sábado, julho 23, 2005

Em Noites Enluaradas

Em todas as noites enluaradas
Deste Verão escaldante
Passaram fogos espadas
Pelo meu corpo em marcas
De sóis desdizentes

Jamais penseis
Que se de cegueira me vesti
E me adornei
Foi porque de ilusões vivi
Contente

Estrelas mares desertos
Orvalhos brilhos e barcos
É tudo o que está certo
No percurso d’ estilhaços
Da vida
Dentro de nós sentida

Meu lema é paz alegria
Amenidade entre a gente
Lutando serenamente
O sorriso doce expandia
Cerrando a tempestade
Que planando nas árvores
Cinzas previa
Entre fogos espadas
De noites enluaradas

sexta-feira, julho 22, 2005

Amigos

Nestes últimos 3 dias a ADSL tem cortado a minha ligação
à net (erro 678).
Gentilmente deixam-me ficar on line em espaços de 3 minutos,
por vezes, o que me impossibilita agradecer e visitar-vos.
A última informação que me deram foi que possivelmente
teria de chamar a PT para resolver este problema.
Aproveito para agradecer a todos o carinho que me têm dispensado.
Um bom fim-de-semana a todos.
Até breve, espero!

segunda-feira, julho 18, 2005

Por vezes o Poema

Por vezes passa o poema vergado de horas
Um mundo passado exausto de estrelas
Seus ramos caídos em cinza folhas
Desliza um Inverno de seiva mui lenta

De timidez arrojada corre também sua voz
Num leito verde em chão de água,
Comportas, se abertas são fechadas,
Não vá o caminhante barco chegar à foz

Às vezes o poema é mordaz ou pensativo
Na fluência da palavra imaginada
Brotando fluorescências em escada
De música suave, agitada por quem ouvido

Se o poema é nu um doce sorriso espraia
Em mil flores, brilhos, amores serenos,
Mãos, olhos doces qu’enlaçando s'espalham
No pêndulo dos braços, em tempo ameno

Em azul se sabe,
Por vezes…


Poema in "Transparência de Ser"

sábado, julho 16, 2005

Uma pequena luz

Há uma luz num rochedo esbatido
Que continua a brilhar
Soltando muito a medo
Frágeis raios para o mar
Que a rodeia
Lhe enleia
Sentidos

Um barco d’água à deriva levando
Etéreas nuvens de carinho
Espalhando pétalas de rosa
Melodiosas
O barco trilhos abrindo
Sozinho…

Uma montanha de fogo havia
No mar das flores explodia
Era tão cinza e escura
Que o verde que a cobria
Desfez-se na noite dura

A pequena luz tremeluzente
Que na rocha está sentada
Abraça nuvens o barco d’água
A montanha cinza ardente
E mui doce serenamente
Sorri p’ràs estrelas orvalhada
E murmurando diz: É p’rà frente
O caminho que sentes…

terça-feira, julho 12, 2005

Caminho o Tempo

Procuro-te em poesia de letras
Memórias de tempos recentes
Racionalizo passados de curto vento
Agora peso avalio entendo
Porquê em pesares existentes

Interrogo-te nas palavras do silêncio
Transmutação de estrelas cadentes
Antes brilhantes luzentes
Em mortes camufladas e te sinto
Os sonhos desfeitos de nadas

Percorro-te em negra chuva a estrada
Que bebes em gotas d’água.
Ao som de teclas que pinto
Com Grieg danço
A doçura o encanto
Da verdade
O tempo que está comigo
Na serenidade
Do sorriso

sábado, julho 09, 2005

Nesta quentura do dia

É o leite o café da manhã
Uma toalha de linho
O dizer amo-te baixinho
Na Aurora que vai tarde
Em aroma de chocolate

É laranja lima limão
Em refrescos que os dão
Nesta quentura do dia
O que quero é tangerina
Nesta pura fantasia
De quem sequiosa espera
Uma brisa

quarta-feira, julho 06, 2005

Uma Casa de Pedra

É uma casa singela
Uma casa minhota
De pedra
Térrea

Profusos verdes a abraçam
Arbustos, árvores, a horta
E cantam
Aves

Canteiros de flores num laço
A rodeiam… num abraço
Doce, ameno
De cores

Interior de branco tranquilo
Em cada canto melodias
O eterno abrigo
Da palavra

Quem vem aflito sempre encontra
À porta, um sorriso, a gentileza
A lareira acesa
O brilho

É uma casa minhota de pedra
Onde a verdade térrea habita
E que caminha
Serena

domingo, julho 03, 2005

Caixinha do labor

Neste ponto colorido eu canto
Toada em folhas de Sol
Com verde e amarelo
Que encontrei no recanto
Da caixinha do labor
Singelo

Canto ao sorriso o calor
Hora sem tempo passado
Ao trabalho elaborado
Com carinho e amor
Em brancas penas deixado

Ao fio que a tela tecia
À garra visão amizade
Música que soa baixinho
Em ternura e carinho
E parto ao fim do dia
Enlaço serenidade

quinta-feira, junho 30, 2005

Em minhas penas...

Leve aragem me afaga as penas
Quando plano sobre o mar
Azul intenso em íris de ouro
Um espelho do meu voo
Nas minhas asas serenas

Terno sorriso espalho num canto
De doces flores musicais
São cravos, rosas, jasmim
Qu’envolvo num manto sem fim
E as penas vão transformando

Em sonoridades tais
Que o carinho, a ternura
Aquela ilusão que perdura,
Forma cambiantes de cores
Em laços, pontes, abraços
Infinitos luzentes amores
Que em minhas penas enlaço

quinta-feira, junho 23, 2005

Um perfume que a noite transporta

Um perfume subtil a noite transporta.
Adormecida em ventre d’água
Há uma voz qu’insone me clama
Em saudade orvalhada

É um aroma cobalto, anil
Em sua concha nacarada
Que me chama do meu leito
Onde me recosto, me deito
Em sonoridades mil

Sob os lençóis me viro, agito
Os braços estendo, encolho
Abraçando a voz em cantos
Intermitentes espaços qu’envolvo
Enlaço e penso: foi mais um sonho!
Mas como explico
O aroma que fica pairando …

domingo, junho 19, 2005

Um Jardim, uma Rosa, um Lago...

Um jardim, uma rosa, um lago
É um oásis na cidade fremente
Que passa do outro lado
Em muros, asfaltos, ausente….

Jardim de aves levíssimas
Musicado de verde
É um relógio suspenso…

Rosa irisada pelo sol doirado
Solitária na cadência do dia.
É uma palavra nua, infinda…

Lago azul de dançantes seres
Vogando em pontes laços abrigos.
É água de serenos sorrisos

Que somente

Na fragilidade do tempo
Tudo vê e tudo sente.
É a sensibilidade isolada
Entre a cidade correndo…

quarta-feira, junho 15, 2005

Rosto d'Água

Nesta quentura do dia, passa leve
um sopro de vento em massagem.
Deitado o meu corpo deliciado
o sol enleia em beijos m’afaga
Um calor arrepiado me invade
transporta p’ra outros mundos
distantes e mui profundos
que o tempo viu de passagem
Com tanta ternura, eu corro
e me banho em águas claras
Suas mãos m’agarram a cintura
puxam e me enlaçam
com serena candura
bebem a essência a pele
os poros dos longos cabelos
que se espalham
em teu peito
rosto d’água

terça-feira, junho 14, 2005

Verdes Canções em Flores

Verdes, verdes são os sentimentos
Que vagueiam pelo mar
Jangadas plenas de gente abraçadas
Ao mastro sem velas em fios de luar
Estrelas encantadas de dores
Que em verdes pradarias se deleitam
No cinza do entardecer que em breve
A noite abraça, enfeita
De verde em verde cobertas não sentem
O azul que se estende p’ra lá da floresta
Partículas de areia orvalhadas
Percorrendo encantadas o deserto
Que as rodeia

Verdes canções em flores

sábado, junho 11, 2005

Os quatro elementos

Escrevo sonhos de Fogo, labaredas
De palavras sem letras
Dualidade em flores de vento
Mui ledas
Madrugadas, brisas, momento

Escrevo a Água, ondina transmutada
Rio, catarata ou lago
Mantos espelhados, o afago
E entoo encantada
Sonoridades que trago

Escrevo em formas de azul o Ar
Voos suaves desenhados
Espirais a planar
Anseios, perdição d’ amores
Ilusão em tábua de cores
Navios de tons irisados

Escrevo a paixão da Terra, o sentir
O ideal desejado
No beija-flor simbolizado
Componho, enfim, a Natureza
Que num sorriso de tristeza
Teme, receia o provir

quarta-feira, junho 08, 2005

Rasgos

Sem o esse é o eu no presente
Do verbo interiorizado
Em delírios afastado, isolado
Dos afazeres da mente

Memórias abertas em horas, instantes
Tapetes de veludo, flores de ilusões
Um sonho caminhante em fracções
Formas espiraladas de cores difusas
Desnudas, obtusas em linhas traçadas
Que em mantos o vento apaga

Folhas de água em máscaras
Histórias passadas dementes
Sonhos constantes presentes
Em lonjuras asfaltadas correndo
Um partir longo demorado lento
Um chegar brusco de cores confuso
Aromas, perfumes que se evolam
Em essências serenas.

Rasgos: A quadratura circular do tempo

segunda-feira, junho 06, 2005

Entre Tempos

Uma prata imensa espelhada
Desdobrando, se desfazendo
São núvens brancas em tumulto
Um rugido, um grito, uma voz
Incontrolável, poderosa
Em que me sento…
Extasiada

Em rajadas e sibilos respondendo
Surge o vento
Arrastando tudo ao redor
Altera dunas, escarpas
Dançam areias desgovernadas
E dançamos
Nós

Entre forças, ilações e razões
Pelo poder espacial
Está a singela ampulheta
Mui serena
Aprendendo
Lendo o tempo
Que nos seus dedos desfia
e… sorria…

Promessas? Onde? Afinal…

sábado, junho 04, 2005

A parte de um todo

Tudo o que se espalha se move. Às vezes
Espalhando imóvel se queda.
Olhos do pensamento que passa, leve
Correndo por atalhos de momento
Breve

Tudo que vibra é sintonia musical. Contudo
Vibrando descompassado é mudo
No final. Um saber angustiado não vê.
Ternura dum livro aberto que perto
Não lê

Tudo que se parte se estilhaça. Embora
Partindo cada parte seja um todo
Sem demora. Milhares de vidas unidas
São: a hora, a força, a vontade que enlaça
Cantigas…

quarta-feira, junho 01, 2005

Em voo silente

Há uma canção que passa
por mim na brisa silente
e que me enlaça
ternamente

É um canto um abrigo doce
que percorro e discorro
Uma luz terna, amena
perene
que abraço

Uma ternura presente
que se sente e pressente
em cada passo
É um laço colorido
um abrigo
se em águas esbatido
ultrapasso

E sorrio com doçura
à luz que me perdura
que louvo agradeço
e não esqueço
a infinita ternura.

terça-feira, maio 31, 2005

Nocturno

Eram, na rua, passos de mulher.
Era o meu coração que os soletrava.
Era, na jarra, além do malmequer,
espectral o espinho de uma rosa brava...

Era, no copo, além do gim, o gelo;
além do gelo, a roda de limão...
Era a mão de ninguém no meu cabelo.
Era a noite mais quente deste verão.

Era, no gira-discos, o Martírio
de São Sebastião, de Debussy...
Era, na jarra, de repente, um lírio!
Era a certeza de ficar sem ti.

Era o ladrar dos cães na vizinhança.
Era, na sombra, um choro de criança...


(poema de DAVID MOURÂO FERREIRA)

sábado, maio 28, 2005

Vazio

Papel branco pintado m’espreita
Brisa em tempestade de vento
E escuta com minúcia
Todo e qualquer movimento.
Na aurora em mim se deleita
À minha frente por mim

Lápis de plumas verdes se move
Fino e delicado
Entre os dedos impacientes
Aguardando quase implorando
Uma letra um simples traço.
Sem asas não posso não faço

Um cigarro mordendo o fumo calado
Um triângulo um quadrado
Me olhando em contemplação
Um café negro de frio
E deslizo no vazio
Da inspiração