As casas vieram de noite
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir
Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios
As casas fluem de noite
sob a maré dos rios
São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas
Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas
(Poema de LUIZA NETO JORGE)
domingo, maio 22, 2005
sábado, maio 21, 2005
O Tempo da Lua
O tempo da lua é o tempo do labirinto
De tudo o que sei e sinto,
Espaço estreito e apertado
Entre a imensidão de um outro espaço
compassado.
O tempo da lua é o tempo da terra,
da água,
da roda e do ventre
um tempo repetido, persistente
um tempo gota-a-gota
grão-a-grão,
tempo-fio tecido em trama
e ilusão.
O tempo da lua é o tempo da loba
Do uivo e do medo, da presa e da toca
Luz branca coada num imenso céu
Desenhando letras sobre um fundo breu.
(Poema de MARIA TERESA MEIRELES)
De tudo o que sei e sinto,
Espaço estreito e apertado
Entre a imensidão de um outro espaço
compassado.
O tempo da lua é o tempo da terra,
da água,
da roda e do ventre
um tempo repetido, persistente
um tempo gota-a-gota
grão-a-grão,
tempo-fio tecido em trama
e ilusão.
O tempo da lua é o tempo da loba
Do uivo e do medo, da presa e da toca
Luz branca coada num imenso céu
Desenhando letras sobre um fundo breu.
(Poema de MARIA TERESA MEIRELES)
quinta-feira, maio 19, 2005
Silêncio das Horas
Um silêncio que invade
Silêncio intenso profundo
Mais denso que mundos do Mundo
Procurando com ansiedade um grito
De vento de liberdade
Medos plantados fundo
São horas de horas eternas
Correndo lentas e apenas
Em breves minutos passam
Sufoco de gritos no peito
Pensares sentires desejo
Dores de morte abraçam
Um rio de pérolas fluente
Um mar negro de gente
Sombras véus e de mantos
Voando na hora silente
Abandono cru de encantos
Tempo de silêncios brancos
Horas paradas de ternura
Abrigo da chave na mão
Brilhando amor sedução
É a voz que ao longe murmura
Silêncio de horas amargura
Desilusões que o não são
Silêncio intenso profundo
Mais denso que mundos do Mundo
Procurando com ansiedade um grito
De vento de liberdade
Medos plantados fundo
São horas de horas eternas
Correndo lentas e apenas
Em breves minutos passam
Sufoco de gritos no peito
Pensares sentires desejo
Dores de morte abraçam
Um rio de pérolas fluente
Um mar negro de gente
Sombras véus e de mantos
Voando na hora silente
Abandono cru de encantos
Tempo de silêncios brancos
Horas paradas de ternura
Abrigo da chave na mão
Brilhando amor sedução
É a voz que ao longe murmura
Silêncio de horas amargura
Desilusões que o não são
terça-feira, maio 17, 2005
Ímpeto solar
Bebo-te em palavras rubras
Desejo de morango em gelatina
E estremeço e me deixo
Saborear qual loba faminta
Bebo-te em letras escaldantes
Fulgor de banana-pão e de jaca
Na fritura no ardor
Que me queima torra e assa
Bebo-te em tons de risos
Anseio de framboesa em mel
Dobro desdobro me enleio
Com doçuras e sibilos
Bebo-te num ímpeto solar
Te degusto em tinto vinho
E te uso e te abuso
Entre a ementa e o manjar
Desejo de morango em gelatina
E estremeço e me deixo
Saborear qual loba faminta
Bebo-te em letras escaldantes
Fulgor de banana-pão e de jaca
Na fritura no ardor
Que me queima torra e assa
Bebo-te em tons de risos
Anseio de framboesa em mel
Dobro desdobro me enleio
Com doçuras e sibilos
Bebo-te num ímpeto solar
Te degusto em tinto vinho
E te uso e te abuso
Entre a ementa e o manjar
sábado, maio 14, 2005
Quem diria!...
Rosa em pétalas sentada
Esta noite adormeci
Me quedei silenciada
Na espuma alvoroçada
Do mar que em ti vi
Célere voou o pensamento
Enleio dum abraço sentido
Protecção um doce abrigo
Palavras sorrindo ternura
Nos instantes no momento
Pleno vivências candura
Foram horas foi um dia
Enlaçados num segundo
Laço que não deslaço
Deslize terno pr’o mundo
Teu Sorriso feito abraço
Quem diria!...
Esta noite adormeci
Me quedei silenciada
Na espuma alvoroçada
Do mar que em ti vi
Célere voou o pensamento
Enleio dum abraço sentido
Protecção um doce abrigo
Palavras sorrindo ternura
Nos instantes no momento
Pleno vivências candura
Foram horas foi um dia
Enlaçados num segundo
Laço que não deslaço
Deslize terno pr’o mundo
Teu Sorriso feito abraço
Quem diria!...
terça-feira, maio 10, 2005
sonho-canção
Pudesse dizer meu amor
Meu carinho pão-de-mel
Ternura querido fulgor
Doçura azul meu farol
Dançando sorrir cantar
Toadas ternas m’embalar
No aconchego da luz e paz
Pudesse eu t’ofertar
As cores do arco-íris
Alvas imaculadas
Puras
Verdes rubras
Laranja cobalto em matiz
D’ouro e prata pinceladas
Em marfim
O cosmos refulgente ser
Estrelas sóis luas um astro
Lonjuras eternas correr
Para te oferecer um afago
Ser águia lince serpente
Sáurio peixe golfinho
Átomo molécula insecto
Só somente
Parte de ti num carinho
Pudesse ser o mar a natureza
Estável serenidade luz brilhante
Mas sou rocha que não quebra
Sou traço linha que não verga
Coração forte que não bate
Que omite olvidando apaga
A vida tudo se pudesse…
(alterações a um poema de Set. 2004)
Meu carinho pão-de-mel
Ternura querido fulgor
Doçura azul meu farol
Dançando sorrir cantar
Toadas ternas m’embalar
No aconchego da luz e paz
Pudesse eu t’ofertar
As cores do arco-íris
Alvas imaculadas
Puras
Verdes rubras
Laranja cobalto em matiz
D’ouro e prata pinceladas
Em marfim
O cosmos refulgente ser
Estrelas sóis luas um astro
Lonjuras eternas correr
Para te oferecer um afago
Ser águia lince serpente
Sáurio peixe golfinho
Átomo molécula insecto
Só somente
Parte de ti num carinho
Pudesse ser o mar a natureza
Estável serenidade luz brilhante
Mas sou rocha que não quebra
Sou traço linha que não verga
Coração forte que não bate
Que omite olvidando apaga
A vida tudo se pudesse…
(alterações a um poema de Set. 2004)
quarta-feira, maio 04, 2005
Poema verde
Se fosse o poema verde
O verde do teu espanto
Me vestiria d’encanto
E te daria… te daria
Uma branca pradaria
Numa asa azul fulgente
Se fosse o poema verde
O verde dos desejos teus
Rubro véu me cobriria
E voaria… voaria
Em ramos de sóis nos seus
Laços de brilho ardente
Se fosse o poema verde
O verde que esperas tanto
A Aurora o entardecer teu
Seria… oh se seria
O beijo a pele o manto
A doce essência
O fruto em flor meu
O verde do teu espanto
Me vestiria d’encanto
E te daria… te daria
Uma branca pradaria
Numa asa azul fulgente
Se fosse o poema verde
O verde dos desejos teus
Rubro véu me cobriria
E voaria… voaria
Em ramos de sóis nos seus
Laços de brilho ardente
Se fosse o poema verde
O verde que esperas tanto
A Aurora o entardecer teu
Seria… oh se seria
O beijo a pele o manto
A doce essência
O fruto em flor meu
sexta-feira, abril 29, 2005
Grinaldas
Grinaldas são
Chocolates doces
Que se abrem no caminho
Ternura de amores
Trilho em amplidão
Que se desdobra sozinho
Coroas de flores belas
Maviosas singelas
Seda veludo tecidas
Aves plumas esbatidas
Na solidão e contudo
É um enlace desnudo
São pétalas de rosas
Etéreos voares
Essências deleitosas
O silêncio cantante
Luz a cada instante
Formas d’amares
É alegria é saudade
Amor puro a verdade
Plenitude de dar
Voando pela palavra
Da ternura adorada
É partir e voltar
Chocolates doces
Que se abrem no caminho
Ternura de amores
Trilho em amplidão
Que se desdobra sozinho
Coroas de flores belas
Maviosas singelas
Seda veludo tecidas
Aves plumas esbatidas
Na solidão e contudo
É um enlace desnudo
São pétalas de rosas
Etéreos voares
Essências deleitosas
O silêncio cantante
Luz a cada instante
Formas d’amares
É alegria é saudade
Amor puro a verdade
Plenitude de dar
Voando pela palavra
Da ternura adorada
É partir e voltar
quarta-feira, abril 27, 2005
Poema desconexo
Vagueio num mar de letras
Poema sem ligação
Horas batidas no tempo
Que mais não são
Um denso momento
Rosa-dos-ventos girando sem vento
Vejo movimentos atados
Laços de escuridão
O negro encanecendo
Sinfonia sem mãos
Poesia estremecendo
Nuvens toando cavalos alados
É um poema desconexo
Na selva das folhas
Tombadas incerto
Ténue sopro d’areia
No sal do deserto
Poesia de pólos amorfos sem meias
Poema sem ligação
Horas batidas no tempo
Que mais não são
Um denso momento
Rosa-dos-ventos girando sem vento
Vejo movimentos atados
Laços de escuridão
O negro encanecendo
Sinfonia sem mãos
Poesia estremecendo
Nuvens toando cavalos alados
É um poema desconexo
Na selva das folhas
Tombadas incerto
Ténue sopro d’areia
No sal do deserto
Poesia de pólos amorfos sem meias
terça-feira, abril 26, 2005
Verde sol
Dizem que o sol é brilhante
Quando canta a tua canção
Ondulante
Dizem que as searas se transformam
Em mares d’oiro alquímico ao luar
Nas tuas mãos
Dizem que o peregrino estrelar
Ave sedenta de sons coloridos
Deslizantes
Te seguem
Percorrem
Se vestem
Desnudam
Transmutam
Atentos cantam
O canto
Que
Queres
Dizem… verde sol somente
Quando canta a tua canção
Ondulante
Dizem que as searas se transformam
Em mares d’oiro alquímico ao luar
Nas tuas mãos
Dizem que o peregrino estrelar
Ave sedenta de sons coloridos
Deslizantes
Te seguem
Percorrem
Se vestem
Desnudam
Transmutam
Atentos cantam
O canto
Que
Queres
Dizem… verde sol somente
terça-feira, abril 19, 2005
Fios de Letras
Entre as verdes letras tento
Insegura uns passos dar
Vendo sentindo sabendo
Das letras o seu dançar
Com meiguice se desdobram
E se dobram
Lançando flores em laços
E cantam encanto de mim
Suavidade sem fim
Transformadas em abraços
Ténues fios em suspensão
Translúcidos transparentes
E deslizo
Bailando em letras pendentes
São momentos em que não
Existe abrigo
No silêncio me quedo assim
Em ternura
Na candura
Serenidade de mim
E me sento
O canto das letras contemplo
Em doces pétalas enlaçada
A porta entreaberta olho
E escolho
A simplicidade encontrada
Das cores puras delicadas
Os fios de letras abandono
Sem mágoa sem dolo
E sigo abrindo
Flores por poetas cantadas
Num azul sonho
Sorrindo
Insegura uns passos dar
Vendo sentindo sabendo
Das letras o seu dançar
Com meiguice se desdobram
E se dobram
Lançando flores em laços
E cantam encanto de mim
Suavidade sem fim
Transformadas em abraços
Ténues fios em suspensão
Translúcidos transparentes
E deslizo
Bailando em letras pendentes
São momentos em que não
Existe abrigo
No silêncio me quedo assim
Em ternura
Na candura
Serenidade de mim
E me sento
O canto das letras contemplo
Em doces pétalas enlaçada
A porta entreaberta olho
E escolho
A simplicidade encontrada
Das cores puras delicadas
Os fios de letras abandono
Sem mágoa sem dolo
E sigo abrindo
Flores por poetas cantadas
Num azul sonho
Sorrindo
domingo, abril 17, 2005
CORRENTE DE LITERATURA
Tendo sido apanhada nesta corrente literária, agradeço
as amáveis palavras que me dedicaram os blogs:
www.outravoz.blogspot.com
www.conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt
Assim passo a responder às perguntas:
P: Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro
gostarias de ser?
R: Todos e nenhum. Todo o tipo de literatura me encanta
P: Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem
de ficção?
R: Vivo qualquer tipo de livro. Apanhadinha, não.
P: Qual foi o último livro que compraste?
R: “Memória das minhas putas tristes” de Gabriel Garcia
Marquez
P: Qual o último livro que leste?
R: “Os amores de Safo” de Erica Jong e
“The Kitchen God’s Wife” de Amy Tan
“O mistério do jogo das paciências” de Jostein Gaarder
P: Que livros estás a ler?
R: “A obscena senhora D” de Hilda Hilst
“Encontro com o Mestre” de Mestre DeRose
“Ilusões” de Richard Bach
Diversos livros de poesia
P: Que livros (5) levarias para uma ilha?
R: “Ulisses” de James Joyce
“O sentimento de si” de António Damásio
“A Selva” de Ferreira de Castro
“O Império” de Gore Vidal
“O sangue de Cristo e o Santo Graal” de Michael Baigent,
Richard Leigh e Henry Lincoln (para reler)
P: A quem vais passar esta cadeia (3) e porquê?
R: Ao Fernando B. do blog: www.lusomerlin.blogspot.com
Ao José Gomes do blog: www.movimentum.blogs.sapo.pt
Ao Bené do blog: www.oapanhadordesonhos.blogspot.com
Motivos especiais não tenho, a não ser que são bons e queridos
amigos que espero aceitem o desafio.
A todos(as) os outros(as) Amigos(as) que muito prezo e admiro
um cantinho muito especial está guardado em mim.
as amáveis palavras que me dedicaram os blogs:
www.outravoz.blogspot.com
www.conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt
Assim passo a responder às perguntas:
P: Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro
gostarias de ser?
R: Todos e nenhum. Todo o tipo de literatura me encanta
P: Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem
de ficção?
R: Vivo qualquer tipo de livro. Apanhadinha, não.
P: Qual foi o último livro que compraste?
R: “Memória das minhas putas tristes” de Gabriel Garcia
Marquez
P: Qual o último livro que leste?
R: “Os amores de Safo” de Erica Jong e
“The Kitchen God’s Wife” de Amy Tan
“O mistério do jogo das paciências” de Jostein Gaarder
P: Que livros estás a ler?
R: “A obscena senhora D” de Hilda Hilst
“Encontro com o Mestre” de Mestre DeRose
“Ilusões” de Richard Bach
Diversos livros de poesia
P: Que livros (5) levarias para uma ilha?
R: “Ulisses” de James Joyce
“O sentimento de si” de António Damásio
“A Selva” de Ferreira de Castro
“O Império” de Gore Vidal
“O sangue de Cristo e o Santo Graal” de Michael Baigent,
Richard Leigh e Henry Lincoln (para reler)
P: A quem vais passar esta cadeia (3) e porquê?
R: Ao Fernando B. do blog: www.lusomerlin.blogspot.com
Ao José Gomes do blog: www.movimentum.blogs.sapo.pt
Ao Bené do blog: www.oapanhadordesonhos.blogspot.com
Motivos especiais não tenho, a não ser que são bons e queridos
amigos que espero aceitem o desafio.
A todos(as) os outros(as) Amigos(as) que muito prezo e admiro
um cantinho muito especial está guardado em mim.
sexta-feira, abril 15, 2005
Anatomia
São olhos, são mirantes
misteriosos, indagantes
os passos que aqui passam
São braços longos, envolventes
tentáculos nus, inconscientes
os olhos que me enlaçam
São mãos finas, delicadas
afagantes, espantadas
os braços que caem pendentes
São pés que correm sinuosos
ziguezagueantes, tortuosos
as mãos tacteantes, frementes
São corpos, peles, amantes
de outros que por instantes
os pés levam em correria
São eternas mentes
que leve desmentes
É Anatomia!
misteriosos, indagantes
os passos que aqui passam
São braços longos, envolventes
tentáculos nus, inconscientes
os olhos que me enlaçam
São mãos finas, delicadas
afagantes, espantadas
os braços que caem pendentes
São pés que correm sinuosos
ziguezagueantes, tortuosos
as mãos tacteantes, frementes
São corpos, peles, amantes
de outros que por instantes
os pés levam em correria
São eternas mentes
que leve desmentes
É Anatomia!
domingo, abril 10, 2005
São Olhos...
Teus olhos, amor, teus olhos
Na noite fria, na densa escuridão
Têm a dureza do aço mais não são
Que pedras negras, opacas, então
Teus olhos, amor, teus olhos
Pelo entardecer quando o sol se deita
São terra castanha, a areia que enfeita
Paisagem dormente em que se deleita
Teus olhos, amor, teus olhos
Na claridade fogosa intensa do dia
Ardem verdes matizes da pradaria
São ventos sibilantes em correria
Teus olhos, amor, teus olhos
Na tímida luz da aurora despontando
É barco à deriva de azul mar tentando
Inalar laços pontes no sufoco do canto
Os olhos, amor, os olhos
Que passam nos tempos serenos
Cândidos ternos alegres amenos
Condoídos piedosos são eternos
Na noite fria, na densa escuridão
Têm a dureza do aço mais não são
Que pedras negras, opacas, então
Teus olhos, amor, teus olhos
Pelo entardecer quando o sol se deita
São terra castanha, a areia que enfeita
Paisagem dormente em que se deleita
Teus olhos, amor, teus olhos
Na claridade fogosa intensa do dia
Ardem verdes matizes da pradaria
São ventos sibilantes em correria
Teus olhos, amor, teus olhos
Na tímida luz da aurora despontando
É barco à deriva de azul mar tentando
Inalar laços pontes no sufoco do canto
Os olhos, amor, os olhos
Que passam nos tempos serenos
Cândidos ternos alegres amenos
Condoídos piedosos são eternos
sexta-feira, abril 08, 2005
Brilhos
Conversando baixo, baixinho
Seguindo murmúrios, carinho
Pela leveza do éter voei
Seguindo rubros trilhos incauta
Beleza luzente de quem canta
Subtis promessas, amei
Da Aurora cantante me vesti
Com serena alegria me cobri
Foram só instantes, momentos
Percurso que o sonho dormente
A razão despertou inclemente
Me quedei em águas, tormentos
Vejo a porta entreaberta
De luz, em luz encoberta
Sinto o sol da lua musical
A flor aberta fremente
Rubras pétalas, ardente
Areias densas finas de sal
Mas no tudo eu sou nada
Nem pão, água ou espada
Nem pó, godo ou trilho
Trajo somente o sorriso
Doce, ameno, no brilho
Da ave nua, terno abrigo
Seguindo murmúrios, carinho
Pela leveza do éter voei
Seguindo rubros trilhos incauta
Beleza luzente de quem canta
Subtis promessas, amei
Da Aurora cantante me vesti
Com serena alegria me cobri
Foram só instantes, momentos
Percurso que o sonho dormente
A razão despertou inclemente
Me quedei em águas, tormentos
Vejo a porta entreaberta
De luz, em luz encoberta
Sinto o sol da lua musical
A flor aberta fremente
Rubras pétalas, ardente
Areias densas finas de sal
Mas no tudo eu sou nada
Nem pão, água ou espada
Nem pó, godo ou trilho
Trajo somente o sorriso
Doce, ameno, no brilho
Da ave nua, terno abrigo
terça-feira, abril 05, 2005
Fazei-vos à barca...
Fazei-vos à barca, senhores
Enquanto as águas são paradas
O cais se apinha de povo
De todos os credos e cores
Para ver que há de novo
Com o apelo da barca
Chegam ricos, chegam pobres
Carregando suas sortes.
Vêm os novos e idosos
Carentes e curiosos
Há mãos que oiro abraçam
Ombros pesando desgraça
Rostos em cor luminosos
Pés dolentes que s’arrastam
Fazei-vos à barca, senhores,
Enquanto a noite se fez dia
Trazei os vossos amores
A desesperança que porfia
Teceduras cruas da vida
Fazei-vos à barca, senhores…
Poema in "Transparência de Ser"
Enquanto as águas são paradas
O cais se apinha de povo
De todos os credos e cores
Para ver que há de novo
Com o apelo da barca
Chegam ricos, chegam pobres
Carregando suas sortes.
Vêm os novos e idosos
Carentes e curiosos
Há mãos que oiro abraçam
Ombros pesando desgraça
Rostos em cor luminosos
Pés dolentes que s’arrastam
Fazei-vos à barca, senhores,
Enquanto a noite se fez dia
Trazei os vossos amores
A desesperança que porfia
Teceduras cruas da vida
Fazei-vos à barca, senhores…
Poema in "Transparência de Ser"
sábado, abril 02, 2005
Silêncio dos Sons
São vozes que falam caladas
Subindo encostas escarpadas
Qual gaivota verde no mar
São raios rubros de flores
Espelhantes
Em estilhaços de amores
São sons densos musicais
Que transformo p’ra que tais
Vozes falem baixinho
Em sussurrros
Ternos doces carinhos
Vagueando pelos ares
São sons de silêncio cantantes
Entre as brumas distantes
Num entardecer, na aurora
Na ténue luz que fez dia
E não previa
Ternos cantares d’instantes
São silêncios coloridos
Refúgios, lares, abrigos
Vozes longínquas de quem
Pleno d’amor vem
Completar o silêncio dos sons
Em laços pontes amigos
Pelo silêncio dos sons vagueio
Premeio
Sentidos
Subindo encostas escarpadas
Qual gaivota verde no mar
São raios rubros de flores
Espelhantes
Em estilhaços de amores
São sons densos musicais
Que transformo p’ra que tais
Vozes falem baixinho
Em sussurrros
Ternos doces carinhos
Vagueando pelos ares
São sons de silêncio cantantes
Entre as brumas distantes
Num entardecer, na aurora
Na ténue luz que fez dia
E não previa
Ternos cantares d’instantes
São silêncios coloridos
Refúgios, lares, abrigos
Vozes longínquas de quem
Pleno d’amor vem
Completar o silêncio dos sons
Em laços pontes amigos
Pelo silêncio dos sons vagueio
Premeio
Sentidos
quarta-feira, março 30, 2005
A Jura
Jura-se pela cegueira
Sendo essa a primeira
Que sai de almas caladas
Jura-se pelos filhos a saúde
Pelo desamor que a miúde
A cada momento passa
Jura-se pelo raio ardente
Caindo na cabeça demente
De quem a jura abraça
Jura-se no altar perante Deus
Eterno amor, olhos nos céus
Respeito e fidelidade
Jura-se em surdina até
Em rezas que a mofina vê
Quando se jura mais alto
Jura-se não dê um passo mais
E outros dizeres que tais
São juras que eu não canto
Jura-se a torto e a direito
Por orgulho por despeito
De descobertas passadas
Jura-se em actos de amor
Ou em confrontos de dor
Tempestade ou calmaria
Jura-se tanto, mas tanto
Que a jura perdeu encanto
E tornou-se romaria
Sendo essa a primeira
Que sai de almas caladas
Jura-se pelos filhos a saúde
Pelo desamor que a miúde
A cada momento passa
Jura-se pelo raio ardente
Caindo na cabeça demente
De quem a jura abraça
Jura-se no altar perante Deus
Eterno amor, olhos nos céus
Respeito e fidelidade
Jura-se em surdina até
Em rezas que a mofina vê
Quando se jura mais alto
Jura-se não dê um passo mais
E outros dizeres que tais
São juras que eu não canto
Jura-se a torto e a direito
Por orgulho por despeito
De descobertas passadas
Jura-se em actos de amor
Ou em confrontos de dor
Tempestade ou calmaria
Jura-se tanto, mas tanto
Que a jura perdeu encanto
E tornou-se romaria
domingo, março 27, 2005
Momentos
Jamais estava sozinha nos sítios onde passava
ou no silêncio da casa. Sabia-se acompanhada por
sentimentos alegres, decisões que tomava..
A surpresa raramente à porta batia, pois previa
o esvoaçar de asas que se aproximavam: o movimento
impaciente do colibri; o piar tímido do pardal
depenicando a relva do quintal; o rugido do leão
chegando com olhar de falcão tentando apanhar sua
presa incauta; a ânsia da pequena lebre que corria
pelos bosques encantados da vida; as borboletas, as
flores que chegavam vestidas das cores do arco-íris
ou da negritude da noite.
Um sorriso os esperava, uma ruga preocupada,
transmutada em carinho.
Eram momentos plenos sentidos e as folhas mortas ou
secas que caíam ou tropeçavam, transformavam-se em
flores de verde garrido, em aves planando na doçura
da brisa.
A Natureza vive
Revive
Transmuta
Se muda
Na doçura
Candura
Do abraço
Num laço
Sereno
Ameno
Dum sorriso
Amigo
ou no silêncio da casa. Sabia-se acompanhada por
sentimentos alegres, decisões que tomava..
A surpresa raramente à porta batia, pois previa
o esvoaçar de asas que se aproximavam: o movimento
impaciente do colibri; o piar tímido do pardal
depenicando a relva do quintal; o rugido do leão
chegando com olhar de falcão tentando apanhar sua
presa incauta; a ânsia da pequena lebre que corria
pelos bosques encantados da vida; as borboletas, as
flores que chegavam vestidas das cores do arco-íris
ou da negritude da noite.
Um sorriso os esperava, uma ruga preocupada,
transmutada em carinho.
Eram momentos plenos sentidos e as folhas mortas ou
secas que caíam ou tropeçavam, transformavam-se em
flores de verde garrido, em aves planando na doçura
da brisa.
A Natureza vive
Revive
Transmuta
Se muda
Na doçura
Candura
Do abraço
Num laço
Sereno
Ameno
Dum sorriso
Amigo
quinta-feira, março 24, 2005
Viração
Voam horas, soa o tempo
O mar s’agita de flores
Brancas, diáfanas
O raio de fogo aclareia
O crepúsculo das dores
Na noite que tu enlaças
Gira a lua, o sol s’esconde
Orgulhoso do seu manto
Tecido de rubras pétalas
Que caem, vão desflorando
Caminhos onde tu passas
As Sílfides correm enquanto
As Musas buscam seu canto
O mar s’agita de flores
Brancas, diáfanas
O raio de fogo aclareia
O crepúsculo das dores
Na noite que tu enlaças
Gira a lua, o sol s’esconde
Orgulhoso do seu manto
Tecido de rubras pétalas
Que caem, vão desflorando
Caminhos onde tu passas
As Sílfides correm enquanto
As Musas buscam seu canto
Subscrever:
Mensagens (Atom)