quarta-feira, janeiro 12, 2005

Por Ti Caminhante

Distribuo
Sem custo
Beijos
Meigos
Beijinhos
Carinhos
Ao caminhante que passa
Rogando
Implorando
Companhia
Gota de alegria
Em palavra transformada
Abro
Enlaço
Emoções
Corações
Sofridos
Sentidos
Esfomeados dum abraço
Me quedo
Com medo
Da quietude
(in)solicitude
Prevendo
Padecendo
Amarguras de ti, caminhante
Corro
Absorvo
Ilusões
Perdições
Cansadas
De vidas planas
Transformando
Me tornando
Sorrisos de serenidade

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Homem

Tu, louco, cego, acorda de vez!
Olha ao teu redor
O que vês?
A Natureza em sofrimento
Tudo aquilo que te deram
Te confiaram
De belo para cuidares
Destruído, alterado
Por tua ambição contaminado
Os filhos que geraste
Em lentas dores padecendo

Acorda, Homem, e vê!
Florestas destruídas
Dizimadas
Em clareiras de nadas
Como queres respirar?
Azuis mares poluídos
E os rios, revoltados
Onde o peixe não abunda
A terra donde nasceste
Seca, estéril, entristecida
Químicos que lhe puzeste
Já não floresce
Como outrora, lembras-te?

Vê, Homem, o sol a rodopiar
A lua mudando de lugar
Olha a desertificação da Terra
Que causaste
Insano tu provocaste
Ambicionando o poder
Fomentando rixas e guerra
Em gentes a ti iguais
As experiências nucleares
Fragmentando os ares
Que inalas mais e mais

Indignados estão os ventos
Em tempestades
Calamidades
Transformados
Pela tua ambição, inclemência
Triste demência
Homem, grita alto e diz
Do fundo do coração
Chega! Basta! Não!

sexta-feira, janeiro 07, 2005

O Trema

A conversa corria animada
Em temas vários fluindo
Palavras indo e vindo
Amizade iniciada

Voavam letras, sorrisos
Trocando conhecimentos
Leves, inocentes momentos
Movendo teclas e risos

Estrangeirismos deslizando
Certa altura, qual espanto
E para meu desencanto
O trema desaparecera voando

Louca, insana, investiguei
As teclas, os botões, as traves
Será que fora p’rós Algarves
P’rás férias que não lhe dei?

Encontrada a solução
Em breve foi esquecido
Por um “E” substituído.
Me dizem de lá, então:

“À janela batem, espera!”
“Com o frio Inverno de fora,
Corre, não descuides a demora
Abre a porta à Primavera.”

Quase desligando, saindo
Escrevem rápido, na hora
O teu trema chegou agora!
Um sonoro riso emitindo.


(À Ana, pela simpatia irradiada)

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Em Tempo...

Procuro a beleza, a candura
Palavras doces, a ternura
Entre os brancos espaços

Ávida percorro silêncios
Interiores profundos, imensos
Vogando em gotas d’água

Desbravo as letras do tempo
Correndo, pausando, a contento
De sóis brilhantes, luzentes

Desenho imaginações
Teço mantos de canções
Nuas nos ventos passados

Exploro árvores invernosas
De folhas caducas, chorosas
Buscando a luz dos abraços

Sigo trilhos e caminhos
Feitos de escolhos e ninhos
Encobrindo minha mágoa

Diviso rectas, espirais
Geometrias planas, iguais
Sentimentos condizentes

Olho para além do espelho
Que encontro, se só vejo
Vendas em olhos cerrados

Queria espalhar nos ares
O imenso amor dos mares
Que trago dentro de mim

Queria emitir serenidade
Paz doce, tranquilidade
No infinito sem fim

terça-feira, janeiro 04, 2005

Estádios

Desaparecida
Sumida
Entre os cantares de Inverno
Olhando
E não vendo
O desfolhar florido bem perto

Sem perturbações
Retomando a alegria
Apanágio do seu dia
Indagando
Procurando
Alcançáveis estádios azuis nos ares

Serenamente
Sem espanto
Turvas águas e orvalhares se indo
Partindo...
Ficando
Ave nua em brancas penugens
Timidamente treinando
Esvoaçares

E sorrindo...

domingo, janeiro 02, 2005

Cristal

Sensibilidade é uma rosa de cristal
Pura, fina, transparente
Seu canto é a semente
Que espalha pelos prados
Amanheceres orvalhados
Conscientes isoladores do Mal

Flor de leves mantos vestida
Transparências da Vida
Ilusória, frágil, protecção
Sonoridade transportada na mão
Do Homem que se faz forte
Abandonado à sua sorte

À brisa, ao Sol, estremecendo
Iniciadas fissuras contendo
Em pétalas esmaecida
Luz que trazes a Vida
A Paz, a tranquilidade
Caminhos serenos, a Verdade

O sorriso vive em mim
Em mares azuis sem fim…

quinta-feira, dezembro 30, 2004

A Romaria

Gaiata e trigueira, encontrei a Alegria
Perguntei-lhe para onde ia
Vou para além, para a romaria
Bailar, cantar, dançar até ser dia
Hoje é noite longa de folia

Lá no meio da fanfarra, encontrei a Animação
Perguntei-lhe o que levava na mão
Grinaldas de flores, um coração
Saltitante, ansioso por entrar na confusão
Espalhando pétalas de amores

Roliça e bem nutrida, estava a Felicidade
Que levas no regaço? Falsidade?...
Transporto a pura beleza da verdade
Doces sorrisos de paz, a tranquilidade
Que isola, afasta as dores

Pequenita, disfarçada, lá ia a Esperança
Que fazes aí, criança?
Trago mares, ventos, de bonança
Estrelados céus azuis de confiança
Prá gente que não se cansa

Gorducho, olhar vivaz passeava o Amor
Também aqui, meu candor?
A romaria pertence ao meu pendor
Espalho voos, sonhos, irisados de dor
Musicalidades ternas ao meu redor



A todos os que por aqui passam ou passaram,
desejo um 2005 cheiínho de Paz e Alegria
e vos mando o meu sorriso amigo.
Sejam Felizes!

quarta-feira, dezembro 29, 2004

O Rio

Correndo anos e anos a fio
Tumultuosas águas dum rio
Evitando
Ultrapassando
Limos, lodos, escolhos
Derrubadas árvores interrompendo caminhos
Contemporizando
Aguentando
Marés inconstantes, turbulências
Desnudando mentiras, impaciências
Irritações
Reais efusões
Liberdades de voares permitidos
De ave planando nos ares dos sonhos
Matas desbravando
Subtilmente mostrando
Do rio o plácido leito delineado
Sua rota para a foz o mar encontrando
Tudo em vão
Só confusão
Prepotência, conveniente cegueira da mente
Esfusiante, desdizente, seguindo em frente…
Com serenidade
O lema: a verdade
Criando novas, frágeis penas arrancadas
Fortalecendo, treinando asas cortadas
Rasantes voares
Passados olhares
Arriscando subir às estrelas, ao azul céu
Percorrendo serras e vales lá do alto
Mirando o voluntarioso rio que se perdeu

terça-feira, dezembro 28, 2004

Olhos

Olhos são Paz, são conforto
São o carinho do rosto
A alegria dos sentidos
Olhos que trago comigo
Olhos profundos, doridos
Preocupados, inconstantes
Que buscam cada instante
O desbravar inclemente
Do que há pra além da mente
Olhos meigos, sonhadores
Luminosos e distantes
Perdidos na cor das serras
Que animam e alegram
Sempre que eles regressam
Para o pão que dá as terras
Olhos frios, indiferentes
Calculistas, dementes
Elaborando equações
Na busca de soluções
Do porquê o verde é verde
Olhos mortiços, cansados
Da vida e dos seus fardos
Triste miséria que arrastam
Olhos indagantes, curiosos
Interrogativos, misteriosos
Olhos de olhos distantes
Fenecendo à míngua, à sede
A loucura dos amantes
Olhos ternos, piedosos
Carinhentos, amorosos
Olhos dulcificantes
Olhos secos, orvalhados
Ondas de fumo deitados
Correntes de ilusões
Quentes, frias, paixões
Olhos de todas as cores
Irisados de fulgores
Olhos plácidos, serenos
Sorridentes e amenos
Seguindo a tranquilidade
A paz, a luz, a verdade

sábado, dezembro 25, 2004

A Viagem

Em sussurros tu dizes ao meu ouvido
Com ternura, doces palavras de enlevo
Querida, meu amor, fica comigo
Nada temas nem receies, eu te levo

Me afagas com doçura, me transportas
Loucas viagens pelo azul dos mares
Pelo deserto onde no Nilo as comportas
Se abrem lentamente para passares

Me abraças forte, seguro e confiante
Teus lábios meus olhos, cabelos afagam
Deslizando, afastando, num instante
Dúvidas, temores, que se apagam

Karnak as portas do Templo se abrindo
Jorros de Luz, de Paz, tranquilidade
De mãos dadas, murmuras, sorrindo
Vamos, amor meu, com serenidade

quinta-feira, dezembro 23, 2004

Lendo...

Lendo
Absorvo palavras lentamente
Que entendo
Fazem parte de mim
Plenamente
Letras de Amor sem fim

Possibilidade
Do voo pleno nos ares
Com verdade
Confiança
Ultrapassando sóis e mares
O infinito se alcança

Pensando
Nas forças da Natureza
Orientando
Rumos, rotas e trilhos
Serenidades na beleza
Luz, sorrisos, com mais brilhos

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Simplicidade

Com simplicidade te escrevo
Sentidas cartas de amor
Faço filmes, reinvento
Tudo para teu contento
Olvidando o pudor
Da concha em que me meto

Todo o dia em letras deslizo
Imaginando sonoridades
Partituras de sonatas
Notas perdidas, baratas
Que foram desperdiçadas
E aos Mestres eu bendigo

Os dias saem correndo
Seguindo águas e ares
Sóis brilhantes e luzentes
Poemas calmos, inclementes
Navegando pelos mares
Em frágil batel desfazendo

Teço rosas, lírios, em cetim
Treino asas, esvoaço
Bebo, saboreio, festividades
Ténues gotas em felicidades
Coisas que por ti faço
E enlaço mundos sem fim

Pinto doces deslizares
Em sonhos resplandescentes
Coso, ponteio, remendo
Letras, sorrisos, ao vento
Em serenidade vivendo
Luz amena de amares

sábado, dezembro 18, 2004

Mãos

Mãos serenas, caminhantes
Mãos fortes, dulcificantes
Percorrendo, descobrindo
Caminhos
Trilhos
Abrindo

Mãos estendidas, suplicantes
Mãos aguardando instantes
Da esmola da doçura
Da vida
Invivida
Em ternura

Mãos seguras, confortantes
Mãos alvas, brilhantes
Espalhando flocos de luz
Que lêem
Que sentem
O azul

Mãos rogantes, poderosas
Mãos transmutadas em rosas
Em pétalas se desflorando
Sumindo
Omitindo
Desdobrando

Mãos delicadas, elegantes
Mãos desenhando letras falantes
Em musicalidades, canções
De amor
De dor
Incompreensões

Mãos trémulas, impacientes
Mãos estimulantes das mentes
Imensidões estrelares
Marés
Em fés
De luares

Mãos verdejantes de prados
Mãos guitarras de fados
Acalmantes e gritantes
Em rotas
E notas
Instantes…

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Não

Não espero gratificações
Elogios, ou canções
Nem aparências de nadas
Muito mais do que alardas
Não procuro floreados
Nem versos inacabados
Nem tristes ou jocosos
Com sentimentos fogosos
Não sigo melancolias
Nem insanas folias
Ou mostras de cansaço
Nada disso eu abraço
Não tolero sentimentos
Desses perdidos nos ventos
Nem a inação que vejo
Que sinto e que prevejo
Como falsa, comovente
Da labuta insistente
Não indago o que não sentes
Se vejo, sinto que mentes
Não caminho a teu lado
Se te enches de enfado
E te perdes em dizeres
Para o vazio preencheres
Não te peço lealdade
Tão pouco fidelidade
Nem abraços ou ternura
Dizeres de pouca jura
E com tanto “não” me vou
O sorriso em mim ficou

Como Uma Marioneta

Sonhei com olhos amorfos parados
Entre gentes deslizantes
Olhos no palco fixantes
Como uma marioneta actuando
Sapateados
Uma criança abraçando
Ensinando
Batimentos cadenciados
Ela sorria, finalmente!

Despertar em cansaços intrigantes…

quarta-feira, dezembro 15, 2004

Ilusões

Ilusões são pássaros voando pelo infinito azul
Ilusões são penas pendentes, rodopiando, cadentes, em luz
Ilusões são asas pairando, arco-íris sonhando
São verdes, rubras, multicolores
São tranquilidade, inconstância, fulgores
Pensamentos se soltando leves na sua cadência
Corridios, fugitivos na demência

Ilusões são sonantes musicalidades
De notas planando nos ares
Ilusões é sinfonia aberta completa
Rígida em sonoridades, incerta
Ilusões são pétalas, rosas e laços
Rezas, orações, abraços
Livros inacabados, poemas modificados
Portas abertas da Natureza
Divagantes na doçura, na beleza

Ilusões são olhos vivos e doces
Ilusões são faces ternas de amores
Ilusões são mãos afagantes, carinhosas
São sorrisos, águas plácidas, amorosas
Pó de estrelas, brancos luares
Sussurros, confidencialidades
Verdejantes montanhas e vales
Tortuosos rios, serenidades

Ilusões são láminas de sóis brilhantes
Ilusões são amanheceres orvalhantes
Ilusões são ocasos negros, escaldantes
São a leveza das plumas, instantes
Rectas, traços, sombreados
Em geometrias equilibrados
São folhas caídas, flocos de neve
Nuvens fugazes de tudo o que é breve

segunda-feira, dezembro 13, 2004

O Bicho Homem

Vagueando como apraz
Sabor do momento, tanto faz
Sorrindo em declarações
Amores de instantes, ilusões
Intensidade vivida uma a uma
Perdição de letras em penumbra
Sexuais verbalidades
Intensas ou inverdades
Uma e outra foi passando
Alma devassa explorando
Se passados ou presentes
Não me interessa, entendes
És homem, percebo, não aceito
Não lhe chames preconceito
Mas sim o saber da vida
Que voa, corre, corrida
Ficando no ar pairando
Gotas de nadas pensando
Indecisões dum encanto
Silêncio que se faz pranto
Cartas que não escreves
Promessas que não deves
Nem podias
Nem devias
Cada segundo lutando
Racionalizando
A vida e seus desdizeres
Perdidos em belos prazeres
Com começo mas sem fim
Nem para ti nem para mim
Melancolia, fulgor
Encanto e dor, dor
Alimentando possibilidades
Lonjuras de tempo nos ares
Perdida em meditações
Desabafos, conclusões
Eu amo a serenidade
Acalmia, paz, verdade
Infidelidade abomino
No sorriso que domino

domingo, dezembro 12, 2004

Sem Título

Não consigo, não consigo…
Não há palavras nem letras
O nada trago comigo
Me isolo
Vão consolo

Amanheceres entre orvalhos salgados

sábado, dezembro 11, 2004

O Protesto

Mares de letras atentas observam
Desenhadas em listrados
Quadriculados
Brancos e azuis papeis
Questionando que destino lhes darei

A imaginação voa sem rumo, sem norte

Ondeantes histórias inacabadas
Em amenas brisas
Perdidas
Esperando uma aragem mais forte
Um transporte para a vida, despertadas

Sem rumo, sem norte paira a imaginação

A invasão dos papeis começou
Exigindo, protestando
Reclamando
Em gritos surdos, onde estou
Retira o manto pendente, haja organização

E a imaginação desliza, no éter plana

Serenamente em incolores esgares
Sorrindo
Rumos e norte não abrindo
Apatia de amorfos caminhares
Que nem o frio vento do Norte abana

quinta-feira, dezembro 09, 2004

Para quando se sentir só...

Peça ao céu um pouco de silêncio
e procure conversar com a noite.
Faça de cada ilusão uma promessa,
e pense que o que passou, passou.


Lá fora o ar pode estar pesado,
mas o desejo de seguir, de lutar, de amar,
é maior. Então liberte-se dos preconceitos
e saia por aí. Vá passear, ironize essa amargura
e faça dela uma sombra fértil de amor.

Não sinta receio de nada;
a vida é assim, tudo é um eterno recomeço...

Sempre existe um amanhã de saída,
que pode ser feito de boas aventuras.

Olhe-se no espelho e sorria, e coloque nesse
sorriso tudo de bom que você tem para dar,
as coisas que viu, ouviu, adorou e amou...
Afirme-se em um só pensamento de que seus
desejos sempre serão de alguma maneira
realizados; tudo é natural, tudo de
bom parte de dentro de você.


E lembre-se que em algum lugar existe
alguém que lembra de você, que sente saudades,
e te ama, e isso é muito bom.

Vibre com a lua,
mas contra a tempestade.
Fique feliz por ainda saber sorrir...
Vá! Levante a cabeça, coloque no rosto uma
expressão feliz, tudo vai lhe parecer mais fácil.
Notou?
Abra a janela e preste atenção
nos pássaros brancos
que voam no céu...

Tudo é paz, naturalidade e franqueza.
Por que esta melancolia? Lembre-se de um sonho, de
alguém que está sempre ao seu lado,
mesmo estando longe de você
e sinta como não é difícil ser feliz.


(enviado por Ruca www.rucasplace.blogs.sapo.pt)
Obrigado Ruca