Jura-se pela cegueira
Sendo essa a primeira
Que sai de almas caladas
Jura-se pelos filhos a saúde
Pelo desamor que a miúde
A cada momento passa
Jura-se pelo raio ardente
Caindo na cabeça demente
De quem a jura abraça
Jura-se no altar perante Deus
Eterno amor, olhos nos céus
Respeito e fidelidade
Jura-se em surdina até
Em rezas que a mofina vê
Quando se jura mais alto
Jura-se não dê um passo mais
E outros dizeres que tais
São juras que eu não canto
Jura-se a torto e a direito
Por orgulho por despeito
De descobertas passadas
Jura-se em actos de amor
Ou em confrontos de dor
Tempestade ou calmaria
Jura-se tanto, mas tanto
Que a jura perdeu encanto
E tornou-se romaria
quarta-feira, março 30, 2005
domingo, março 27, 2005
Momentos
Jamais estava sozinha nos sítios onde passava
ou no silêncio da casa. Sabia-se acompanhada por
sentimentos alegres, decisões que tomava..
A surpresa raramente à porta batia, pois previa
o esvoaçar de asas que se aproximavam: o movimento
impaciente do colibri; o piar tímido do pardal
depenicando a relva do quintal; o rugido do leão
chegando com olhar de falcão tentando apanhar sua
presa incauta; a ânsia da pequena lebre que corria
pelos bosques encantados da vida; as borboletas, as
flores que chegavam vestidas das cores do arco-íris
ou da negritude da noite.
Um sorriso os esperava, uma ruga preocupada,
transmutada em carinho.
Eram momentos plenos sentidos e as folhas mortas ou
secas que caíam ou tropeçavam, transformavam-se em
flores de verde garrido, em aves planando na doçura
da brisa.
A Natureza vive
Revive
Transmuta
Se muda
Na doçura
Candura
Do abraço
Num laço
Sereno
Ameno
Dum sorriso
Amigo
ou no silêncio da casa. Sabia-se acompanhada por
sentimentos alegres, decisões que tomava..
A surpresa raramente à porta batia, pois previa
o esvoaçar de asas que se aproximavam: o movimento
impaciente do colibri; o piar tímido do pardal
depenicando a relva do quintal; o rugido do leão
chegando com olhar de falcão tentando apanhar sua
presa incauta; a ânsia da pequena lebre que corria
pelos bosques encantados da vida; as borboletas, as
flores que chegavam vestidas das cores do arco-íris
ou da negritude da noite.
Um sorriso os esperava, uma ruga preocupada,
transmutada em carinho.
Eram momentos plenos sentidos e as folhas mortas ou
secas que caíam ou tropeçavam, transformavam-se em
flores de verde garrido, em aves planando na doçura
da brisa.
A Natureza vive
Revive
Transmuta
Se muda
Na doçura
Candura
Do abraço
Num laço
Sereno
Ameno
Dum sorriso
Amigo
quinta-feira, março 24, 2005
Viração
Voam horas, soa o tempo
O mar s’agita de flores
Brancas, diáfanas
O raio de fogo aclareia
O crepúsculo das dores
Na noite que tu enlaças
Gira a lua, o sol s’esconde
Orgulhoso do seu manto
Tecido de rubras pétalas
Que caem, vão desflorando
Caminhos onde tu passas
As Sílfides correm enquanto
As Musas buscam seu canto
O mar s’agita de flores
Brancas, diáfanas
O raio de fogo aclareia
O crepúsculo das dores
Na noite que tu enlaças
Gira a lua, o sol s’esconde
Orgulhoso do seu manto
Tecido de rubras pétalas
Que caem, vão desflorando
Caminhos onde tu passas
As Sílfides correm enquanto
As Musas buscam seu canto
quarta-feira, março 23, 2005
Cidade do Porto (Origens)
Esta bela cidade, cujas origens remontam a uma antiguidade
de 4 ou 5 mil anos, debruça-se sobre o Rio Douro e é beijada
pelo Atlântico.
Nasceu nos morros da proximidade da Sé.
No século IV, durante a ocupação romana e devido à Pax Romana,
foi construída uma estrada que ligava Lisboa a Braga.
No seu trajecto, esta via passava pelo curso terminal do Rio
Douro e, para norte dele, o primeiro troço vial correria pelo
vale do Rio da Vila (ribeiro hoje encanado) desde cerca da Sé,
até ao seu desaguadouro na zona da Ribeira, tornando-se este
o local priviligiado para a fixação romana.
Aparece, então, a palavra Cale (estação), comum a ambas as margens,
designando os pontos, um a norte outro a sul, do Rio Douro, onde
se faziam o embarque e desembarque de viajantes e mercadorias
em trânsito.
Portus (portorium) era um antigo imposto de travessia, cobrado
na Cale.
Daí o aparecimento de Portucale que viria a ser só a povoação da
margem direita do Douro, núcleo da futura cidade do Porto.
Uma das mais antigas cidades do País, berço do Infante D. Henrique
e de muitas ilustres personalidades, desempenhou sempre um papel
importante ao longo da nossa História.
de 4 ou 5 mil anos, debruça-se sobre o Rio Douro e é beijada
pelo Atlântico.
Nasceu nos morros da proximidade da Sé.
No século IV, durante a ocupação romana e devido à Pax Romana,
foi construída uma estrada que ligava Lisboa a Braga.
No seu trajecto, esta via passava pelo curso terminal do Rio
Douro e, para norte dele, o primeiro troço vial correria pelo
vale do Rio da Vila (ribeiro hoje encanado) desde cerca da Sé,
até ao seu desaguadouro na zona da Ribeira, tornando-se este
o local priviligiado para a fixação romana.
Aparece, então, a palavra Cale (estação), comum a ambas as margens,
designando os pontos, um a norte outro a sul, do Rio Douro, onde
se faziam o embarque e desembarque de viajantes e mercadorias
em trânsito.
Portus (portorium) era um antigo imposto de travessia, cobrado
na Cale.
Daí o aparecimento de Portucale que viria a ser só a povoação da
margem direita do Douro, núcleo da futura cidade do Porto.
Uma das mais antigas cidades do País, berço do Infante D. Henrique
e de muitas ilustres personalidades, desempenhou sempre um papel
importante ao longo da nossa História.
segunda-feira, março 21, 2005
Sem Meta...
Se vejo o que me dizem
não ouço o que me mostram
Se apalpo o que me falam
eu calo o que me sentem
Se ando estou parada
não consigo evitar
Se penso fico a nadar
só na primeira palavra
Se emudeço eu não sinto
Se sonho não vejo nada
São sonhos de encantada?!
Verdade? Será que minto?
Uma coisa é bem certa
em letras eu me desfaço
sorrisos eu dou, abraço
serenidades sem meta
carinhos afago...
não ouço o que me mostram
Se apalpo o que me falam
eu calo o que me sentem
Se ando estou parada
não consigo evitar
Se penso fico a nadar
só na primeira palavra
Se emudeço eu não sinto
Se sonho não vejo nada
São sonhos de encantada?!
Verdade? Será que minto?
Uma coisa é bem certa
em letras eu me desfaço
sorrisos eu dou, abraço
serenidades sem meta
carinhos afago...
quinta-feira, março 17, 2005
Entre os Anéis da Lua
Passos, compassos, espaços
Areais e matagais
Instâncias, constâncias, distâncias
Entre os anéis da Lua
Rosas formosas, ditosas
Abrindo, florindo, sorrindo
Braços seguem abraços
Flores em verdes prados
Ternura, doçura, candura
Avistada, ansiada, alcançada
Luz de luz que seduz
Entre as plumas dos mares
Espanto, canto, decanto
Águas sem mágoas
Corro, percorro, discorro
Serenidades…
Areais e matagais
Instâncias, constâncias, distâncias
Entre os anéis da Lua
Rosas formosas, ditosas
Abrindo, florindo, sorrindo
Braços seguem abraços
Flores em verdes prados
Ternura, doçura, candura
Avistada, ansiada, alcançada
Luz de luz que seduz
Entre as plumas dos mares
Espanto, canto, decanto
Águas sem mágoas
Corro, percorro, discorro
Serenidades…
terça-feira, março 15, 2005
Da Luz Que Se Esvazia...
Da luz que se esvazia coisas vultos
um espaço opaco todavia fica
em que a memória em vão procura abrir-se
a imagens de lembranças: rostos, sexos, pernas,
e o delicado recurvar dos ombros
ou de perfis. Não se recorda nunca,
ou se não sonha do que foi antigo
e ardente em nosso corpo, se não há
outros rostos depois e os mesmos gestos.
Não de passado se alimenta o vivo
quadro acendido em sonhos e lembranças,
mas o passado se renova em cores
com de que as formas repetidas sejam.
E quando esse halo opaco de vazio
a pouco e pouco nos rodeia a vida,
nem o lembrar nos resta, e os sonhos não se entregam:
crepuscular a luz obscurece tudo.
(Poema de Jorge de Sena)
um espaço opaco todavia fica
em que a memória em vão procura abrir-se
a imagens de lembranças: rostos, sexos, pernas,
e o delicado recurvar dos ombros
ou de perfis. Não se recorda nunca,
ou se não sonha do que foi antigo
e ardente em nosso corpo, se não há
outros rostos depois e os mesmos gestos.
Não de passado se alimenta o vivo
quadro acendido em sonhos e lembranças,
mas o passado se renova em cores
com de que as formas repetidas sejam.
E quando esse halo opaco de vazio
a pouco e pouco nos rodeia a vida,
nem o lembrar nos resta, e os sonhos não se entregam:
crepuscular a luz obscurece tudo.
(Poema de Jorge de Sena)
segunda-feira, março 14, 2005
Seguindo o Mote
Quando me sento
para um sonho teu colher
serenidade bebo
de memórias, de amares
ternas brisas dos ares
doces letras quedo a ler.
Das profundezas do mar
dou-te as flores minhas
p'ra teu canto embalar
poemas
ou temas
luz que tens que tinhas.
Seguindo o mote, meu amigo,
um poema simples deslizou
em brandas letras abertas
e certas
Em candura voando
o oceano cruzando
te deixo
um beijo
a serenidade do meu sorriso
E assim, me vou.
para um sonho teu colher
serenidade bebo
de memórias, de amares
ternas brisas dos ares
doces letras quedo a ler.
Das profundezas do mar
dou-te as flores minhas
p'ra teu canto embalar
poemas
ou temas
luz que tens que tinhas.
Seguindo o mote, meu amigo,
um poema simples deslizou
em brandas letras abertas
e certas
Em candura voando
o oceano cruzando
te deixo
um beijo
a serenidade do meu sorriso
E assim, me vou.
sábado, março 12, 2005
Tempos
Ontem me soube
Hoje me sei
Amanhã serei
Talvez
Folhas de nada
Ontem me brilhei
Hoje me brilho
Amanhã brilharei
Sabe quem?
Pedra rocha apagada
Ontem me li
Hoje me leio
Amanhã lerei
Ou não
Asas de vento segadas
Ontem me ouvi
Hoje me ouço
Amanhã ouvirei
De vez
Silentes horas paradas
Agora sigo
Meu sereno sorriso
Hoje me sei
Amanhã serei
Talvez
Folhas de nada
Ontem me brilhei
Hoje me brilho
Amanhã brilharei
Sabe quem?
Pedra rocha apagada
Ontem me li
Hoje me leio
Amanhã lerei
Ou não
Asas de vento segadas
Ontem me ouvi
Hoje me ouço
Amanhã ouvirei
De vez
Silentes horas paradas
Agora sigo
Meu sereno sorriso
sexta-feira, março 11, 2005
Flor de Cambraia
Nasceu uma flor de cambraia nas belas terras do Norte e de fina
seda foi vestida, pela vida, nos idos tempos d’outrora.
Aprendeu canto, piano, o bordado e o francês daquela época; flor
que foi desabrochando entre as belas a mais formosa.
Encontrou seu grande amor entre pomares, milheirais, teatros,
récitas e cantos para fins beneficentes, gente carente que ajudava
e confortava com sua presença constante.
Percursos de cartas, notinhas escritas no papel que havia à mão,
ternos olhares, encontros furtivos nos muros da quintinha, entre
a alegria das desfolhadas procurando o milho-rei e cantando ao
desafio.
Amor que a família da bela flor não aprovava.
Desafiando espessas tempestades, mares revoltos, pontes suspensas
em escolhos de distâncias, tudo venceu.
A pequena flor de cambraia, tornada na seda mais pura, alimentando
o brilho intenso profundo dos anéis da lua, das folhas do sol, foste
tu, assim viveste em candura, minha Mãe.
seda foi vestida, pela vida, nos idos tempos d’outrora.
Aprendeu canto, piano, o bordado e o francês daquela época; flor
que foi desabrochando entre as belas a mais formosa.
Encontrou seu grande amor entre pomares, milheirais, teatros,
récitas e cantos para fins beneficentes, gente carente que ajudava
e confortava com sua presença constante.
Percursos de cartas, notinhas escritas no papel que havia à mão,
ternos olhares, encontros furtivos nos muros da quintinha, entre
a alegria das desfolhadas procurando o milho-rei e cantando ao
desafio.
Amor que a família da bela flor não aprovava.
Desafiando espessas tempestades, mares revoltos, pontes suspensas
em escolhos de distâncias, tudo venceu.
A pequena flor de cambraia, tornada na seda mais pura, alimentando
o brilho intenso profundo dos anéis da lua, das folhas do sol, foste
tu, assim viveste em candura, minha Mãe.
quarta-feira, março 09, 2005
O Silêncio das Horas
É um silêncio que invade
Em silêncio intenso profundo
Mais denso que mundos do mundo
Procurando com ansiedade
Um grito de vento liberdade
De medos plantados fundo
São horas de horas eternas
Correndo lentas e apenas
Em breves minutos passam
Sufocando os gritos do peito
Pensamentos sentires desejo
Dores em morte abraçam
É um rio de pérolas fluente
É um mar negro de gente
De sombras véus e mantos
Voando na hora silente
Abandono cru de encantos
Tempo de silêncios brancos
É a voz que ao longe murmura
Silêncios de horas em amargura
Desilusões que o não são
São horas paradas de ternura
Abrigando a chave na mão
Brilhante de amor sedução
O mel do amor sentindo
O silêncio das horas abrindo
Em silêncio intenso profundo
Mais denso que mundos do mundo
Procurando com ansiedade
Um grito de vento liberdade
De medos plantados fundo
São horas de horas eternas
Correndo lentas e apenas
Em breves minutos passam
Sufocando os gritos do peito
Pensamentos sentires desejo
Dores em morte abraçam
É um rio de pérolas fluente
É um mar negro de gente
De sombras véus e mantos
Voando na hora silente
Abandono cru de encantos
Tempo de silêncios brancos
É a voz que ao longe murmura
Silêncios de horas em amargura
Desilusões que o não são
São horas paradas de ternura
Abrigando a chave na mão
Brilhante de amor sedução
O mel do amor sentindo
O silêncio das horas abrindo
segunda-feira, março 07, 2005
Espelhando...
Páginas e páginas escrevi
Cadernos ou folhas dispersas
Frases, letras, voantes, certas
Em nós a Beleza antevi.
Algumas curtas ou difusas
Palavras que usas, não usas
Em rectas
Concretas
Outras seguem transversais
Desdobrando luz d’espirais
Momentos doces em nós
Sento, me quedo sem voz
Leio, releio, modifico
Nas entrelinhas me fico
Procurando
E achando
Frases soltas nos ares
Colorindo divagares
São sonhos, são ilusões de areia
Nuvens d’orvalho, canto de sereia
Palavras que digo, disse, não disse
Todavia em mim sempre sentiste
A candura de acalmias
A minha serenidade
Com sofreguidão bebias
Ó crua tempestade
Olhando no tempo a palavra, a frase
Um terno sorriso me espelha a face
Cadernos ou folhas dispersas
Frases, letras, voantes, certas
Em nós a Beleza antevi.
Algumas curtas ou difusas
Palavras que usas, não usas
Em rectas
Concretas
Outras seguem transversais
Desdobrando luz d’espirais
Momentos doces em nós
Sento, me quedo sem voz
Leio, releio, modifico
Nas entrelinhas me fico
Procurando
E achando
Frases soltas nos ares
Colorindo divagares
São sonhos, são ilusões de areia
Nuvens d’orvalho, canto de sereia
Palavras que digo, disse, não disse
Todavia em mim sempre sentiste
A candura de acalmias
A minha serenidade
Com sofreguidão bebias
Ó crua tempestade
Olhando no tempo a palavra, a frase
Um terno sorriso me espelha a face
quarta-feira, março 02, 2005
Nesta Aurora de Março
Despertou uma manhã cinzenta e gélida neste início de Março.
Olho através duma tímida frincha da janela que abro.
Pensamentos dolentes me atravessam como raios que afasto ou tento.
Não vejo o mar que se escondeu por entre as árvores, do outro lado,
no encanto do parque da cidade.
Por esta frincha que abri, entram árvores semi-nuas, despontando
flores brancas, rubras; entram colorações de verdes intensos perenes,
o branco de paredes distantes, o cinza denso do céu, descolorante do
azul nesta aurora de Março.
Todavia, com carinho sorrio recebendo os bons-dias dos chilreantes
passarinhos, das rolas bravas, rouxinóis em cantante melodia,
iluminando minha mente num dia que cinzento parecia.
Quando um dia eu fenecer
deitada em pétalas de rosas
não tragam flores formosas
Tragam a beleza dum sorriso
raios de sol, um doce abrigo
d’ amores, o mais sentido
Tragam a luz, a claridade
dos azuis; a côr, serenidade
da música, para me oferecer
Olho através duma tímida frincha da janela que abro.
Pensamentos dolentes me atravessam como raios que afasto ou tento.
Não vejo o mar que se escondeu por entre as árvores, do outro lado,
no encanto do parque da cidade.
Por esta frincha que abri, entram árvores semi-nuas, despontando
flores brancas, rubras; entram colorações de verdes intensos perenes,
o branco de paredes distantes, o cinza denso do céu, descolorante do
azul nesta aurora de Março.
Todavia, com carinho sorrio recebendo os bons-dias dos chilreantes
passarinhos, das rolas bravas, rouxinóis em cantante melodia,
iluminando minha mente num dia que cinzento parecia.
Quando um dia eu fenecer
deitada em pétalas de rosas
não tragam flores formosas
Tragam a beleza dum sorriso
raios de sol, um doce abrigo
d’ amores, o mais sentido
Tragam a luz, a claridade
dos azuis; a côr, serenidade
da música, para me oferecer
sábado, fevereiro 26, 2005
Telhados de Vidro
Esta cidade Invicta, antiga,
de existência milenar
onde me recolho na vida
que do Norte foi trazida,
repousa em beleza ímpar
Recordo o verde do Minho distante,
suas casas solarengas, brasonadas,
milheirais, vinhedos, da gente
simples, activa, sorridente,
dos espigueiros, castelos, muralhas.
É nesta Invicta que vivo, vendo
telhados de vidro, estilhaços de vento
de existência milenar
onde me recolho na vida
que do Norte foi trazida,
repousa em beleza ímpar
Recordo o verde do Minho distante,
suas casas solarengas, brasonadas,
milheirais, vinhedos, da gente
simples, activa, sorridente,
dos espigueiros, castelos, muralhas.
É nesta Invicta que vivo, vendo
telhados de vidro, estilhaços de vento
sexta-feira, fevereiro 25, 2005
Heresia...
Se água é purificação
Então grito renasci
Em águas do coração
Pecados não cometi
E me apago
Desfaço
Em orvalhos espessos constantes
Torturas prolongadas instantes
De negros com negros trajados
Não mereci
Abandonos profundos vendo
Qual moinho ou catavento
Rodando sozinho
Sem velas, brisas ou vento
Bátegas de chuva louca, cega, densas
Que não regam as tormentas
Da secura do caminho
Olhando confiante o firmamento
Acesa a luz da fé conservando
Tantas vezes esmorecendo
Se apagando
A reacendo
De mente
Nua
Na chuva
Densa
Então grito renasci
Em águas do coração
Pecados não cometi
E me apago
Desfaço
Em orvalhos espessos constantes
Torturas prolongadas instantes
De negros com negros trajados
Não mereci
Abandonos profundos vendo
Qual moinho ou catavento
Rodando sozinho
Sem velas, brisas ou vento
Bátegas de chuva louca, cega, densas
Que não regam as tormentas
Da secura do caminho
Olhando confiante o firmamento
Acesa a luz da fé conservando
Tantas vezes esmorecendo
Se apagando
A reacendo
De mente
Nua
Na chuva
Densa
quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Na areia grossa
Não sei se era noite, se dia. Não me recordo. A mente não me dizia, correndo o tempo.
Indicaram-me uma casa antiga como sendo um templo.
Entrei num átrio sem nada, de paredes altas e, à minha frente, deparava-se uma alta escadaria que subi, sem cansaço.
De novo um pequeno hall nu, uma semi-obscuridade, que tinha como ornamento uma singela mesa e uma cadeira onde te sentavas tranjando tons escuros.
Ninguém saiu nem entrou, não vi janelas nem portas e, como num passe de magia, desapareceste.
Procurei-te por todo o lado percorrendo salas de nada. Minhas botas afundando em areias grossas mas segui, sempre, em frente. Cruzei portas, atravessei um postigo em busca das vozes que ouvia distantes. Um casal tagarela e sorridente, em sentido inverso ao meu, passou o postigo, sem me ver, tal era a cumplicidade entre os dois.
Regressei, sem qualquer temor, envolta na mesma serenidade desde que naquela casa entrei.
Mas…sempre que dava um passo, as minhas botas afundavam…na areia grossa.
Dos sonhos e seus mistérios
Coração descompassado
Saltando
São segundos infindos
No éter voando
Parábolas da Mente…
Indicaram-me uma casa antiga como sendo um templo.
Entrei num átrio sem nada, de paredes altas e, à minha frente, deparava-se uma alta escadaria que subi, sem cansaço.
De novo um pequeno hall nu, uma semi-obscuridade, que tinha como ornamento uma singela mesa e uma cadeira onde te sentavas tranjando tons escuros.
Ninguém saiu nem entrou, não vi janelas nem portas e, como num passe de magia, desapareceste.
Procurei-te por todo o lado percorrendo salas de nada. Minhas botas afundando em areias grossas mas segui, sempre, em frente. Cruzei portas, atravessei um postigo em busca das vozes que ouvia distantes. Um casal tagarela e sorridente, em sentido inverso ao meu, passou o postigo, sem me ver, tal era a cumplicidade entre os dois.
Regressei, sem qualquer temor, envolta na mesma serenidade desde que naquela casa entrei.
Mas…sempre que dava um passo, as minhas botas afundavam…na areia grossa.
Dos sonhos e seus mistérios
Coração descompassado
Saltando
São segundos infindos
No éter voando
Parábolas da Mente…
sábado, fevereiro 19, 2005
A Festa
De rubro as unhas pintei
Sapatos altos calcei
Para a cerimónia que havia
Lá, onde a noite era fria
Vesti trajes lindos, luzentes
Tudo e nada condizentes
Comigo. Estampei a alegria
No porte para as gentes
Que (des)conhecia
Impávida e serena seguindo
Entre os brilhos, as presenças,
Socializando, sorrindo,
Noite fora dançando
Braços e braços enlaçando
Rodopiando aparências.
Dizeres, olhares,
Desejos d’amares
Quando passava, sentindo…
Onde andavas, amor distante,
Não me largando um instante
E de saudades vestido
Dias, noites, horas a fio
Por ti, em ti, esperando…
Sapatos altos calcei
Para a cerimónia que havia
Lá, onde a noite era fria
Vesti trajes lindos, luzentes
Tudo e nada condizentes
Comigo. Estampei a alegria
No porte para as gentes
Que (des)conhecia
Impávida e serena seguindo
Entre os brilhos, as presenças,
Socializando, sorrindo,
Noite fora dançando
Braços e braços enlaçando
Rodopiando aparências.
Dizeres, olhares,
Desejos d’amares
Quando passava, sentindo…
Onde andavas, amor distante,
Não me largando um instante
E de saudades vestido
Dias, noites, horas a fio
Por ti, em ti, esperando…
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Poeta
A noite pertence ao alto poeta
Divagando, ilusão discreta
Faz os leitores sonhar
Percorrendo os caminhos
Acompanhado ou sozinho
Com um sorriso p’ra dar
Seus amores são imensos
Desde o A até ao Zê
E querem saber porquê?
Vendo a forma de cada letra
A cor, o som, a beleza
Que cada emite ao desenhar.
Umas lembram pradarias
Outras, mares, nostalgias
Ventos, também luares
Desertos, oásis incertos
Sóis, brilhos, estrelares
Universos coloridos
Nuvens, doces abrigos
Melancolias d’estares
Silêncios d’amena música
Encontros de véus e túnica
Maviosos deslizares
Tudo serve, tudo é vida
Tudo morre ou intriga
Tudo passa a fenecer
Ou em luz a renascer
Para correr, parar, não ver
Ouvir ou emudecer
Pensar ou só amar
Ouvindo música a pairar
No silêncio ou na distância
Tanto faz, tudo é poesia
Entre ânsias e acalmias
Falar do poeta p’ra quê
Se a vida é o que lê
Cada qual em seu mirar
Aquilo que sente agora
Em segundos, sem demora
Torna-se fumo no ar
O poeta é um belo pensador
Do faminto, sedento leitor
Poeta, eu te bendigo
Por existires, amigo
Na música que trazes contigo
Divagando, ilusão discreta
Faz os leitores sonhar
Percorrendo os caminhos
Acompanhado ou sozinho
Com um sorriso p’ra dar
Seus amores são imensos
Desde o A até ao Zê
E querem saber porquê?
Vendo a forma de cada letra
A cor, o som, a beleza
Que cada emite ao desenhar.
Umas lembram pradarias
Outras, mares, nostalgias
Ventos, também luares
Desertos, oásis incertos
Sóis, brilhos, estrelares
Universos coloridos
Nuvens, doces abrigos
Melancolias d’estares
Silêncios d’amena música
Encontros de véus e túnica
Maviosos deslizares
Tudo serve, tudo é vida
Tudo morre ou intriga
Tudo passa a fenecer
Ou em luz a renascer
Para correr, parar, não ver
Ouvir ou emudecer
Pensar ou só amar
Ouvindo música a pairar
No silêncio ou na distância
Tanto faz, tudo é poesia
Entre ânsias e acalmias
Falar do poeta p’ra quê
Se a vida é o que lê
Cada qual em seu mirar
Aquilo que sente agora
Em segundos, sem demora
Torna-se fumo no ar
O poeta é um belo pensador
Do faminto, sedento leitor
Poeta, eu te bendigo
Por existires, amigo
Na música que trazes contigo
sábado, fevereiro 12, 2005
Eu Sei...
Eu sei que o azul é mais intenso
Nesse mar longo, imenso
Desfazendo-se em espuma
Nas areias brancas das dunas
Eu sei que os prados extensos
Na sua maciez verdejante
Lembra a seda brilhante
Transformada em finos véus
Eu sei que flores do campo despontam
Tímidas e suas pinturas mostram
Alegrando as bermas da estrada
Viajante, onde tu passas
Eu sei que as noites dos poetas
Luzem mais, estão despertas
Em dourados estrelares
E da lua os seus mares
Eu sei que o mundo vive suspenso
Da palavra e do ondear do vento
Que anseia paz, serenidade
Para o Homem, a Humanidade
Mas quem sou eu, se o que sei
Não transforma anseios em Lei?
Nesse mar longo, imenso
Desfazendo-se em espuma
Nas areias brancas das dunas
Eu sei que os prados extensos
Na sua maciez verdejante
Lembra a seda brilhante
Transformada em finos véus
Eu sei que flores do campo despontam
Tímidas e suas pinturas mostram
Alegrando as bermas da estrada
Viajante, onde tu passas
Eu sei que as noites dos poetas
Luzem mais, estão despertas
Em dourados estrelares
E da lua os seus mares
Eu sei que o mundo vive suspenso
Da palavra e do ondear do vento
Que anseia paz, serenidade
Para o Homem, a Humanidade
Mas quem sou eu, se o que sei
Não transforma anseios em Lei?
domingo, fevereiro 06, 2005
O Concreto
Desce a noite no concreto
Com manto de denso véu
Faces mostrando esgares
No asfalto
E na calçada
Batem céleres calcanhares
Sombras de frágeis árvores
Sobranceria d’outrora
Sem o breu
Que o concreto alaga
De porta em porta
Agora
Num cantinho da sacada
Ouvem-se murmúrios surdos
Gente que está parada
Escutando mudos
No concreto
Que sobe, trepa aos céus
Com manto de denso véu
Faces mostrando esgares
No asfalto
E na calçada
Batem céleres calcanhares
Sombras de frágeis árvores
Sobranceria d’outrora
Sem o breu
Que o concreto alaga
De porta em porta
Agora
Num cantinho da sacada
Ouvem-se murmúrios surdos
Gente que está parada
Escutando mudos
No concreto
Que sobe, trepa aos céus
Subscrever:
Mensagens (Atom)