esquecerá (é já!...),
fk gtre unçoierynnb
As saudades sentidas (sei lá!...) apertam dia a dia com a tua ausência (estarás perto?).
Partiste (ou ficaste...) para terras longínquas (ou não) em busca da fortuna (ou da aventura) e duma melhoria de vida (liberdade?!).
Dos teus rastos (peugadas) ficaram as lembranças (souvenirs) dos caminhos partilhados (sozinho) nos passeios pelos bosques, pelo mar.
Tornaste-te o companheiro ideal (na solidão) para enfrentar as agruras da vida (ou não) e acompanhar a Dita (infelicidade) que programámos os dois (só tu).
O teu sorriso e alegria (em lágrimas) sempre presente, preenche os espaços vazios (nem tanto!) desta existência que vagueia ao sabor da maré (alta ou baixa) pela tua presença.
Tudo em ti resplandescia (era obscuro): os teus olhos, os teus gestos, a tua postura (que desconheço).
A tua verbalidade (mudez) fluente, plena de conhecimentos sábios (1+1=2), de cultura (dos legumes), enlevavam-me em miríades de cores (anácromas).
Em sonhos vias-me (a mim?!) dizias, para me colocares um ar feliz no meu rosto.
Os sonhos (pesadelos) comigo, transportávam-nos a lugares distantes (à cidade ao lado), com exóticos manjares (sopa?) e entardeceres das mil e uma noites (passou-se!...).
As viagens que fizemos (não existiram) tornaram-se memórias indescritíveis.
Meu querido e especial amigo (desconhecido), tudo isto não passa de lembranças (pequenas ofertas) de um passado sempre presente (inexistente) que nunca esquecerei.
Anseio o teu regresso (partida) como uma flor que espera a mão delicada que a irá colher (credo!...).
Manda notícias tuas (para quê, se não existes?!) logo que possas.
A sempre (jamais!) tua especial amiga (quem será?) que nunca te esquecerá (é já!...),
fk gtre unçoierynnb
terça-feira, setembro 14, 2004
Os dias que correm...
A máquina ocupou o lugar dos seres pensantes.
A ciência, destinada ao bem da humanidade, esqueceu seu lugar, ultrapassou barreiras, procurou a fama.
A evolução tecnológica invadiu as mentes e ocupou lugar privilegiado, relegando para segundo plano outros valores dum quotidiano mais calmo, mais pacífico.
A violência oral e física apoderou-se do aconchego dos lares e, diariamente, nos mostra a sua face horrenda, disforme.
Entra-nos pelas casas, sem permissão, invadindo tudo e todos, nas suas mais diversas formas, trazida por máquinas e pessoas menos escrupulosas, sensionalistas.
A noção de respeito, adulterou-se.
O amor pelo próximo espelha-se em fachadas fúteis, em benemerências colonáveis.
A privacidade tornou-se palco de peças teatrais de mau gosto e interpretação falsa.
Para a fama tudo vale.
Pisam-se nobres sentimentos, conceitos antes enraízados.
A ambição do poder ultrapassa tudo e todos.
É o estar sem estar. O ser sem ser.
Agir, cansa! Porque não ter tudo feito?
Pensar?! Desperdício inútil, que se ganha?
Falar?! Já há palavras chave, repetidas e repetitivas.
O diálogo é o umbigo de cada um.
O amor, esse, existe verbalmente, mas há muito que se chama desamor.
Mas haja esperança!
Não dizem que é a última a morrer?!...
Pois é! A vida continua.
A ciência, destinada ao bem da humanidade, esqueceu seu lugar, ultrapassou barreiras, procurou a fama.
A evolução tecnológica invadiu as mentes e ocupou lugar privilegiado, relegando para segundo plano outros valores dum quotidiano mais calmo, mais pacífico.
A violência oral e física apoderou-se do aconchego dos lares e, diariamente, nos mostra a sua face horrenda, disforme.
Entra-nos pelas casas, sem permissão, invadindo tudo e todos, nas suas mais diversas formas, trazida por máquinas e pessoas menos escrupulosas, sensionalistas.
A noção de respeito, adulterou-se.
O amor pelo próximo espelha-se em fachadas fúteis, em benemerências colonáveis.
A privacidade tornou-se palco de peças teatrais de mau gosto e interpretação falsa.
Para a fama tudo vale.
Pisam-se nobres sentimentos, conceitos antes enraízados.
A ambição do poder ultrapassa tudo e todos.
É o estar sem estar. O ser sem ser.
Agir, cansa! Porque não ter tudo feito?
Pensar?! Desperdício inútil, que se ganha?
Falar?! Já há palavras chave, repetidas e repetitivas.
O diálogo é o umbigo de cada um.
O amor, esse, existe verbalmente, mas há muito que se chama desamor.
Mas haja esperança!
Não dizem que é a última a morrer?!...
Pois é! A vida continua.
sábado, setembro 11, 2004
Alerta "IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMOVEIS" IMI
A quem interessar:
ALERTA “IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMÓVEIS”
REPASSE sem parar
(Informação de Interesse Público, só para PORTUGAL)
Relativamente ao IMI (IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMÓVEIS), chama-se a atenção que nas Cadernetas Prediais consta geralmente a área do Prédio na sua totalidade (Superfície Coberta) e o Fisco na sua nova avaliação e segundo SIMULAÇÃO disponível na Internet através do site abaixo, prevê o cálculo do novo Valor Patrimonial do Imóvel, baseado também na área da Prédio.
No caso de prédio urbano em Propriedade horizontal, dividido em fracções se a área não for a correspondente à fracção o contribuinte pagará o IMI sobre a área total do prédio, que é a que normalmente consta nas Cadernetas Prediais, e não sobre a área da fracção que seria correcto.
Exemplo:
Se o prédio tiver por andar 2 fracções, a Caderneta tem averbado a área do andar todo. O imposto a pagar será o dobro do devido, pois a área é a Global, quando deverá ser só a área de cada fracção.
Há que verificar e/ou rectificar a área das fracções, através da Escritura de Constituição
da Propriedade Horizontal junto das Conservatórias respectivas.
http://www.e-financas.gov.pt/de/mainDgci.html
Do lado Direito em NOTÍCIAS
Escolhe NOVIDADES, em seguida clica-se em ZONAMENTO
(Este serviço foi criado para consulta dos seguintes coeficientes de avaliação de prédios urbanos previstos no Código do IMI e aprovados pela Portaria n.º 982/2004, de 4 de Agosto, da Ministra das Finanças)
REPASSE
(Informação obtida no blog //paparocadoce.weblog.com.pt em 9 do corrente)
ALERTA “IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMÓVEIS”
REPASSE sem parar
(Informação de Interesse Público, só para PORTUGAL)
Relativamente ao IMI (IMPOSTO MUNICIPAL SOBRE IMÓVEIS), chama-se a atenção que nas Cadernetas Prediais consta geralmente a área do Prédio na sua totalidade (Superfície Coberta) e o Fisco na sua nova avaliação e segundo SIMULAÇÃO disponível na Internet através do site abaixo, prevê o cálculo do novo Valor Patrimonial do Imóvel, baseado também na área da Prédio.
No caso de prédio urbano em Propriedade horizontal, dividido em fracções se a área não for a correspondente à fracção o contribuinte pagará o IMI sobre a área total do prédio, que é a que normalmente consta nas Cadernetas Prediais, e não sobre a área da fracção que seria correcto.
Exemplo:
Se o prédio tiver por andar 2 fracções, a Caderneta tem averbado a área do andar todo. O imposto a pagar será o dobro do devido, pois a área é a Global, quando deverá ser só a área de cada fracção.
Há que verificar e/ou rectificar a área das fracções, através da Escritura de Constituição
da Propriedade Horizontal junto das Conservatórias respectivas.
http://www.e-financas.gov.pt/de/mainDgci.html
Do lado Direito em NOTÍCIAS
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(Este serviço foi criado para consulta dos seguintes coeficientes de avaliação de prédios urbanos previstos no Código do IMI e aprovados pela Portaria n.º 982/2004, de 4 de Agosto, da Ministra das Finanças)
REPASSE
(Informação obtida no blog //paparocadoce.weblog.com.pt em 9 do corrente)
sexta-feira, setembro 10, 2004
Manhã de Março em Sanxenxo
Acordei sobre uma das baías de Sanxenxo.
Que calmaria, que sossego, que paz!
Um mar calmo, sereno, com transparências de azul, onde nem o leve marulhar do desfazer ondulante do vai-vem da água na areia clara, nem o diálogo entre as gaivotas que, atrevidas, por vezes passavam sobre a minha cabeça, perturbava o silêncio que se sentia no ar.
Uma manhã solarenga, soprando um vento fresquinho do Norte.
Tudo era silêncio, levemente perturbado pelo tilintar do bater da corda no mastro, sem bandeira, dos nadadores-salvadores. Ainda não é época balnear!...
E as ilhas e os montes que rodeiam essa baía, com as casas penduradas sobre ela, os rochedos que parecem invadi-la, os barcos à vela que ao longe se vêem navegando, tudo faz parte desse contexto silencioso e instigador de calmaria.
Recostei-me numa cadeira a disfrutar esta maravilha e deliciando-me a pensar em coisa alguma.
Aparências!, porque se pensa sempre em algo, sempre há pensamentos vagos que vêm e vão, sem neles se meditar, sem termos interesse em desenvolvê-los, em aprofundá-los, em tomar decisões...
Bendita sensação de Paz!...
Começam, de onde a onde, a chegar passoas para as suas caminhadas na areia, à beira-mar, outras com os seus cães, outras correndo, brincando, fazendo exercício, enfim, aproveitando o sol da manhã.
Também elas procuram algo...
Algo diferente! ... Imagino eu...
Quem sabe!...
Que calmaria, que sossego, que paz!
Um mar calmo, sereno, com transparências de azul, onde nem o leve marulhar do desfazer ondulante do vai-vem da água na areia clara, nem o diálogo entre as gaivotas que, atrevidas, por vezes passavam sobre a minha cabeça, perturbava o silêncio que se sentia no ar.
Uma manhã solarenga, soprando um vento fresquinho do Norte.
Tudo era silêncio, levemente perturbado pelo tilintar do bater da corda no mastro, sem bandeira, dos nadadores-salvadores. Ainda não é época balnear!...
E as ilhas e os montes que rodeiam essa baía, com as casas penduradas sobre ela, os rochedos que parecem invadi-la, os barcos à vela que ao longe se vêem navegando, tudo faz parte desse contexto silencioso e instigador de calmaria.
Recostei-me numa cadeira a disfrutar esta maravilha e deliciando-me a pensar em coisa alguma.
Aparências!, porque se pensa sempre em algo, sempre há pensamentos vagos que vêm e vão, sem neles se meditar, sem termos interesse em desenvolvê-los, em aprofundá-los, em tomar decisões...
Bendita sensação de Paz!...
Começam, de onde a onde, a chegar passoas para as suas caminhadas na areia, à beira-mar, outras com os seus cães, outras correndo, brincando, fazendo exercício, enfim, aproveitando o sol da manhã.
Também elas procuram algo...
Algo diferente! ... Imagino eu...
Quem sabe!...
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