sábado, maio 14, 2005

Quem diria!...

Rosa em pétalas sentada
Esta noite adormeci
Me quedei silenciada
Na espuma alvoroçada
Do mar que em ti vi

Célere voou o pensamento
Enleio dum abraço sentido
Protecção um doce abrigo
Palavras sorrindo ternura
Nos instantes no momento
Pleno vivências candura

Foram horas foi um dia
Enlaçados num segundo
Laço que não deslaço
Deslize terno pr’o mundo
Teu Sorriso feito abraço
Quem diria!...

terça-feira, maio 10, 2005

sonho-canção

Pudesse dizer meu amor
Meu carinho pão-de-mel
Ternura querido fulgor
Doçura azul meu farol
Dançando sorrir cantar
Toadas ternas m’embalar
No aconchego da luz e paz

Pudesse eu t’ofertar
As cores do arco-íris
Alvas imaculadas
Puras
Verdes rubras
Laranja cobalto em matiz
D’ouro e prata pinceladas
Em marfim

O cosmos refulgente ser
Estrelas sóis luas um astro
Lonjuras eternas correr
Para te oferecer um afago

Ser águia lince serpente
Sáurio peixe golfinho
Átomo molécula insecto
Só somente
Parte de ti num carinho

Pudesse ser o mar a natureza
Estável serenidade luz brilhante
Mas sou rocha que não quebra
Sou traço linha que não verga
Coração forte que não bate
Que omite olvidando apaga
A vida tudo se pudesse…


(alterações a um poema de Set. 2004)

quarta-feira, maio 04, 2005

Poema verde

Se fosse o poema verde
O verde do teu espanto
Me vestiria d’encanto
E te daria… te daria
Uma branca pradaria
Numa asa azul fulgente

Se fosse o poema verde
O verde dos desejos teus
Rubro véu me cobriria
E voaria… voaria
Em ramos de sóis nos seus
Laços de brilho ardente

Se fosse o poema verde
O verde que esperas tanto
A Aurora o entardecer teu
Seria… oh se seria
O beijo a pele o manto
A doce essência
O fruto em flor meu

sexta-feira, abril 29, 2005

Grinaldas

Grinaldas são
Chocolates doces
Que se abrem no caminho
Ternura de amores
Trilho em amplidão
Que se desdobra sozinho

Coroas de flores belas
Maviosas singelas
Seda veludo tecidas
Aves plumas esbatidas
Na solidão e contudo
É um enlace desnudo

São pétalas de rosas
Etéreos voares
Essências deleitosas
O silêncio cantante
Luz a cada instante
Formas d’amares

É alegria é saudade
Amor puro a verdade
Plenitude de dar
Voando pela palavra
Da ternura adorada
É partir e voltar

quarta-feira, abril 27, 2005

Poema desconexo

Vagueio num mar de letras
Poema sem ligação
Horas batidas no tempo
Que mais não são
Um denso momento

Rosa-dos-ventos girando sem vento

Vejo movimentos atados
Laços de escuridão
O negro encanecendo
Sinfonia sem mãos
Poesia estremecendo

Nuvens toando cavalos alados

É um poema desconexo
Na selva das folhas
Tombadas incerto
Ténue sopro d’areia
No sal do deserto

Poesia de pólos amorfos sem meias

terça-feira, abril 26, 2005

Verde sol

Dizem que o sol é brilhante
Quando canta a tua canção
Ondulante

Dizem que as searas se transformam
Em mares d’oiro alquímico ao luar
Nas tuas mãos

Dizem que o peregrino estrelar
Ave sedenta de sons coloridos
Deslizantes

Te seguem
Percorrem
Se vestem
Desnudam
Transmutam
Atentos cantam
O canto
Que
Queres

Dizem… verde sol somente

terça-feira, abril 19, 2005

Fios de Letras

Entre as verdes letras tento
Insegura uns passos dar
Vendo sentindo sabendo
Das letras o seu dançar

Com meiguice se desdobram
E se dobram
Lançando flores em laços
E cantam encanto de mim
Suavidade sem fim
Transformadas em abraços

Ténues fios em suspensão
Translúcidos transparentes
E deslizo
Bailando em letras pendentes
São momentos em que não
Existe abrigo

No silêncio me quedo assim
Em ternura
Na candura
Serenidade de mim
E me sento
O canto das letras contemplo

Em doces pétalas enlaçada
A porta entreaberta olho
E escolho
A simplicidade encontrada
Das cores puras delicadas
Os fios de letras abandono
Sem mágoa sem dolo
E sigo abrindo
Flores por poetas cantadas
Num azul sonho
Sorrindo

domingo, abril 17, 2005

CORRENTE DE LITERATURA

Tendo sido apanhada nesta corrente literária, agradeço
as amáveis palavras que me dedicaram os blogs:

www.outravoz.blogspot.com
www.conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt

Assim passo a responder às perguntas:

P: Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro
gostarias de ser?

R: Todos e nenhum. Todo o tipo de literatura me encanta

P: Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem
de ficção?

R: Vivo qualquer tipo de livro. Apanhadinha, não.

P: Qual foi o último livro que compraste?

R: “Memória das minhas putas tristes” de Gabriel Garcia
Marquez

P: Qual o último livro que leste?

R: “Os amores de Safo” de Erica Jong e
“The Kitchen God’s Wife” de Amy Tan
“O mistério do jogo das paciências” de Jostein Gaarder

P: Que livros estás a ler?

R: “A obscena senhora D” de Hilda Hilst
“Encontro com o Mestre” de Mestre DeRose
“Ilusões” de Richard Bach
Diversos livros de poesia

P: Que livros (5) levarias para uma ilha?

R: “Ulisses” de James Joyce
“O sentimento de si” de António Damásio
“A Selva” de Ferreira de Castro
“O Império” de Gore Vidal
“O sangue de Cristo e o Santo Graal” de Michael Baigent,
Richard Leigh e Henry Lincoln (para reler)

P: A quem vais passar esta cadeia (3) e porquê?

R: Ao Fernando B. do blog: www.lusomerlin.blogspot.com

Ao José Gomes do blog: www.movimentum.blogs.sapo.pt

Ao Bené do blog: www.oapanhadordesonhos.blogspot.com

Motivos especiais não tenho, a não ser que são bons e queridos
amigos que espero aceitem o desafio.

A todos(as) os outros(as) Amigos(as) que muito prezo e admiro
um cantinho muito especial está guardado em mim.

sexta-feira, abril 15, 2005

Anatomia

São olhos, são mirantes
misteriosos, indagantes
os passos que aqui passam

São braços longos, envolventes
tentáculos nus, inconscientes
os olhos que me enlaçam

São mãos finas, delicadas
afagantes, espantadas
os braços que caem pendentes

São pés que correm sinuosos
ziguezagueantes, tortuosos
as mãos tacteantes, frementes

São corpos, peles, amantes
de outros que por instantes
os pés levam em correria

São eternas mentes
que leve desmentes
É Anatomia!

domingo, abril 10, 2005

São Olhos...

Teus olhos, amor, teus olhos
Na noite fria, na densa escuridão
Têm a dureza do aço mais não são
Que pedras negras, opacas, então

Teus olhos, amor, teus olhos
Pelo entardecer quando o sol se deita
São terra castanha, a areia que enfeita
Paisagem dormente em que se deleita

Teus olhos, amor, teus olhos
Na claridade fogosa intensa do dia
Ardem verdes matizes da pradaria
São ventos sibilantes em correria

Teus olhos, amor, teus olhos
Na tímida luz da aurora despontando
É barco à deriva de azul mar tentando
Inalar laços pontes no sufoco do canto

Os olhos, amor, os olhos
Que passam nos tempos serenos
Cândidos ternos alegres amenos
Condoídos piedosos são eternos

sexta-feira, abril 08, 2005

Brilhos

Conversando baixo, baixinho
Seguindo murmúrios, carinho
Pela leveza do éter voei
Seguindo rubros trilhos incauta
Beleza luzente de quem canta
Subtis promessas, amei

Da Aurora cantante me vesti
Com serena alegria me cobri
Foram só instantes, momentos
Percurso que o sonho dormente
A razão despertou inclemente
Me quedei em águas, tormentos

Vejo a porta entreaberta
De luz, em luz encoberta
Sinto o sol da lua musical
A flor aberta fremente
Rubras pétalas, ardente
Areias densas finas de sal

Mas no tudo eu sou nada
Nem pão, água ou espada
Nem pó, godo ou trilho
Trajo somente o sorriso
Doce, ameno, no brilho
Da ave nua, terno abrigo

terça-feira, abril 05, 2005

Fazei-vos à barca...

Fazei-vos à barca, senhores
Enquanto as águas são paradas

O cais se apinha de povo
De todos os credos e cores
Para ver que há de novo
Com o apelo da barca

Chegam ricos, chegam pobres
Carregando suas sortes.
Vêm os novos e idosos
Carentes e curiosos
Há mãos que oiro abraçam
Ombros pesando desgraça
Rostos em cor luminosos
Pés dolentes que s’arrastam

Fazei-vos à barca, senhores,
Enquanto a noite se fez dia
Trazei os vossos amores
A desesperança que porfia
Teceduras cruas da vida

Fazei-vos à barca, senhores…


Poema in "Transparência de Ser"

sábado, abril 02, 2005

Silêncio dos Sons

São vozes que falam caladas
Subindo encostas escarpadas
Qual gaivota verde no mar
São raios rubros de flores
Espelhantes
Em estilhaços de amores

São sons densos musicais
Que transformo p’ra que tais
Vozes falem baixinho
Em sussurrros
Ternos doces carinhos
Vagueando pelos ares

São sons de silêncio cantantes
Entre as brumas distantes
Num entardecer, na aurora
Na ténue luz que fez dia
E não previa
Ternos cantares d’instantes

São silêncios coloridos
Refúgios, lares, abrigos
Vozes longínquas de quem
Pleno d’amor vem
Completar o silêncio dos sons
Em laços pontes amigos

Pelo silêncio dos sons vagueio
Premeio
Sentidos

quarta-feira, março 30, 2005

A Jura

Jura-se pela cegueira
Sendo essa a primeira
Que sai de almas caladas

Jura-se pelos filhos a saúde
Pelo desamor que a miúde
A cada momento passa

Jura-se pelo raio ardente
Caindo na cabeça demente
De quem a jura abraça

Jura-se no altar perante Deus
Eterno amor, olhos nos céus
Respeito e fidelidade

Jura-se em surdina até
Em rezas que a mofina vê
Quando se jura mais alto

Jura-se não dê um passo mais
E outros dizeres que tais
São juras que eu não canto

Jura-se a torto e a direito
Por orgulho por despeito
De descobertas passadas

Jura-se em actos de amor
Ou em confrontos de dor
Tempestade ou calmaria

Jura-se tanto, mas tanto
Que a jura perdeu encanto
E tornou-se romaria

domingo, março 27, 2005

Momentos

Jamais estava sozinha nos sítios onde passava
ou no silêncio da casa. Sabia-se acompanhada por
sentimentos alegres, decisões que tomava..
A surpresa raramente à porta batia, pois previa
o esvoaçar de asas que se aproximavam: o movimento
impaciente do colibri; o piar tímido do pardal
depenicando a relva do quintal; o rugido do leão
chegando com olhar de falcão tentando apanhar sua
presa incauta; a ânsia da pequena lebre que corria
pelos bosques encantados da vida; as borboletas, as
flores que chegavam vestidas das cores do arco-íris
ou da negritude da noite.
Um sorriso os esperava, uma ruga preocupada,
transmutada em carinho.
Eram momentos plenos sentidos e as folhas mortas ou
secas que caíam ou tropeçavam, transformavam-se em
flores de verde garrido, em aves planando na doçura
da brisa.


A Natureza vive
Revive
Transmuta
Se muda
Na doçura
Candura
Do abraço
Num laço
Sereno
Ameno
Dum sorriso
Amigo

quinta-feira, março 24, 2005

Viração

Voam horas, soa o tempo
O mar s’agita de flores
Brancas, diáfanas
O raio de fogo aclareia
O crepúsculo das dores
Na noite que tu enlaças

Gira a lua, o sol s’esconde
Orgulhoso do seu manto
Tecido de rubras pétalas
Que caem, vão desflorando
Caminhos onde tu passas

As Sílfides correm enquanto
As Musas buscam seu canto

quarta-feira, março 23, 2005

Cidade do Porto (Origens)

Esta bela cidade, cujas origens remontam a uma antiguidade
de 4 ou 5 mil anos, debruça-se sobre o Rio Douro e é beijada
pelo Atlântico.

Nasceu nos morros da proximidade da Sé.
No século IV, durante a ocupação romana e devido à Pax Romana,
foi construída uma estrada que ligava Lisboa a Braga.
No seu trajecto, esta via passava pelo curso terminal do Rio
Douro e, para norte dele, o primeiro troço vial correria pelo
vale do Rio da Vila (ribeiro hoje encanado) desde cerca da Sé,
até ao seu desaguadouro na zona da Ribeira, tornando-se este
o local priviligiado para a fixação romana.

Aparece, então, a palavra Cale (estação), comum a ambas as margens,
designando os pontos, um a norte outro a sul, do Rio Douro, onde
se faziam o embarque e desembarque de viajantes e mercadorias
em trânsito.

Portus (portorium) era um antigo imposto de travessia, cobrado
na Cale.
Daí o aparecimento de Portucale que viria a ser só a povoação da
margem direita do Douro, núcleo da futura cidade do Porto.

Uma das mais antigas cidades do País, berço do Infante D. Henrique
e de muitas ilustres personalidades, desempenhou sempre um papel
importante ao longo da nossa História.

segunda-feira, março 21, 2005

Sem Meta...

Se vejo o que me dizem
não ouço o que me mostram
Se apalpo o que me falam
eu calo o que me sentem

Se ando estou parada
não consigo evitar
Se penso fico a nadar
só na primeira palavra

Se emudeço eu não sinto
Se sonho não vejo nada
São sonhos de encantada?!
Verdade? Será que minto?

Uma coisa é bem certa
em letras eu me desfaço
sorrisos eu dou, abraço
serenidades sem meta
carinhos afago...

quinta-feira, março 17, 2005

Entre os Anéis da Lua

Passos, compassos, espaços
Areais e matagais
Instâncias, constâncias, distâncias
Entre os anéis da Lua

Rosas formosas, ditosas
Abrindo, florindo, sorrindo
Braços seguem abraços
Flores em verdes prados

Ternura, doçura, candura
Avistada, ansiada, alcançada
Luz de luz que seduz
Entre as plumas dos mares

Espanto, canto, decanto
Águas sem mágoas
Corro, percorro, discorro
Serenidades…

terça-feira, março 15, 2005

Da Luz Que Se Esvazia...

Da luz que se esvazia coisas vultos
um espaço opaco todavia fica
em que a memória em vão procura abrir-se
a imagens de lembranças: rostos, sexos, pernas,
e o delicado recurvar dos ombros
ou de perfis. Não se recorda nunca,
ou se não sonha do que foi antigo
e ardente em nosso corpo, se não há
outros rostos depois e os mesmos gestos.
Não de passado se alimenta o vivo
quadro acendido em sonhos e lembranças,
mas o passado se renova em cores
com de que as formas repetidas sejam.
E quando esse halo opaco de vazio
a pouco e pouco nos rodeia a vida,
nem o lembrar nos resta, e os sonhos não se entregam:
crepuscular a luz obscurece tudo.

(Poema de Jorge de Sena)