Serena percorro espaços
Nesse tempo que não tenho
E em cada deslizar de letras
Vejo dúvidas ensaios frementes
Tecidos d’um vento em retalhos
Em ténues amantes brisas
Escondido
Todas as interrogações s’espelham
Nas palavras silentes que sigo
São procuras inclementes
De horas que não faz Tempo
Nem abrigo
De materialidade revejo sentidos
Passando entre pontos e traços
Incompreensões do momento
Que docemente enlaço
Em Paz, Luz e sorrisos.
P.S.: Com os votos de uma Alegre Páscoa
vos entrego com carinho
um voo de letras singelas
num poema antigo
feito de Amor e de Laços.
quinta-feira, abril 13, 2006
domingo, abril 09, 2006
Esse sentir... em menina

Chegaste
Com o teu passo lento
Como se de água se tratasse
Aos meus lábios peregrinos
Ávidos de amor e de paz
Mostraste
Que a noite também tem brilho
E pelas espadas de fogo
Da voz se abrem caminhos
Indicaste
O amargo doce dos sonhos
Da transmutação dos ciclos
Que a Terra consigo traz
E quando
No seio das águas deslizo
No círculo da chama me fixo
Do deserto provo o sal
Entendo o canto
Suspenso
No pêndulo do tempo
No suave olhar da brisa
E esse sentir em menina
Que perdura sereno
Nos laços de um sorriso
(pintura de Claude Renoir)
quinta-feira, abril 06, 2006
As águas sob as pontes...

Correm águas sob as pontes
Águas claras… escuras…
Ou se isolam
Ou se mesclam
Águas puras… impuras…
Seguem idênticos trajectos
Ondeantes… lineares…
Em sussurros de silêncio
Bradam esferas de vento
Sob as pontes
Pontes suspensas nos ares
Águas e pontes que vibram
Abalos fortes, serenos
Águas seguindo cantares
Pontes correndo...correndo
Pelos montes serras vales
Na margem de brilhos intensos
Sob as pontes as águas correm
Deslizando docemente
Transformam pérolas d’orvalhos
E correndo se enlaçam
No éter as pontes abraçam
Solidões das marés
Dos tempos
Suave
Serenamente…
Círculos

Iguais a tantos passeiam os dias
Em círculos abertos fechados
Trazem nas mãos candelabros
Solitários
Se quedam no sopé da pirâmide
Escalonada
No topo brilha uma nuvem doirada
Partículas de fogo
Que no azul espalha
Iguais a tantos passeiam os dias
Em círculos
Abertos...
Fechados...
(fotografia de Joseph Gerges)
segunda-feira, abril 03, 2006
A Sala

Eram férteis os olhares murmurados
Beijos que a circunstância exigia
Se estava… não estava. Só sentia
Vindos de todos os lados
Naquele espaço fechado
Que a cobertura branca suspendia
Isolei-me no silêncio do fumo de um cigarro
Subitamente
O branco desceu pleno de brilhos
Intensos profundos
Na cumplicidade de um abraço apertado
Envolvendo móveis e gentes
Em formações cristalinas
Feliz e cansada adormeci leve
Nos ternos braços
De um doce sorriso
(pintura de Fazian)
quinta-feira, março 30, 2006
Mil águas...

Numa caixa empoeirada
Sob o telhado escondida
Memórias mil adiadas
Papeis, laços, cordéis
Telas de vento esmaecidas
Tintas em voos d’outrora
Que abro, devagarinho…
Ecoam restos na cidade adormecida
De noites longas e frívolas…
Nos olhos curiosos
Desfilam
As silhuetas delgadas
Que um tudo…
Nada viam
Deslizam mil águas sob as pontes
Em suaves murmurinhos…
E de quando em onde
De Bach entoam sonatas
Cadências rubras de linho
Deste Abril que se avizinha
Com ternura encerro a caixa
Que abrirei
Noutra altura
Noutro dia
Quando planar serena
Ao som do brilho da Lua
(Autor da imagem: desconhecido)
sábado, março 25, 2006
Quando a Terra Despertar...

Serei a pedra, o sal, a água,
aquela palavra ausente
serena que o mal afasta
da calmaria das noites
A orvalhada, a neblina,
deslizando em ténues brilhos
no azul-negro da cidade
Lusco-fusco que se espalha
em traços curvas d’estrada
na solidão caminhante
Rio descendo a montanha
saltando escolhos veloz
O laço que se estende
no abraço, no instante,
da água que beija a foz
Serei a onda que grita,
no interior de nós,
a descoberta tardia
O amor, a liberdade, a paz,
cobrir-me-ão amanhã
quando a Terra despertar
para mais um dia
de intuições benditas
e o sorriso aclarar
(imagem recebida por mail sem indicação do autor)
Poema in "Transparência de Ser"
quarta-feira, março 22, 2006
Sem Título IV

Pintura de:
Tanja Hoffmann
Alguém corre pelo parque da cidade
Sob bátegas de chuva
Intermitentes
Uma voz se espalha nos telhados
Sonora, amplificada
Com sotaques diferentes
Invade intimidades
Dormentes
Desperta o silêncio de cada casa
Espaçada, muda
Nas deslizantes gotas do espaço
No lugar onde me encontro
Em acalmia profunda
Os dedos de uma criança
Tecem esboços leves, reflexos
Nos versos da esperança
Em danças inocentes
Amenas e puras
sábado, março 18, 2006
Cartas

Sentados, imóveis,
pendurados
na irreversibilidade do minuto
Rostos crispados
olhos estagnados
a concentração se impunha
nas mãos lentas
que em frente se moviam
Soletravam preces mudas
ao deus menor que a sina previa
Pela sala
sorridentes fantasmas
vagueavam murmúrios
em trajes de gala
com passos que veludo pisam
Lá fora
na noite escura e fria
Viena seguia outros traços
em iridescentes líricas
As cartas tinham sido lançadas…
A última palavra,
nas mãos lentas que afagavam,
ao croupier pertencia
(S. Mamede de Infesta – 17/Mar/2006)
Poema in "Transparência de Ser"
terça-feira, março 14, 2006
Mãos de Sombra

Um abraço esperado
O brilho de um sorriso
Um olhar terno encantado
Uma palavra não dita
A mostra em matemática
Das paralelas da vida
Um sentar espaçado
Entre frases seguidas
Rasga-se um ventre
Em mãos caídas
Um apressar demonstrado
Um sol e a sua procura
D'um ar mais leve mais claro
Nas vozes que não se abrem
Tapadas em noite escura
Foi só um sonho, bem sei
Nas escassas horas dormidas
Um remexer de sentidos
Banhei-me em águas puras
Cristalinas
Vestida de branco saí
Para o Sol que m’ilumina
domingo, março 12, 2006
Momento

Sem dor angústia
Ou mágoa
Me fiz à estrada
Da vida
O vento sibilava espirais
No cabelo desalinhado
E se espantava
Furioso
Incontrolado
Pela calma que sentia
Aterrei em mansas águas
Onde planava o sorriso
Translúcido
Constante
Nesse branco que se via
Pela minha janela aberta
Espreita a constância
Em suaves brisas
Do caminho
Sou ave serena
Navio
(pintura de Dali)
quarta-feira, março 08, 2006
Cristais e Prata

Tilintam cristais em sinos de prata
Sussurros que a brisa afaga
Cada célula do caminho
Serenos são os brilhos que espalha
Voam mares em azuis cidades
No arco-íris constroem bases
Talvez dancem peixes em fogo-fátuo
Talvez espadas cruzem sentidos
Nada interessa quando é mútuo
O suave tilintar emitido
Vagueando no amor e verdade
Dos cristais em sinos de prata
quinta-feira, março 02, 2006
Sem Título III

Te leio na esperança tardia
Deste amor e te enfeito
Dos brilhos da utopia
Serenos
Deslizantes em meu peito
Percorro aves navios
Carinhos que desconheço
E na saudade nos medos
Desfloram as flores dos dias
Omitidos
Se te leio
E quando a noite avança
Em cinza azul escarlate
É contigo que me deito
Voz silenciada que permeio
Dizeres que me cantava
Em morango e chocolate
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
Asas

Descansaram minhas asas
Numa salva
De plumas brancas
Duas chaves as enfeitavam
Num enlace dolente
Uma de prata escondida
Outra no ouro silente
Estendida
Trama densa as teciam
De força por vezes dura
De emoção que não segura
Os brilhos na água corrente
Pedras de fogo fulgiam
A candura do caminho
Em saudade percorrido
Omitiram-se pelo estio
No tempo da folha dormente
Sob os pingentes de frio
Na hora em que a flor se abre
As asas nos laços das chaves
Se elevam serenamente
Planando amor e sorrisos
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Febrilidade

Desgrenhada, patética, desfigurada, os olhos inchados
pelas noites de vigília e de sonhos interrompidos pelo
imutável fantasma das horas lentas.
À noite, depois que o sol se punha, a caminhada tornava-se
mais lenta e o refúgio do sono arrastava seus passos
febris no tempo.
Olha-se ao espelho que num esgar assustado lhe devolve
a imagem e se apaga em silêncio.
Foge atravessando portas fechadas. Precisa de ar fresco,
renovado, para calar o sufoco dos dias febrígenos ausentes
na apatia do seu dormitar constante.
Com movimentos rápidos corre uma persiana. Atónita recua
instintivamente quando a negrura lhe entra pelo quarto
encerrado com um esbracejar indistinto displiscente de árvores
mudas ao vento.
Quanto tempo se passou? Não sabe!
Na sua febrilidade perdeu a noção da hora deslizante no norte
do sol com seu rodopiar constante e o pão de seu alimento
também se esvaía num fumo distante incongruente pelo espaço.
Tantas questões lhe punha o segundo sem resposta…
Corre as cortinas e aguarda que os braços luzentes da Aurora
enlacem a voz clara do silêncio nos traços da areia branca…
(pintura de: De Lempicka)
domingo, fevereiro 19, 2006
Palavras

São tão nuas
As palavras
Vindas
Do interior de nós
Redondas
Espiraladas
Numa redoma fechada
Expandem
Cristais fulgentes
Calados
Num silêncio que se sente
O espaço extasiado
Murmura
Procura
Desmente
Nuas são as palavras
Que a vida nas asas
Do vento
Enlaça
Ca-ri-nho-sa-men-te
terça-feira, fevereiro 14, 2006
A Prece

Senhora dos passos largos
Valei-me nesta aflição
Espalhai os vossos brilhos
Iluminai os caminhos
De nadas que mais não são
Que escolhos e desvios
Senhora do Bem qu’ amais
Vede a natureza que fora
O doce abrigo o alimento
De tanto ser que agora
Vagueia em passos perdidos
Espirais de pó de vento
Senhora dos dias claros
Ouvi a prece da hora
Pelos riscos pelos traços
Vosso manto espalhai
Em amor fraternidade
Na caminhante voz
De silêncio em liberdade
Com sorrisos enfeitai
A Vida de todos nós
Senhora
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Passos d' Água

Cantam leves na distância
Os passos dum amor ausente
Nas profundezas da água
Entre limos godos algas
Que se quisera presente
Sobre ondas entre as vagas
Desenha traços d’estradas
Desafios de outra gente
Dores de sua constância
Se as sente as desmente
Querido és meu espelho
Que vagueia pelas águas
Todos os brilhos que traças
Em fogo abrem os fios
Do silêncio em que vagueio
Nos passos feito sorrisos
quinta-feira, janeiro 26, 2006
O Cisne

(Pintura de Tanja Hoffmann)
Folha lisa em branco
me olha atónita e serena
na espera do poema
que me voa na pintura
o canto
Esforço intenso.
Medito...
Palavras que me deslizam
no éter em que vagueio
de azul feito
infinito
Na calmaria de um lago
onde a saudade borbulha
um cisne dança leves traços
matizes d’azul
profundos
O brilho das suas asas
abraça a Luz, a dádiva.
As gotas cinzentas do Mundo
desfaz em pó de palha
partículas nuas
em nada...
Poema in "Transparência de Ser"
domingo, janeiro 22, 2006
Máscaras dos tempos

(pintura de Marina Bahovec)
Tempos difíceis
Quem não os sente?
Impostos… fome…
Desemprego…
Com este ar leve
Demente
Politização demarcada
Consciente
Dos males que acarreta
Em cada passo
“ameno”
Falas camufladas
De ódio e vento
Oco nas palavras
Que pelos olhos
Ouvidos da gente
Atravessam janelas
Telhados e portas
Deste povo anestesiado
Num leito dormente
Ódio que se espalha
A maledicência
Palavras… só palavras…
Eloquência vã
Politizada d’interesse
Umbilical.
Natureza destruída
Lentamente
Olvidos d’Amor
Luz da Graça
Obtida em dádiva
Ninguém quer ver
Nem sente
Vapor em águas frágeis
Que o Homem omite
Esquece, consente
Após cada romaria
Das máscaras
domingo, janeiro 15, 2006
Os dedos do horizonte

Olha! Não vês, não sentes
O abraço forte, intenso
Nas palavras que estendo
Olha! No vácuo do silêncio
Há estrelas que caminham
Um tempo ausente
De nós, somente
Repara! Toda a sabedoria
Não tua, nem minha
Desliza entre flores
Distantes
Sob amorfas nostalgias
Dos sonhos que nos caminhos
Fazem seus passos
Frementes
Eu sei que me sentes
Quando contente me sabes
Como te soube no tempo
Das horas doces
Constantes
Olha! Tão crua
A distância
Não esfria
O berço da palavra
Intensa e nua
Que nos dedos permanece
E os sussurros da lua
Pelas noites escuras
E frias
O sol acontece
A beleza da estrada
Em brilhos aquece
O que teima e
A pedra dura
Trabalha
Não esmorece
Olha. Vê.
Tu que sabes
E sentes
Os dedos que se tocam
Na dança silente
Do amor eterno
Ausente
Sorri
E diz
Contigo canto
Nos passos do horizonte
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Sem Título II

Literatura
História
Técnica
Ciência
Perdura
Palavra ausente
Esgotada
De mente
Silencia
Voos
A chama
Nas águas
Cortadas
Sem brisa
Nem vento
Ou lamento
Árvore desnuda
Esperança
Emudecida
Raízes estende
Ao sol do tempo
Serenamente
Apre(e)ndendo
O mundo
As gentes
A estrada
terça-feira, janeiro 10, 2006
A Montanha

Uma montanha renasce
Cada dia à minha frente
Montanha é de palavras
Líquens em ténues verdes
Rochas em escalada
Árvores nuas ao vento
Pela noite se esbate
Nesse mar que se esconde
Transforma a terra a água
Na cor indistinta uniforme
Banhada no silêncio que sente
E no sorriso dormente
Seus sons doces espalha
Sem rumo sem norte
terça-feira, janeiro 03, 2006
Sem Título I

Procuro os sons dispersos
As cores, a melodia
A construção da dança
Leve, serena, constante
Que meus dedos abriam
Encontro ecos de nada
Mente vazia que plana
Em ruídos… só ruídos…
No vácuo espalho o grito
Da minha voz que caminha
Por um túnel do deserto
De ligas estranhas
E finas
terça-feira, dezembro 27, 2005
Relembro...

Olho… Relembro…
E bebo de um trago
O reluzir das colchas alvas
Imaculadas
Que lentamente o algodão tecia
Arabescos
Em escada
Cada hora, cada dia
Correndo a noite fechada
Voos de um berço de plumas
Silêncio
Ausência
Memória das colchas alvas
Imaculadas
De um ontem que hoje
É passado
segunda-feira, dezembro 19, 2005
Boas Festas

Cristais
Pérolas de fogo
Reluzentes
Seda das flores
Carinhosas e ardentes
Em laços transformados
Iluminuras
Vitrais
A ternura dos sorrisos
Abraço constante
Nunca esquecido
Uma teia de pinturas
Transparências
Melodias doces
Luar, sol e mar
O saber despontado
Em luz e cor
São vocês todos
Meus amigos
Para quem escrevo
O profundo desejo
D’alegres Festividades
Um Novo Ano de sonhos
Realizados
Em cada amanhecer
Sereno
De Paz
sexta-feira, dezembro 09, 2005
Três andamentos Quatro passos
Cubro-te de espelhos
de pedrarias
que a hora silente do dia
de ti vê as horas frementes.
Embalo-te na melodia
dos tempos e contra-tempos
que deslizam
e em queda ficam
nos olhos da mente
É um olhar infinito
pelo balanço das horas
num sussurro de memórias
Três andamentos, quatro passos,
em recuos e avanços
somando débitos de um
entre as vagas
entre as fráguas
lugar distante
comum
E parto
no desafio constante
desse azul que se sabia
diligente, estável,
e de ternura brilhante
p’ra mais um dia
por entre as horas silentes
que se previam
dormentes
(pintura de Manccini)
Poema in "Transparência de Ser"
sexta-feira, dezembro 02, 2005
Os dias da noite

Adormeceu no regaço da noite
uma ave de amor, sal e água,
cansada nos voos do silêncio -
vozes que se apagaram -
e no Verão escaldante
ardiam lágrimas
Uma cítara suas penas brancas
cantava -
seguindo o Outono das letras
em azul papiro -
espalhando
pela estrada
Uma ave adormeceu os dias
das noites no sereno sorriso
que o seu cansado bico
espelhava
uma ave de amor, sal e água,
cansada nos voos do silêncio -
vozes que se apagaram -
e no Verão escaldante
ardiam lágrimas
Uma cítara suas penas brancas
cantava -
seguindo o Outono das letras
em azul papiro -
espalhando
pela estrada
Uma ave adormeceu os dias
das noites no sereno sorriso
que o seu cansado bico
espelhava
Poema in "Transparência de Ser"
quinta-feira, novembro 24, 2005
Cantatas Profanas

Saem trompetes, tambores,
entoando as cantatas profanas
de Bach.
Pelas aldeias, cidades,
rejubila o povo
com a opulência do coro
que se faz
São estranhas, são dramáticas,
embrião que a ópera traz.
Manipulado
torturado
seus véus rasga, desfaz
E a melodia enche os passeios
com um interior novo
num brilho circular
cheio
exultante na Verdade
Uma luz serena, em cores,
entoa as cantatas profanas
de Bach
entoando as cantatas profanas
de Bach.
Pelas aldeias, cidades,
rejubila o povo
com a opulência do coro
que se faz
São estranhas, são dramáticas,
embrião que a ópera traz.
Manipulado
torturado
seus véus rasga, desfaz
E a melodia enche os passeios
com um interior novo
num brilho circular
cheio
exultante na Verdade
Uma luz serena, em cores,
entoa as cantatas profanas
de Bach
Poema in "Transparência de Ser"
segunda-feira, novembro 21, 2005
A Arte

Dizem que são meras máscaras
Falam de delírios poéticos
Na fantasia das letras
Murmúrios das telas dos olhos
De quem correndo olha e lê
Aquilo que se quer ver
Tudo é certo
Não contesto
Mas tanta, tanta é a vez
Que a brisa passando perto
Ou o vento em queda d’ água
Trazem mares desérticos
E ouvidos de palavras
Silêncios ocultos nos folhos
Das medas em desfolhada
Que a Arte no voar sentido
Espelha em cada pincelada
A voz que lhe fala
E não vê as areias
As algas qu’espalha
Pelos estreitos trilhos
Serenos, doces, do sorriso
Que a sua ternura abraça
(Aos meus Amigos que tanto prezo e amo sem distinção de sexo,
credo ou raça, e a todos os que por aqui passam, conhecidos ou
não, e que o seu carinho me deixam, peço desculpas pela ausência,
mas nem sempre o Tempo consente que directamente vos abrace.
Assim sendo, com toda a ternura vos desejo muita Luz, Paz, Amor
e serenidade)
quarta-feira, novembro 16, 2005
Pelo São Martinho

Chegavam pessoas aos pares e famílias inteiras, mais lentas ou
apressadas, crianças em correria, com o sorriso estampado
nas faces morenas, rosadas pelo frio que a noite enfeitava.
Do duro labor de cada dia, o pensamento cortava as asas ao
vento avistando o entusiasmo das gentes.
Junto ao adro da igreja, crepitava a fogueira no chão de terra
batida, lançando faúlhas no ar e línguas de fogo guloso que, com
seus bailados, tentavam afagar as estrelas seguindo a música em
compassos, que se ouvia.
Que lindo!… exclamava o povo.
Aspergiu-se água, não da benta que é pecado, por cima das
labaredas e nas brasas rubras, serenas, castanhas foram
lançadas já o vinho tinto corria de boca em boca, assim como os
nacos da boroa de milho que o padeiro cozera no forno vedado
com bosta fresca apanhada de manhãzinha.
Os mais afoitos, segurando as pontas da coragem que em jorros
de vaidade lhes surgiam no peito, saltavam a fogueira entre os
gritinhos das moçoilas e olhares de cumplicidade furtivos.
Pelos dedos singelos do povo, a noite corria sincera, despreocupada.
O Sôr Abade, distribuindo a palavra entre as gentes, sorvia, com
golinhos discretos, o sangue de Cristo que no sacrifício da missa
se oferecia.
E, sorridente, agradecia ao Firmamento por ver o seu
rebanho reunido nesta noite encantada trazida pelo São Martinho.
sexta-feira, novembro 11, 2005
O Segredo

Acordo na palavra que me espreita
E me sussurra baladas
É uma palavra redonda, cheia
Um segredo de amor e lâminas
M’ espreguiço entre o veludo das flores
Que minha cama encandeiam
E me agarro, deslizo, deleito
Nas gotas que o orvalho tece a palavra
Das lâminas folheio o calor emitido
Que vergo, desdobro em mil cores
Do segredo aninhado em meu seio
Canto em ondas melodias doces
Que pinto nos abraços do sorriso
terça-feira, novembro 08, 2005
Folhas de Outono

Nas folhas rubras do Outono
Contigo teço meu leito
E voo no sonho
Dos brilhos desnudos
Na voz do silêncio
Plano… revivo
Na missiva do correio
Em folhas amarelecidas
Aromas há não se apagam
Passa a hora passa o dia
Por este país doente
Romaria que o povo abraça.
Que fazer por quem não sente
Falas plenas de desgraça
E que incauto sorridente
Os braços pende e acata?
Mesclo tudo no cansaço
Vontade que se faz tarde
Se te espero te desejo
Âmago rubro meu peito
Outono desfeito
Folhas caídas
Muros de amor
Ternura
Saudade
quinta-feira, novembro 03, 2005
Tempo

Uns se encobrem de folhas secas
Outros abrem a escuridão do dia
Tudo acontece nos momentos
vestidos de fantasia
Assim se passa o tempo escasso
Dos rasgos esboço meu traço
nos farrapos omitidos
a que assisto
Sofro pelas dores alheias
tão inteiras de cinzas
que me morro
no meio delas
E se prevejo
cada passo, cada rasgo
nos ténues fios que sinto
me enrolo
em novelo me torno
e hiberno na caixa
do tempo sem tempo
deixando a porta aberta
do sorriso
para o amigo
que passa
sexta-feira, outubro 21, 2005
Tapete de Folhas

Sabes, ontem estive a rever memórias ou lembranças,
como as queiras chamar. Com espanto descobri que tudo
se vai guardando, desde pregos e parafusos até intensos
abraços de mar.
Fui levantando véus a paralelas, assimetrias simétricas,
aos doces cantos da alma. Vi passar flocos de estrelas,
pontes suspensas, verdades e inverdades camufladas
em letras.
Muita ternura deslizou entre as margens de orvalhos, nos
trilhos de barcos enfrentando tempestades, nas pradarias
verdejantes de luares.
Tanto, mas tanto foi destapado na melodia das vozes correndo
em colorações e brilhos, sempre presentes na serenidade
do sorriso.
Sabes, ontem, a poesia adormeceu o Outono
sobre um tapete de folhas doces…
Há uma estrada coberta de Outono
Um tapete de folhas esbatido
Recosto intemporal do poeta
Que segue a voz do silêncio
Serena... serenamente
Desfolhando sorrisos
domingo, outubro 16, 2005
Vagas de Zinco

Por vezes há vagas tempestuosas,
Revoltadas que nos entram
Pelas janelas duplicadas,
Muradas, em espuma
De zinco ardente
Surgem do nada, na corrente
Gelada, em misturas de vento.
Sempre me transtornaram as águas
Que sobem imagens sombrias
Personificadas de brisa
E me cravam silêncios
Partindo muros
Correntes
Nessas vezes aguardo serena
O renascer da clarividência
Das vagas que em espuma
De zinco quente
Transformaram noites e dias
Até que em brilho unam
Almas e mentes
sexta-feira, outubro 14, 2005
Mais...que mais.....

Não vens quando te espero
Tão pouco a sombra de ti
Me desce um desgosto infindo
Sobre os mares de carinho
Que previa e que não vi
(Mais p’ra ti que mais p’ra mim)
Sussurras ao meu ouvido
Como te adoro querida
Eu fico lerda, sem jeito
Me estremece no peito
O que devia e não fiz
(Mais p’ra mim que mais p’ra ti)
Quando meus olhos afagas
E me deslizas em letras
Nos sorrisos de ternura
Jorram palavras nuas
Qual cascata leve, amena
(Mais p’ra mim que mais p’ra ti)
Se de força eu te cubro
Na hora difícil do dia
Te enrolas nos meus braços
Seguras as pontas dos laços
Abrigo, porto seguro
No tempo do quem diria
(Mais p’ra ti que mais p’ra mim)
E neste empate técnico
Que o acaso teceu
A vida passa sem árbitro
E corre…corre…correu…
segunda-feira, outubro 10, 2005
Etéreo

Despi-me dentro peito
Neste sentir de mim
Vesti a mente a teu jeito
E as folhas de Outono caídas
Dançaram rubras na brisa
Qual beija-flor
Etéreo
Sem fim
sábado, outubro 08, 2005
As Gatas

Pelo fim-de-semana
se passeiam as gatas
no meu quintal
Vejo-as sair, felpudas,
académicas, lãzudas,
todas tão diferentes,
no alvorecer de cada dia
que o fulgor dos anos trinta
em corpo habita
e consente
Como entraram? Não sei!
Talvez garridas, floridas,
inconscientes,
na calada da noite
permitida,
com suas patas de veludo
e garras que sabem tudo
por quem mais sabe e vive
urgente
Poema in "Transparência de Ser"
quinta-feira, outubro 06, 2005
Pelo Silêncio da Noite
Partirei pela noite silenciosa
Arrastando os passos cansados
As vozes que me retardam
Nos ecos dos penhascos
De todas o tudo amarei
Na gota de chuva ou orvalho
No despertar de cada estação
Pujante, no abrigo da paragem
Das mãos que afagam o instante
De aragem da estrada
Da canção as amarras soltarei
Para que cada deus renasça
Entre a relva verde dos prados
E o azul em mim espelhado
Pelo silêncio da noite voltarei
Quando ouvir o canto da cigarra
Arrastando os passos cansados
As vozes que me retardam
Nos ecos dos penhascos
De todas o tudo amarei
Na gota de chuva ou orvalho
No despertar de cada estação
Pujante, no abrigo da paragem
Das mãos que afagam o instante
De aragem da estrada
Da canção as amarras soltarei
Para que cada deus renasça
Entre a relva verde dos prados
E o azul em mim espelhado
Pelo silêncio da noite voltarei
Quando ouvir o canto da cigarra
sábado, outubro 01, 2005
Afagos
I
A chuva brotou nos sulcos de um mar
Salgado… sereno
A princípio miudinha, orvalhada
Afagos na areia fina
Que o longe avistava…
A noite se abriu em rasgos
Luminosa
E clara
II
Te canto, no infinito te cantarei
Ó sol, ó vento, ó chuva
Que me afagas
No âmago do acaso
Na corrente da essência
Da paz encontrada
E que serenamente
Na cor doce do sorriso
Enlaço
Sabendo-te me saberei
Em cada renascer silente
De asas
III
Me percorres na demora
Do deus que em ti espelha
Luas sóis da memória
No fundo do teu silêncio
Ternos são os afagos
Do vento
Que em traços
De brisa
Me beija
A chuva brotou nos sulcos de um mar
Salgado… sereno
A princípio miudinha, orvalhada
Afagos na areia fina
Que o longe avistava…
A noite se abriu em rasgos
Luminosa
E clara
II
Te canto, no infinito te cantarei
Ó sol, ó vento, ó chuva
Que me afagas
No âmago do acaso
Na corrente da essência
Da paz encontrada
E que serenamente
Na cor doce do sorriso
Enlaço
Sabendo-te me saberei
Em cada renascer silente
De asas
III
Me percorres na demora
Do deus que em ti espelha
Luas sóis da memória
No fundo do teu silêncio
Ternos são os afagos
Do vento
Que em traços
De brisa
Me beija
segunda-feira, setembro 26, 2005
Pinceladas
Não sei se leve a tela e as tintas
E no areal doirado e vasto
Te pinte a cor do sorriso
Não sei se mergulhe em tuas letras
E com a sua intensa beleza
Deslace os nós que sinto
Não sei se desenhe pontos traços
E preencha os espaços
De pirilampos infindos
Mas sei que à noite há fortes passos
Com que o sol reforça os laços
De luar no seu caminho
Que os mares se cobrem d'estrelas
Voando em danças serenas
No fio do paraíso
E no areal doirado e vasto
Te pinte a cor do sorriso
Não sei se mergulhe em tuas letras
E com a sua intensa beleza
Deslace os nós que sinto
Não sei se desenhe pontos traços
E preencha os espaços
De pirilampos infindos
Mas sei que à noite há fortes passos
Com que o sol reforça os laços
De luar no seu caminho
Que os mares se cobrem d'estrelas
Voando em danças serenas
No fio do paraíso
quarta-feira, setembro 21, 2005
Dias Há...
Há dias que se repetem
No ontem de um amanhã
São dias longos, espessos
Não deslaçando a hora
Que no fio do cabelo
Tão moroso e cinzento
Em novelos densos está
Outros porém são vivazes
Plenos de luz e de cores
Qu’em seus bailados eternos
Lançam flores largam véus
São fortes e mui capazes
Entre sorrisos serenos
De cantos que o mundo sente
Dias há de palha verde
Exposta nua aos céus
No ontem de um amanhã
São dias longos, espessos
Não deslaçando a hora
Que no fio do cabelo
Tão moroso e cinzento
Em novelos densos está
Outros porém são vivazes
Plenos de luz e de cores
Qu’em seus bailados eternos
Lançam flores largam véus
São fortes e mui capazes
Entre sorrisos serenos
De cantos que o mundo sente
Dias há de palha verde
Exposta nua aos céus
terça-feira, setembro 20, 2005
Luar de Paz Eterna
Pedaços são veste tuas
Longo verde da matéria
Emoções de noites nuas
Insones palmos de terra
Essência de sol e luz
Numa morte renascida
Em sonhos e descobertas
Breve tão breve o dia
Omitido...Não o esquece
A poesia lendo o poeta
Num luar de paz
Eterna
Longo verde da matéria
Emoções de noites nuas
Insones palmos de terra
Essência de sol e luz
Numa morte renascida
Em sonhos e descobertas
Breve tão breve o dia
Omitido...Não o esquece
A poesia lendo o poeta
Num luar de paz
Eterna
sábado, setembro 17, 2005
Nesta Praia...
Esta praia que afagas
Com teus olhos doces d’água
Em iluminuras mil
Te sabe a cada instante
De ausência e saudade
E canta só para ti
Cada rocha é um suspiro
Cada areia um pão de milho
A concha a sede que matas.
Das algas se tece o leito
E dos sussurros do vento
Se desdobra cada beijo
Em doces nuvens de prata
Dançam flores a contento
Entre as borbulhas de sal.
O sol percorre a estrada
Neste entardecer ameno
Num rubor musical
Nesta praia que enlaças
Gaivota nas tuas asas
Com teus olhos doces d’água
Em iluminuras mil
Te sabe a cada instante
De ausência e saudade
E canta só para ti
Cada rocha é um suspiro
Cada areia um pão de milho
A concha a sede que matas.
Das algas se tece o leito
E dos sussurros do vento
Se desdobra cada beijo
Em doces nuvens de prata
Dançam flores a contento
Entre as borbulhas de sal.
O sol percorre a estrada
Neste entardecer ameno
Num rubor musical
Nesta praia que enlaças
Gaivota nas tuas asas
terça-feira, setembro 13, 2005
Nesta Alvorada
Desdobram-se brilhos essências
Alfazema, rosa, jasmim
Nos braços da alvorada
Espreitando os fios d’água
Das flores do meu jardim
Tudo é paz tudo é clemência
Incenso, alecrim, manjerico
No espaço suave que inspiro
Ondas que teias lançam
E dançam…
Sorrisos
M’ espanto vendo que chegam
Chocolate e a canela
Em rubros azuis de mar
Sensações, um sonho apenas
Nesta alvorada amena
Do meu doce despertar
Alfazema, rosa, jasmim
Nos braços da alvorada
Espreitando os fios d’água
Das flores do meu jardim
Tudo é paz tudo é clemência
Incenso, alecrim, manjerico
No espaço suave que inspiro
Ondas que teias lançam
E dançam…
Sorrisos
M’ espanto vendo que chegam
Chocolate e a canela
Em rubros azuis de mar
Sensações, um sonho apenas
Nesta alvorada amena
Do meu doce despertar
sábado, setembro 10, 2005
Poema Breve
Breve chega o tempo
Que o mar azul mais era
Relembrando, esquecendo
Quando, quanto momento
Em profunda descoberta
Breve foi quem diz que era
Que o mar azul mais era
Relembrando, esquecendo
Quando, quanto momento
Em profunda descoberta
Breve foi quem diz que era
domingo, setembro 04, 2005
Foram Tempos...
Sabias! Tu sabias
Que nada daria certo
Quando colocasses o verbo
No passado, imperfeito
Sabias, sim! Tu sabias
Que as figuras de retórica
Usadas hora após hora
São só dizeres de vento
Mas percebias
Que o povo incauto e sereno
Te seguiria correndo
Onde quer que tu passasses
Ora continuaste
Correndo o mesmo caminho
Por entre a fácil palavra
Espalhando luares, abraços
De maleitas infundadas.
Em horas iluminadas, instigaste
Ao sorriso e à saudade
Com ameaças veladas
E esqueceste
Que o esperar sentada
Foram tempos…
Agora, querido, agora….
Já é tarde!
Que nada daria certo
Quando colocasses o verbo
No passado, imperfeito
Sabias, sim! Tu sabias
Que as figuras de retórica
Usadas hora após hora
São só dizeres de vento
Mas percebias
Que o povo incauto e sereno
Te seguiria correndo
Onde quer que tu passasses
Ora continuaste
Correndo o mesmo caminho
Por entre a fácil palavra
Espalhando luares, abraços
De maleitas infundadas.
Em horas iluminadas, instigaste
Ao sorriso e à saudade
Com ameaças veladas
E esqueceste
Que o esperar sentada
Foram tempos…
Agora, querido, agora….
Já é tarde!
sábado, setembro 03, 2005
Há um mês que navegam no espaço
estes pianos estéreis
pendurados pela cauda uns nos outros
sem remorso
semeando chaves e velhos tecidos de linho
sobre o terreno coberto de cabelos macios
que a electricidade anima.
Os farrapos da cortina tombam
sobre os braços decepados
mas eles voltam como as andorinhas.
Embora as cortinas de fumo persistam
não há qualquer dúvida
mergulham fundo nos números.
De um lado há faróis em Dezembro
e do outro lado
ao fundo da escadaria
há punhais de ouro.
(Poema de ARTUR CRUZEIRO SEIXAS)
pendurados pela cauda uns nos outros
sem remorso
semeando chaves e velhos tecidos de linho
sobre o terreno coberto de cabelos macios
que a electricidade anima.
Os farrapos da cortina tombam
sobre os braços decepados
mas eles voltam como as andorinhas.
Embora as cortinas de fumo persistam
não há qualquer dúvida
mergulham fundo nos números.
De um lado há faróis em Dezembro
e do outro lado
ao fundo da escadaria
há punhais de ouro.
(Poema de ARTUR CRUZEIRO SEIXAS)
terça-feira, agosto 30, 2005
Todo o Mundo Faz...
"Isso não se faz, mas todo mundo faz...
Na estrada, o policial rodoviário manda parar um carro.
O motorista lhe entrega os documentos do veículo, sua
carteira de habilitação e uma nota de 50 reais.
O motorista sabe que isso não se faz,
mas como todo mundo faz...
Nas bilheterias do show não há mais ingressos à venda.
Um casal que chega muito atrasado procura o encarregado
da segurança do show e oferece-lhe uma generosa gratifica-
ção para entrar pelo portão dos convidados.
O casal e o encarregado sabem que isso não se faz,
mas como todo mundo faz...
No consultório médico, o cliente pede que a recepcionista
lhe passe um recibo com valor maior do que o pago pela con-
sulta, para ter um reembolso maior do convênio médico.
Ambos sabem que isso não se faz, mas como todo mundo faz...
Na loja de artigos importados, os produtos vêm de um forne-
cedor milagroso, que lhe cobra metade do preço da concor-
rência e até dá notas fiscais. O lojista suspeita que o
negócio do fornecedor tem algo de ilegal, mas continua com-
prando dele.
Sabe que isso não se faz, mas o camelô faz, a dona da loja
de luxo faz, todo mundo faz...
Na televisão, o Presidente da República admite que seu par-
tido não declara a origem de todos os recursos que financiam
suas campanhas.
Diz que isso não se faz, mas como todo mundo faz...
Estamos todos muito indignados com as denúncias de corrupção
que varrem o Brasil. Para mim, o que acontece no Planalto é
um reflexo do que acontece na planície, em nossas casas.
Se quisermos que o país mude, temos de rever nossos conceitos,
refletir sobre nossas condutas, analisar em que aspectos de
nossa vida estamos sendo corruptíveis e pensar em maneiras
de mudar isso.
Por isso é que eu digo:
NADA MUDA ENQUANTO A GENTE NÃO MUDAR!!!"
(Mail recebido do Brasil)
Na estrada, o policial rodoviário manda parar um carro.
O motorista lhe entrega os documentos do veículo, sua
carteira de habilitação e uma nota de 50 reais.
O motorista sabe que isso não se faz,
mas como todo mundo faz...
Nas bilheterias do show não há mais ingressos à venda.
Um casal que chega muito atrasado procura o encarregado
da segurança do show e oferece-lhe uma generosa gratifica-
ção para entrar pelo portão dos convidados.
O casal e o encarregado sabem que isso não se faz,
mas como todo mundo faz...
No consultório médico, o cliente pede que a recepcionista
lhe passe um recibo com valor maior do que o pago pela con-
sulta, para ter um reembolso maior do convênio médico.
Ambos sabem que isso não se faz, mas como todo mundo faz...
Na loja de artigos importados, os produtos vêm de um forne-
cedor milagroso, que lhe cobra metade do preço da concor-
rência e até dá notas fiscais. O lojista suspeita que o
negócio do fornecedor tem algo de ilegal, mas continua com-
prando dele.
Sabe que isso não se faz, mas o camelô faz, a dona da loja
de luxo faz, todo mundo faz...
Na televisão, o Presidente da República admite que seu par-
tido não declara a origem de todos os recursos que financiam
suas campanhas.
Diz que isso não se faz, mas como todo mundo faz...
Estamos todos muito indignados com as denúncias de corrupção
que varrem o Brasil. Para mim, o que acontece no Planalto é
um reflexo do que acontece na planície, em nossas casas.
Se quisermos que o país mude, temos de rever nossos conceitos,
refletir sobre nossas condutas, analisar em que aspectos de
nossa vida estamos sendo corruptíveis e pensar em maneiras
de mudar isso.
Por isso é que eu digo:
NADA MUDA ENQUANTO A GENTE NÃO MUDAR!!!"
(Mail recebido do Brasil)
quarta-feira, agosto 24, 2005
Vem...
Vem… a minha mão segura e caminha
Juntos procuremos a ternura do sorriso
Que se escondeu algures no tempo
No negro das cinzas
Sem música, sem brilho
Vem… sem temor nem medo
Meus braços são o apoio que precisas
Meus ombros o recosto, a carícia
Meu regaço a flor aberta
Que em candura mui certa
Tua mente descansa e deleita
Eu sei que árduo é o caminho
Com escolhos e densos trilhos
O silêncio com seus mantos floridos
Foi nossa concha, nosso abrigo
A voz cantante na solidão
Desfolhando florestas e mares
Sóis, estrelas, a cor de luares
E seus dispersos destinos
Mas vem… segura a mão
Que serenamente
Estendo
Juntos procuremos a ternura do sorriso
Que se escondeu algures no tempo
No negro das cinzas
Sem música, sem brilho
Vem… sem temor nem medo
Meus braços são o apoio que precisas
Meus ombros o recosto, a carícia
Meu regaço a flor aberta
Que em candura mui certa
Tua mente descansa e deleita
Eu sei que árduo é o caminho
Com escolhos e densos trilhos
O silêncio com seus mantos floridos
Foi nossa concha, nosso abrigo
A voz cantante na solidão
Desfolhando florestas e mares
Sóis, estrelas, a cor de luares
E seus dispersos destinos
Mas vem… segura a mão
Que serenamente
Estendo
quinta-feira, agosto 18, 2005
O Gato
Bradam melros, cotovias
e até as próprias tias
atando as mãos à cabeça:
“Valha-me Deus, que tristeza!
Não é que o marau do gato
tão bonito e aperaltado
foi cair da janela?!”
“ A história, vai por mim…”
dizem o Zé mais o Quim
merceeiros da esquina
que passam o dia na fina
ombreira da porta a ver
as garotas que passam
e querem tudo saber
da vida da vizinhança,
“…o gato lãzudo veio
deitar-se no parapeito
da janela. Até que a gata
da Micas surgiu escovada
luzidia e perfumada
na escada de incêndio.
Vai daí, o gato um olho abriu
arrebitou uma orelha e sorriu:
‘mas que compêndio!...’
P’ra mostrar quão forte era
e para atrair a donzela
deu um salto mortal…
Não correu bem, afinal!
Pois uma rajada de vento
passou naquele momento
e ele voou uns cinco…dez metros
pr’ à copa da árvore mais perto
e lá ficou miando… quieto…
Enquanto a gata da Micas
rebolando o quadril, roliça
lhe atirava um beijo
e dizia: ‘é bem feito!...
p’ra não te armares em esperto!’ “
e até as próprias tias
atando as mãos à cabeça:
“Valha-me Deus, que tristeza!
Não é que o marau do gato
tão bonito e aperaltado
foi cair da janela?!”
“ A história, vai por mim…”
dizem o Zé mais o Quim
merceeiros da esquina
que passam o dia na fina
ombreira da porta a ver
as garotas que passam
e querem tudo saber
da vida da vizinhança,
“…o gato lãzudo veio
deitar-se no parapeito
da janela. Até que a gata
da Micas surgiu escovada
luzidia e perfumada
na escada de incêndio.
Vai daí, o gato um olho abriu
arrebitou uma orelha e sorriu:
‘mas que compêndio!...’
P’ra mostrar quão forte era
e para atrair a donzela
deu um salto mortal…
Não correu bem, afinal!
Pois uma rajada de vento
passou naquele momento
e ele voou uns cinco…dez metros
pr’ à copa da árvore mais perto
e lá ficou miando… quieto…
Enquanto a gata da Micas
rebolando o quadril, roliça
lhe atirava um beijo
e dizia: ‘é bem feito!...
p’ra não te armares em esperto!’ “
domingo, agosto 14, 2005
Escada de Pedrarias
Uma escada suspensa no pátio havia
Em pedrarias tecida.
De um lado a relva fôfa
Convidativa
No outro o azul da água
Que serena se mexia.
Os pássaros afinavam
Em suaves trinados
Saint-Saens e Stravinsky
Enquanto
Com seus gritos alucinantes
Dançava um fantasma
À luz do dia
Tentando
Retirar da escada a alegria
O brilho das pedrarias.
Nos passos do silêncio da noite
Chegavam o verde-azul das mãos
Que o sorriso lhe estendiam.
Pousava docemente
E então
Adormecia…
Em pedrarias tecida.
De um lado a relva fôfa
Convidativa
No outro o azul da água
Que serena se mexia.
Os pássaros afinavam
Em suaves trinados
Saint-Saens e Stravinsky
Enquanto
Com seus gritos alucinantes
Dançava um fantasma
À luz do dia
Tentando
Retirar da escada a alegria
O brilho das pedrarias.
Nos passos do silêncio da noite
Chegavam o verde-azul das mãos
Que o sorriso lhe estendiam.
Pousava docemente
E então
Adormecia…
sábado, agosto 13, 2005
She
She is so pious
She is so modest
She is so daring
When she out of home
When she is on the way her school
When she is on her duty
She looks like so calm
She faces unscrupulous
She hears unscrupulous
She faces day trials
She looks like so calm
To realize her past
Her ignorance was blamed
Her ignorance is blamed
Though Eve's ignorance was written
She was so innocent
She is so innocent
I don't know her abode
I don't know her name
Though she is living around
She is Eve's daughter.
She is so pious
She is so modest
She is so daring
Rashid Ahmed
She is so modest
She is so daring
When she out of home
When she is on the way her school
When she is on her duty
She looks like so calm
She faces unscrupulous
She hears unscrupulous
She faces day trials
She looks like so calm
To realize her past
Her ignorance was blamed
Her ignorance is blamed
Though Eve's ignorance was written
She was so innocent
She is so innocent
I don't know her abode
I don't know her name
Though she is living around
She is Eve's daughter.
She is so pious
She is so modest
She is so daring
Rashid Ahmed
quinta-feira, agosto 11, 2005
Hoje...
Hoje
Nasci no silêncio duma casa abandonada.
Me agitei, percorri espaços preocupada
Pelas vozes que gritavam.
São tantas as vozes que me falam
Em sinais tão diferentes…
Hoje
Entrei no carro e surgiu Mozart do nada
Na Antena dois.
O caminho delineado estava cortado.
Segui em frente
Para onde a luz me aguardava…
Mas hoje
De repente
Fui abalroada
Por uma montanha viva
De palavras…
Nasci no silêncio duma casa abandonada.
Me agitei, percorri espaços preocupada
Pelas vozes que gritavam.
São tantas as vozes que me falam
Em sinais tão diferentes…
Hoje
Entrei no carro e surgiu Mozart do nada
Na Antena dois.
O caminho delineado estava cortado.
Segui em frente
Para onde a luz me aguardava…
Mas hoje
De repente
Fui abalroada
Por uma montanha viva
De palavras…
segunda-feira, agosto 08, 2005
Amor p'ra além da Hora
Quisera teus olhos ser
Meu amor p’ra além da Hora
Em narcisos renascer
aqui, agora
Carícias em gotas da flor
De seda
Quisera cobrir-te de estrelas
Sobre o mar em calmaria
Nesse azul tão belo, tão certo
E mostrar-te o momento
Que a lua nele se deita
E inda…
É dia
Quisera que as sombras dispersas
Na procura da rua, do caminho
Não fossem partidos espelhos
Que pelo espaço buscas
Em madrugadas
Insones
Sozinho
Quisera cantar-te o verde
Da relva fofa, luzidia
Das medas, do trigo, da fonte
As cores que tu bebias
Na avidez da sede
Da solidão que
Previas
Quisera com ternura amar-te
E docemente sonhar-te
Muito p’ra além do poema
Na dualidade do tema
Vasto
E ofertar-te
Meu sorriso
Apenas
Meu amor p’ra além da Hora
Em narcisos renascer
aqui, agora
Carícias em gotas da flor
De seda
Quisera cobrir-te de estrelas
Sobre o mar em calmaria
Nesse azul tão belo, tão certo
E mostrar-te o momento
Que a lua nele se deita
E inda…
É dia
Quisera que as sombras dispersas
Na procura da rua, do caminho
Não fossem partidos espelhos
Que pelo espaço buscas
Em madrugadas
Insones
Sozinho
Quisera cantar-te o verde
Da relva fofa, luzidia
Das medas, do trigo, da fonte
As cores que tu bebias
Na avidez da sede
Da solidão que
Previas
Quisera com ternura amar-te
E docemente sonhar-te
Muito p’ra além do poema
Na dualidade do tema
Vasto
E ofertar-te
Meu sorriso
Apenas
sexta-feira, agosto 05, 2005
Sinfonia Salgada
São tempos e contra-tempos
Musicalidade salgada
Notas que o éter abraça
Em mar calmo e turbulento
É um navio que pára
Ouvindo o som das notas loucas
E se atrasa
Dançam violinos, trompetes
Flautas, tubas, clarinetes
Soltando estrelas no ar
Com rasto de brilho…são cometas
Esvoaçando em horas poucas
Se desfazendo no mar
Em frente
Do navio que parado está
Pautas em bailes tresloucados
Pintam claves de sol e de fá
Agarram as cores soltas
Que nuas, incautas, tontas
Riem na espuma da onda
Que a rocha faz
Serenamente
Em laços de flores musicados
Envolvendo o navio
Que foi… que ia…
Compondo assim a sinfonia
Salgada
Musicalidade salgada
Notas que o éter abraça
Em mar calmo e turbulento
É um navio que pára
Ouvindo o som das notas loucas
E se atrasa
Dançam violinos, trompetes
Flautas, tubas, clarinetes
Soltando estrelas no ar
Com rasto de brilho…são cometas
Esvoaçando em horas poucas
Se desfazendo no mar
Em frente
Do navio que parado está
Pautas em bailes tresloucados
Pintam claves de sol e de fá
Agarram as cores soltas
Que nuas, incautas, tontas
Riem na espuma da onda
Que a rocha faz
Serenamente
Em laços de flores musicados
Envolvendo o navio
Que foi… que ia…
Compondo assim a sinfonia
Salgada
quarta-feira, agosto 03, 2005
Olá, Meus Amigos
Meus Amigos... O baile continua
Olá Meus Amigos
Peço-vos muitas desculpas pela minha ausência, mas não
estão esquecidos, amigos.
Tenho andado com problemas nas ligações à net e ao msn,
pelo que tvos peço que temporariamente não me enviem mais
mails, especialmente pesados, porque tenho imensa dificuldade
em abrir o MSN e a Net.
Nem entrar nos blogs tenho conseguido, apesar das inúmeras reclamações
com que tenho enchido a ADSL.
A resposta que me dão é que a chamada ficou retida no servidor (acreditam????)
Se assim for é muito grave.
Creio que estão e brincar comigo, pois para conseguir entrar nos mails ou
abrir a net (que aparentemente está sempre on-line), tenho de continuamente
fazer o restart, e mesmo assim por um curto espaço de tempo.
Espero a vossa compreensão pois são situações que me ultrapassam.
Bjokas grandes e desculpem a ausência involuntária
Amita ( Fátima)
Olá Meus Amigos
Peço-vos muitas desculpas pela minha ausência, mas não
estão esquecidos, amigos.
Tenho andado com problemas nas ligações à net e ao msn,
pelo que tvos peço que temporariamente não me enviem mais
mails, especialmente pesados, porque tenho imensa dificuldade
em abrir o MSN e a Net.
Nem entrar nos blogs tenho conseguido, apesar das inúmeras reclamações
com que tenho enchido a ADSL.
A resposta que me dão é que a chamada ficou retida no servidor (acreditam????)
Se assim for é muito grave.
Creio que estão e brincar comigo, pois para conseguir entrar nos mails ou
abrir a net (que aparentemente está sempre on-line), tenho de continuamente
fazer o restart, e mesmo assim por um curto espaço de tempo.
Espero a vossa compreensão pois são situações que me ultrapassam.
Bjokas grandes e desculpem a ausência involuntária
Amita ( Fátima)
domingo, julho 31, 2005
Fado ou Sina
Será fado? Será sina?
Talvez alguma mezinha
colocada no café.
Uma reza de santo
sentada ou de pé.
Quem sabe um mero encanto
feito por encomenda
que a publicidade tenta
muita gente, incauta e lerda,
em caminhos do acaso.
Outros, mui bem pensados
em escrita medicados...
Tudo, mas tudo por bem.
O fado dolente, cantado
na voz que saber se sabia,
é aquilo - quem diria? -
que se usa e não se tem.
Ora a outra, a dita sina
seja longa, curta, fina,
até de certa espessura,
que se sabe e não se vê,
ou se tem e não se usa.
E é neste encantamento
que o fado e a sina aliados
fazem traços já traçados
em rotas d’esquecimento
apagando o que se lê.
Poema in "Transparência de Ser"
Talvez alguma mezinha
colocada no café.
Uma reza de santo
sentada ou de pé.
Quem sabe um mero encanto
feito por encomenda
que a publicidade tenta
muita gente, incauta e lerda,
em caminhos do acaso.
Outros, mui bem pensados
em escrita medicados...
Tudo, mas tudo por bem.
O fado dolente, cantado
na voz que saber se sabia,
é aquilo - quem diria? -
que se usa e não se tem.
Ora a outra, a dita sina
seja longa, curta, fina,
até de certa espessura,
que se sabe e não se vê,
ou se tem e não se usa.
E é neste encantamento
que o fado e a sina aliados
fazem traços já traçados
em rotas d’esquecimento
apagando o que se lê.
Poema in "Transparência de Ser"
sexta-feira, julho 29, 2005
Tons de Tango
Ao som de um tango te bebo
Te enrolo no segredo
De um abraço
Não deslaço e estremeço
Colada em teu corpo vagueio
Em rubros frémitos. Entonteço
Por ti deslizo
Contorciono e revolteio
Nos balanços de dança te sigo
A flor que meus seios domina
Desfaz os longos cabelos
E caminha colorida
Sabor em gotas de água salgada
Formas de fogo espiraladas
Que sorvo partindo medos
São tons de tango que bebo
Te enrolo no segredo
De um abraço
Não deslaço e estremeço
Colada em teu corpo vagueio
Em rubros frémitos. Entonteço
Por ti deslizo
Contorciono e revolteio
Nos balanços de dança te sigo
A flor que meus seios domina
Desfaz os longos cabelos
E caminha colorida
Sabor em gotas de água salgada
Formas de fogo espiraladas
Que sorvo partindo medos
São tons de tango que bebo
segunda-feira, julho 25, 2005
Entretanto...
Não existo entre a gente que passa
Sou a solidão da palavra
Ausente… em nada
Não percorro me quedo silente
No tempo que passar não passa
Em horas delineadas
Não sou traço sou um ponto
Que vagueia pelo espaço
De tão rodar na palavra
Fico tonta espiralada
Nada sou nada condiz
Nestes tempos avançados
M’espanto com quem me diz
Que o luar existe iluminado
Que o mar ondeia seu canto
Que o sol dá luz e quebranto
E entretanto
Me meto na concha fechada
Sou a solidão da palavra
Ausente… em nada
Não percorro me quedo silente
No tempo que passar não passa
Em horas delineadas
Não sou traço sou um ponto
Que vagueia pelo espaço
De tão rodar na palavra
Fico tonta espiralada
Nada sou nada condiz
Nestes tempos avançados
M’espanto com quem me diz
Que o luar existe iluminado
Que o mar ondeia seu canto
Que o sol dá luz e quebranto
E entretanto
Me meto na concha fechada
sábado, julho 23, 2005
Em Noites Enluaradas
Em todas as noites enluaradas
Deste Verão escaldante
Passaram fogos espadas
Pelo meu corpo em marcas
De sóis desdizentes
Jamais penseis
Que se de cegueira me vesti
E me adornei
Foi porque de ilusões vivi
Contente
Estrelas mares desertos
Orvalhos brilhos e barcos
É tudo o que está certo
No percurso d’ estilhaços
Da vida
Dentro de nós sentida
Meu lema é paz alegria
Amenidade entre a gente
Lutando serenamente
O sorriso doce expandia
Cerrando a tempestade
Que planando nas árvores
Cinzas previa
Entre fogos espadas
De noites enluaradas
Deste Verão escaldante
Passaram fogos espadas
Pelo meu corpo em marcas
De sóis desdizentes
Jamais penseis
Que se de cegueira me vesti
E me adornei
Foi porque de ilusões vivi
Contente
Estrelas mares desertos
Orvalhos brilhos e barcos
É tudo o que está certo
No percurso d’ estilhaços
Da vida
Dentro de nós sentida
Meu lema é paz alegria
Amenidade entre a gente
Lutando serenamente
O sorriso doce expandia
Cerrando a tempestade
Que planando nas árvores
Cinzas previa
Entre fogos espadas
De noites enluaradas
sexta-feira, julho 22, 2005
Amigos
Nestes últimos 3 dias a ADSL tem cortado a minha ligação
à net (erro 678).
Gentilmente deixam-me ficar on line em espaços de 3 minutos,
por vezes, o que me impossibilita agradecer e visitar-vos.
A última informação que me deram foi que possivelmente
teria de chamar a PT para resolver este problema.
Aproveito para agradecer a todos o carinho que me têm dispensado.
Um bom fim-de-semana a todos.
Até breve, espero!
à net (erro 678).
Gentilmente deixam-me ficar on line em espaços de 3 minutos,
por vezes, o que me impossibilita agradecer e visitar-vos.
A última informação que me deram foi que possivelmente
teria de chamar a PT para resolver este problema.
Aproveito para agradecer a todos o carinho que me têm dispensado.
Um bom fim-de-semana a todos.
Até breve, espero!
segunda-feira, julho 18, 2005
Por vezes o Poema
Por vezes passa o poema vergado de horas
Um mundo passado exausto de estrelas
Seus ramos caídos em cinza folhas
Desliza um Inverno de seiva mui lenta
De timidez arrojada corre também sua voz
Num leito verde em chão de água,
Comportas, se abertas são fechadas,
Não vá o caminhante barco chegar à foz
Às vezes o poema é mordaz ou pensativo
Na fluência da palavra imaginada
Brotando fluorescências em escada
De música suave, agitada por quem ouvido
Se o poema é nu um doce sorriso espraia
Em mil flores, brilhos, amores serenos,
Mãos, olhos doces qu’enlaçando s'espalham
No pêndulo dos braços, em tempo ameno
Em azul se sabe,
Por vezes…
Poema in "Transparência de Ser"
Um mundo passado exausto de estrelas
Seus ramos caídos em cinza folhas
Desliza um Inverno de seiva mui lenta
De timidez arrojada corre também sua voz
Num leito verde em chão de água,
Comportas, se abertas são fechadas,
Não vá o caminhante barco chegar à foz
Às vezes o poema é mordaz ou pensativo
Na fluência da palavra imaginada
Brotando fluorescências em escada
De música suave, agitada por quem ouvido
Se o poema é nu um doce sorriso espraia
Em mil flores, brilhos, amores serenos,
Mãos, olhos doces qu’enlaçando s'espalham
No pêndulo dos braços, em tempo ameno
Em azul se sabe,
Por vezes…
Poema in "Transparência de Ser"
sábado, julho 16, 2005
Uma pequena luz
Há uma luz num rochedo esbatido
Que continua a brilhar
Soltando muito a medo
Frágeis raios para o mar
Que a rodeia
Lhe enleia
Sentidos
Um barco d’água à deriva levando
Etéreas nuvens de carinho
Espalhando pétalas de rosa
Melodiosas
O barco trilhos abrindo
Sozinho…
Uma montanha de fogo havia
No mar das flores explodia
Era tão cinza e escura
Que o verde que a cobria
Desfez-se na noite dura
A pequena luz tremeluzente
Que na rocha está sentada
Abraça nuvens o barco d’água
A montanha cinza ardente
E mui doce serenamente
Sorri p’ràs estrelas orvalhada
E murmurando diz: É p’rà frente
O caminho que sentes…
Que continua a brilhar
Soltando muito a medo
Frágeis raios para o mar
Que a rodeia
Lhe enleia
Sentidos
Um barco d’água à deriva levando
Etéreas nuvens de carinho
Espalhando pétalas de rosa
Melodiosas
O barco trilhos abrindo
Sozinho…
Uma montanha de fogo havia
No mar das flores explodia
Era tão cinza e escura
Que o verde que a cobria
Desfez-se na noite dura
A pequena luz tremeluzente
Que na rocha está sentada
Abraça nuvens o barco d’água
A montanha cinza ardente
E mui doce serenamente
Sorri p’ràs estrelas orvalhada
E murmurando diz: É p’rà frente
O caminho que sentes…
terça-feira, julho 12, 2005
Caminho o Tempo
Procuro-te em poesia de letras
Memórias de tempos recentes
Racionalizo passados de curto vento
Agora peso avalio entendo
Porquê em pesares existentes
Interrogo-te nas palavras do silêncio
Transmutação de estrelas cadentes
Antes brilhantes luzentes
Em mortes camufladas e te sinto
Os sonhos desfeitos de nadas
Percorro-te em negra chuva a estrada
Que bebes em gotas d’água.
Ao som de teclas que pinto
Com Grieg danço
A doçura o encanto
Da verdade
O tempo que está comigo
Na serenidade
Do sorriso
Memórias de tempos recentes
Racionalizo passados de curto vento
Agora peso avalio entendo
Porquê em pesares existentes
Interrogo-te nas palavras do silêncio
Transmutação de estrelas cadentes
Antes brilhantes luzentes
Em mortes camufladas e te sinto
Os sonhos desfeitos de nadas
Percorro-te em negra chuva a estrada
Que bebes em gotas d’água.
Ao som de teclas que pinto
Com Grieg danço
A doçura o encanto
Da verdade
O tempo que está comigo
Na serenidade
Do sorriso
sábado, julho 09, 2005
Nesta quentura do dia
É o leite o café da manhã
Uma toalha de linho
O dizer amo-te baixinho
Na Aurora que vai tarde
Em aroma de chocolate
É laranja lima limão
Em refrescos que os dão
Nesta quentura do dia
O que quero é tangerina
Nesta pura fantasia
De quem sequiosa espera
Uma brisa
Uma toalha de linho
O dizer amo-te baixinho
Na Aurora que vai tarde
Em aroma de chocolate
É laranja lima limão
Em refrescos que os dão
Nesta quentura do dia
O que quero é tangerina
Nesta pura fantasia
De quem sequiosa espera
Uma brisa
quarta-feira, julho 06, 2005
Uma Casa de Pedra
É uma casa singela
Uma casa minhota
De pedra
Térrea
Profusos verdes a abraçam
Arbustos, árvores, a horta
E cantam
Aves
Canteiros de flores num laço
A rodeiam… num abraço
Doce, ameno
De cores
Interior de branco tranquilo
Em cada canto melodias
O eterno abrigo
Da palavra
Quem vem aflito sempre encontra
À porta, um sorriso, a gentileza
A lareira acesa
O brilho
É uma casa minhota de pedra
Onde a verdade térrea habita
E que caminha
Serena
Uma casa minhota
De pedra
Térrea
Profusos verdes a abraçam
Arbustos, árvores, a horta
E cantam
Aves
Canteiros de flores num laço
A rodeiam… num abraço
Doce, ameno
De cores
Interior de branco tranquilo
Em cada canto melodias
O eterno abrigo
Da palavra
Quem vem aflito sempre encontra
À porta, um sorriso, a gentileza
A lareira acesa
O brilho
É uma casa minhota de pedra
Onde a verdade térrea habita
E que caminha
Serena
domingo, julho 03, 2005
Caixinha do labor
Neste ponto colorido eu canto
Toada em folhas de Sol
Com verde e amarelo
Que encontrei no recanto
Da caixinha do labor
Singelo
Canto ao sorriso o calor
Hora sem tempo passado
Ao trabalho elaborado
Com carinho e amor
Em brancas penas deixado
Ao fio que a tela tecia
À garra visão amizade
Música que soa baixinho
Em ternura e carinho
E parto ao fim do dia
Enlaço serenidade
Toada em folhas de Sol
Com verde e amarelo
Que encontrei no recanto
Da caixinha do labor
Singelo
Canto ao sorriso o calor
Hora sem tempo passado
Ao trabalho elaborado
Com carinho e amor
Em brancas penas deixado
Ao fio que a tela tecia
À garra visão amizade
Música que soa baixinho
Em ternura e carinho
E parto ao fim do dia
Enlaço serenidade
quinta-feira, junho 30, 2005
Em minhas penas...
Leve aragem me afaga as penas
Quando plano sobre o mar
Azul intenso em íris de ouro
Um espelho do meu voo
Nas minhas asas serenas
Terno sorriso espalho num canto
De doces flores musicais
São cravos, rosas, jasmim
Qu’envolvo num manto sem fim
E as penas vão transformando
Em sonoridades tais
Que o carinho, a ternura
Aquela ilusão que perdura,
Forma cambiantes de cores
Em laços, pontes, abraços
Infinitos luzentes amores
Que em minhas penas enlaço
Quando plano sobre o mar
Azul intenso em íris de ouro
Um espelho do meu voo
Nas minhas asas serenas
Terno sorriso espalho num canto
De doces flores musicais
São cravos, rosas, jasmim
Qu’envolvo num manto sem fim
E as penas vão transformando
Em sonoridades tais
Que o carinho, a ternura
Aquela ilusão que perdura,
Forma cambiantes de cores
Em laços, pontes, abraços
Infinitos luzentes amores
Que em minhas penas enlaço
quinta-feira, junho 23, 2005
Um perfume que a noite transporta
Um perfume subtil a noite transporta.
Adormecida em ventre d’água
Há uma voz qu’insone me clama
Em saudade orvalhada
É um aroma cobalto, anil
Em sua concha nacarada
Que me chama do meu leito
Onde me recosto, me deito
Em sonoridades mil
Sob os lençóis me viro, agito
Os braços estendo, encolho
Abraçando a voz em cantos
Intermitentes espaços qu’envolvo
Enlaço e penso: foi mais um sonho!
Mas como explico
O aroma que fica pairando …
Adormecida em ventre d’água
Há uma voz qu’insone me clama
Em saudade orvalhada
É um aroma cobalto, anil
Em sua concha nacarada
Que me chama do meu leito
Onde me recosto, me deito
Em sonoridades mil
Sob os lençóis me viro, agito
Os braços estendo, encolho
Abraçando a voz em cantos
Intermitentes espaços qu’envolvo
Enlaço e penso: foi mais um sonho!
Mas como explico
O aroma que fica pairando …
domingo, junho 19, 2005
Um Jardim, uma Rosa, um Lago...
Um jardim, uma rosa, um lago
É um oásis na cidade fremente
Que passa do outro lado
Em muros, asfaltos, ausente….
Jardim de aves levíssimas
Musicado de verde
É um relógio suspenso…
Rosa irisada pelo sol doirado
Solitária na cadência do dia.
É uma palavra nua, infinda…
Lago azul de dançantes seres
Vogando em pontes laços abrigos.
É água de serenos sorrisos
Que somente
Na fragilidade do tempo
Tudo vê e tudo sente.
É a sensibilidade isolada
Entre a cidade correndo…
É um oásis na cidade fremente
Que passa do outro lado
Em muros, asfaltos, ausente….
Jardim de aves levíssimas
Musicado de verde
É um relógio suspenso…
Rosa irisada pelo sol doirado
Solitária na cadência do dia.
É uma palavra nua, infinda…
Lago azul de dançantes seres
Vogando em pontes laços abrigos.
É água de serenos sorrisos
Que somente
Na fragilidade do tempo
Tudo vê e tudo sente.
É a sensibilidade isolada
Entre a cidade correndo…
quarta-feira, junho 15, 2005
Rosto d'Água
Nesta quentura do dia, passa leve
um sopro de vento em massagem.
Deitado o meu corpo deliciado
o sol enleia em beijos m’afaga
Um calor arrepiado me invade
transporta p’ra outros mundos
distantes e mui profundos
que o tempo viu de passagem
Com tanta ternura, eu corro
e me banho em águas claras
Suas mãos m’agarram a cintura
puxam e me enlaçam
com serena candura
bebem a essência a pele
os poros dos longos cabelos
que se espalham
em teu peito
rosto d’água
um sopro de vento em massagem.
Deitado o meu corpo deliciado
o sol enleia em beijos m’afaga
Um calor arrepiado me invade
transporta p’ra outros mundos
distantes e mui profundos
que o tempo viu de passagem
Com tanta ternura, eu corro
e me banho em águas claras
Suas mãos m’agarram a cintura
puxam e me enlaçam
com serena candura
bebem a essência a pele
os poros dos longos cabelos
que se espalham
em teu peito
rosto d’água
terça-feira, junho 14, 2005
Verdes Canções em Flores
Verdes, verdes são os sentimentos
Que vagueiam pelo mar
Jangadas plenas de gente abraçadas
Ao mastro sem velas em fios de luar
Estrelas encantadas de dores
Que em verdes pradarias se deleitam
No cinza do entardecer que em breve
A noite abraça, enfeita
De verde em verde cobertas não sentem
O azul que se estende p’ra lá da floresta
Partículas de areia orvalhadas
Percorrendo encantadas o deserto
Que as rodeia
Verdes canções em flores
Que vagueiam pelo mar
Jangadas plenas de gente abraçadas
Ao mastro sem velas em fios de luar
Estrelas encantadas de dores
Que em verdes pradarias se deleitam
No cinza do entardecer que em breve
A noite abraça, enfeita
De verde em verde cobertas não sentem
O azul que se estende p’ra lá da floresta
Partículas de areia orvalhadas
Percorrendo encantadas o deserto
Que as rodeia
Verdes canções em flores
sábado, junho 11, 2005
Os quatro elementos
Escrevo sonhos de Fogo, labaredas
De palavras sem letras
Dualidade em flores de vento
Mui ledas
Madrugadas, brisas, momento
Escrevo a Água, ondina transmutada
Rio, catarata ou lago
Mantos espelhados, o afago
E entoo encantada
Sonoridades que trago
Escrevo em formas de azul o Ar
Voos suaves desenhados
Espirais a planar
Anseios, perdição d’ amores
Ilusão em tábua de cores
Navios de tons irisados
Escrevo a paixão da Terra, o sentir
O ideal desejado
No beija-flor simbolizado
Componho, enfim, a Natureza
Que num sorriso de tristeza
Teme, receia o provir
De palavras sem letras
Dualidade em flores de vento
Mui ledas
Madrugadas, brisas, momento
Escrevo a Água, ondina transmutada
Rio, catarata ou lago
Mantos espelhados, o afago
E entoo encantada
Sonoridades que trago
Escrevo em formas de azul o Ar
Voos suaves desenhados
Espirais a planar
Anseios, perdição d’ amores
Ilusão em tábua de cores
Navios de tons irisados
Escrevo a paixão da Terra, o sentir
O ideal desejado
No beija-flor simbolizado
Componho, enfim, a Natureza
Que num sorriso de tristeza
Teme, receia o provir
quarta-feira, junho 08, 2005
Rasgos
Sem o esse é o eu no presente
Do verbo interiorizado
Em delírios afastado, isolado
Dos afazeres da mente
Memórias abertas em horas, instantes
Tapetes de veludo, flores de ilusões
Um sonho caminhante em fracções
Formas espiraladas de cores difusas
Desnudas, obtusas em linhas traçadas
Que em mantos o vento apaga
Folhas de água em máscaras
Histórias passadas dementes
Sonhos constantes presentes
Em lonjuras asfaltadas correndo
Um partir longo demorado lento
Um chegar brusco de cores confuso
Aromas, perfumes que se evolam
Em essências serenas.
Rasgos: A quadratura circular do tempo
Do verbo interiorizado
Em delírios afastado, isolado
Dos afazeres da mente
Memórias abertas em horas, instantes
Tapetes de veludo, flores de ilusões
Um sonho caminhante em fracções
Formas espiraladas de cores difusas
Desnudas, obtusas em linhas traçadas
Que em mantos o vento apaga
Folhas de água em máscaras
Histórias passadas dementes
Sonhos constantes presentes
Em lonjuras asfaltadas correndo
Um partir longo demorado lento
Um chegar brusco de cores confuso
Aromas, perfumes que se evolam
Em essências serenas.
Rasgos: A quadratura circular do tempo
segunda-feira, junho 06, 2005
Entre Tempos
Uma prata imensa espelhada
Desdobrando, se desfazendo
São núvens brancas em tumulto
Um rugido, um grito, uma voz
Incontrolável, poderosa
Em que me sento…
Extasiada
Em rajadas e sibilos respondendo
Surge o vento
Arrastando tudo ao redor
Altera dunas, escarpas
Dançam areias desgovernadas
E dançamos
Nós
Entre forças, ilações e razões
Pelo poder espacial
Está a singela ampulheta
Mui serena
Aprendendo
Lendo o tempo
Que nos seus dedos desfia
e… sorria…
Promessas? Onde? Afinal…
Desdobrando, se desfazendo
São núvens brancas em tumulto
Um rugido, um grito, uma voz
Incontrolável, poderosa
Em que me sento…
Extasiada
Em rajadas e sibilos respondendo
Surge o vento
Arrastando tudo ao redor
Altera dunas, escarpas
Dançam areias desgovernadas
E dançamos
Nós
Entre forças, ilações e razões
Pelo poder espacial
Está a singela ampulheta
Mui serena
Aprendendo
Lendo o tempo
Que nos seus dedos desfia
e… sorria…
Promessas? Onde? Afinal…
sábado, junho 04, 2005
A parte de um todo
Tudo o que se espalha se move. Às vezes
Espalhando imóvel se queda.
Olhos do pensamento que passa, leve
Correndo por atalhos de momento
Breve
Tudo que vibra é sintonia musical. Contudo
Vibrando descompassado é mudo
No final. Um saber angustiado não vê.
Ternura dum livro aberto que perto
Não lê
Tudo que se parte se estilhaça. Embora
Partindo cada parte seja um todo
Sem demora. Milhares de vidas unidas
São: a hora, a força, a vontade que enlaça
Cantigas…
Espalhando imóvel se queda.
Olhos do pensamento que passa, leve
Correndo por atalhos de momento
Breve
Tudo que vibra é sintonia musical. Contudo
Vibrando descompassado é mudo
No final. Um saber angustiado não vê.
Ternura dum livro aberto que perto
Não lê
Tudo que se parte se estilhaça. Embora
Partindo cada parte seja um todo
Sem demora. Milhares de vidas unidas
São: a hora, a força, a vontade que enlaça
Cantigas…
quarta-feira, junho 01, 2005
Em voo silente
Há uma canção que passa
por mim na brisa silente
e que me enlaça
ternamente
É um canto um abrigo doce
que percorro e discorro
Uma luz terna, amena
perene
que abraço
Uma ternura presente
que se sente e pressente
em cada passo
É um laço colorido
um abrigo
se em águas esbatido
ultrapasso
E sorrio com doçura
à luz que me perdura
que louvo agradeço
e não esqueço
a infinita ternura.
por mim na brisa silente
e que me enlaça
ternamente
É um canto um abrigo doce
que percorro e discorro
Uma luz terna, amena
perene
que abraço
Uma ternura presente
que se sente e pressente
em cada passo
É um laço colorido
um abrigo
se em águas esbatido
ultrapasso
E sorrio com doçura
à luz que me perdura
que louvo agradeço
e não esqueço
a infinita ternura.
terça-feira, maio 31, 2005
Nocturno
Eram, na rua, passos de mulher.
Era o meu coração que os soletrava.
Era, na jarra, além do malmequer,
espectral o espinho de uma rosa brava...
Era, no copo, além do gim, o gelo;
além do gelo, a roda de limão...
Era a mão de ninguém no meu cabelo.
Era a noite mais quente deste verão.
Era, no gira-discos, o Martírio
de São Sebastião, de Debussy...
Era, na jarra, de repente, um lírio!
Era a certeza de ficar sem ti.
Era o ladrar dos cães na vizinhança.
Era, na sombra, um choro de criança...
(poema de DAVID MOURÂO FERREIRA)
Era o meu coração que os soletrava.
Era, na jarra, além do malmequer,
espectral o espinho de uma rosa brava...
Era, no copo, além do gim, o gelo;
além do gelo, a roda de limão...
Era a mão de ninguém no meu cabelo.
Era a noite mais quente deste verão.
Era, no gira-discos, o Martírio
de São Sebastião, de Debussy...
Era, na jarra, de repente, um lírio!
Era a certeza de ficar sem ti.
Era o ladrar dos cães na vizinhança.
Era, na sombra, um choro de criança...
(poema de DAVID MOURÂO FERREIRA)
sábado, maio 28, 2005
Vazio
Papel branco pintado m’espreita
Brisa em tempestade de vento
E escuta com minúcia
Todo e qualquer movimento.
Na aurora em mim se deleita
À minha frente por mim
Lápis de plumas verdes se move
Fino e delicado
Entre os dedos impacientes
Aguardando quase implorando
Uma letra um simples traço.
Sem asas não posso não faço
Um cigarro mordendo o fumo calado
Um triângulo um quadrado
Me olhando em contemplação
Um café negro de frio
E deslizo no vazio
Da inspiração
Brisa em tempestade de vento
E escuta com minúcia
Todo e qualquer movimento.
Na aurora em mim se deleita
À minha frente por mim
Lápis de plumas verdes se move
Fino e delicado
Entre os dedos impacientes
Aguardando quase implorando
Uma letra um simples traço.
Sem asas não posso não faço
Um cigarro mordendo o fumo calado
Um triângulo um quadrado
Me olhando em contemplação
Um café negro de frio
E deslizo no vazio
Da inspiração
quarta-feira, maio 25, 2005
Palavra
A palavra é uma espada ardente
Que corta, estilhaça, mata.
Em letras incandescentes
Queima olhos, incendeia mentes
Quando leve, incauta, passa.
A palavra é uma sinfonia surda
Em rios de letras correndo
Que tudo altera, troca e muda.
São braços cegos numa jangada,
Que não atinam nem apagam
A incandescência da brasa.
A palavra é um ir suave do vento,
Um voltar cantante correndo,
Horas de fio a pavio sem tempo,
Iluminuras, cristais, vitrais,
Percursos de rios serenos
Nos beirais
Das mentes dizendo:
Pára, escuta, não há mais!...
Mas Palavra é… Encantamento…
Que corta, estilhaça, mata.
Em letras incandescentes
Queima olhos, incendeia mentes
Quando leve, incauta, passa.
A palavra é uma sinfonia surda
Em rios de letras correndo
Que tudo altera, troca e muda.
São braços cegos numa jangada,
Que não atinam nem apagam
A incandescência da brasa.
A palavra é um ir suave do vento,
Um voltar cantante correndo,
Horas de fio a pavio sem tempo,
Iluminuras, cristais, vitrais,
Percursos de rios serenos
Nos beirais
Das mentes dizendo:
Pára, escuta, não há mais!...
Mas Palavra é… Encantamento…
terça-feira, maio 24, 2005
in Poeta Militante III
De súbito, desceu um bando de aves vermelhas,
Caídas da lua que todas as noites alguém assassina,
E poisou nos troncos das árvores
Com agudeza de lança masculina.
E todos vimos
Que com os seus bicos de tecer fogueiras
As aves cortavam as asas acesas
No sangue dos astros,
Para as deixarem
Livres e presas
Nos mastros…
Bandeiras.
(Poema de JOSÉ GOMES FERREIRA)
Caídas da lua que todas as noites alguém assassina,
E poisou nos troncos das árvores
Com agudeza de lança masculina.
E todos vimos
Que com os seus bicos de tecer fogueiras
As aves cortavam as asas acesas
No sangue dos astros,
Para as deixarem
Livres e presas
Nos mastros…
Bandeiras.
(Poema de JOSÉ GOMES FERREIRA)
segunda-feira, maio 23, 2005
Primavera no Wisconsin
Na limpidez tranquila da manhã diáfana
em que as despidas árvores imóveis
são como nervos ou expectantes veias
no corpo transparente do azulado ar,
as águas quietas, mas não tanto que
nelas se espelhe mais que a concentrada cor
do ar tranquilo, nem tão menos que
pareçam gelo perto as águas mais distantes,
pousam na margem delicadamente
como na mesma terra infusas se dispersam
dos ramos e dos troncos sombras confundidas.
A terra se amarela de ante-verde
e, sêca, espera, entre a neve que foi
e o ténue estremecer da seiva que desperta.
(Poema de JORGE DE SENA)
em que as despidas árvores imóveis
são como nervos ou expectantes veias
no corpo transparente do azulado ar,
as águas quietas, mas não tanto que
nelas se espelhe mais que a concentrada cor
do ar tranquilo, nem tão menos que
pareçam gelo perto as águas mais distantes,
pousam na margem delicadamente
como na mesma terra infusas se dispersam
dos ramos e dos troncos sombras confundidas.
A terra se amarela de ante-verde
e, sêca, espera, entre a neve que foi
e o ténue estremecer da seiva que desperta.
(Poema de JORGE DE SENA)
domingo, maio 22, 2005
As Casas Vieram de Noite
As casas vieram de noite
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir
Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios
As casas fluem de noite
sob a maré dos rios
São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas
Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas
(Poema de LUIZA NETO JORGE)
De manhã são casas
À noite estendem os braços para o alto
fumegam vão partir
Fecham os olhos
percorrem grandes distâncias
como nuvens ou navios
As casas fluem de noite
sob a maré dos rios
São altamente mais dóceis
que as crianças
Dentro do estuque se fecham
pensativas
Tentam falar bem claro
no silêncio
com sua voz de telhas inclinadas
(Poema de LUIZA NETO JORGE)
sábado, maio 21, 2005
O Tempo da Lua
O tempo da lua é o tempo do labirinto
De tudo o que sei e sinto,
Espaço estreito e apertado
Entre a imensidão de um outro espaço
compassado.
O tempo da lua é o tempo da terra,
da água,
da roda e do ventre
um tempo repetido, persistente
um tempo gota-a-gota
grão-a-grão,
tempo-fio tecido em trama
e ilusão.
O tempo da lua é o tempo da loba
Do uivo e do medo, da presa e da toca
Luz branca coada num imenso céu
Desenhando letras sobre um fundo breu.
(Poema de MARIA TERESA MEIRELES)
De tudo o que sei e sinto,
Espaço estreito e apertado
Entre a imensidão de um outro espaço
compassado.
O tempo da lua é o tempo da terra,
da água,
da roda e do ventre
um tempo repetido, persistente
um tempo gota-a-gota
grão-a-grão,
tempo-fio tecido em trama
e ilusão.
O tempo da lua é o tempo da loba
Do uivo e do medo, da presa e da toca
Luz branca coada num imenso céu
Desenhando letras sobre um fundo breu.
(Poema de MARIA TERESA MEIRELES)
quinta-feira, maio 19, 2005
Silêncio das Horas
Um silêncio que invade
Silêncio intenso profundo
Mais denso que mundos do Mundo
Procurando com ansiedade um grito
De vento de liberdade
Medos plantados fundo
São horas de horas eternas
Correndo lentas e apenas
Em breves minutos passam
Sufoco de gritos no peito
Pensares sentires desejo
Dores de morte abraçam
Um rio de pérolas fluente
Um mar negro de gente
Sombras véus e de mantos
Voando na hora silente
Abandono cru de encantos
Tempo de silêncios brancos
Horas paradas de ternura
Abrigo da chave na mão
Brilhando amor sedução
É a voz que ao longe murmura
Silêncio de horas amargura
Desilusões que o não são
Silêncio intenso profundo
Mais denso que mundos do Mundo
Procurando com ansiedade um grito
De vento de liberdade
Medos plantados fundo
São horas de horas eternas
Correndo lentas e apenas
Em breves minutos passam
Sufoco de gritos no peito
Pensares sentires desejo
Dores de morte abraçam
Um rio de pérolas fluente
Um mar negro de gente
Sombras véus e de mantos
Voando na hora silente
Abandono cru de encantos
Tempo de silêncios brancos
Horas paradas de ternura
Abrigo da chave na mão
Brilhando amor sedução
É a voz que ao longe murmura
Silêncio de horas amargura
Desilusões que o não são
terça-feira, maio 17, 2005
Ímpeto solar
Bebo-te em palavras rubras
Desejo de morango em gelatina
E estremeço e me deixo
Saborear qual loba faminta
Bebo-te em letras escaldantes
Fulgor de banana-pão e de jaca
Na fritura no ardor
Que me queima torra e assa
Bebo-te em tons de risos
Anseio de framboesa em mel
Dobro desdobro me enleio
Com doçuras e sibilos
Bebo-te num ímpeto solar
Te degusto em tinto vinho
E te uso e te abuso
Entre a ementa e o manjar
Desejo de morango em gelatina
E estremeço e me deixo
Saborear qual loba faminta
Bebo-te em letras escaldantes
Fulgor de banana-pão e de jaca
Na fritura no ardor
Que me queima torra e assa
Bebo-te em tons de risos
Anseio de framboesa em mel
Dobro desdobro me enleio
Com doçuras e sibilos
Bebo-te num ímpeto solar
Te degusto em tinto vinho
E te uso e te abuso
Entre a ementa e o manjar
sábado, maio 14, 2005
Quem diria!...
Rosa em pétalas sentada
Esta noite adormeci
Me quedei silenciada
Na espuma alvoroçada
Do mar que em ti vi
Célere voou o pensamento
Enleio dum abraço sentido
Protecção um doce abrigo
Palavras sorrindo ternura
Nos instantes no momento
Pleno vivências candura
Foram horas foi um dia
Enlaçados num segundo
Laço que não deslaço
Deslize terno pr’o mundo
Teu Sorriso feito abraço
Quem diria!...
Esta noite adormeci
Me quedei silenciada
Na espuma alvoroçada
Do mar que em ti vi
Célere voou o pensamento
Enleio dum abraço sentido
Protecção um doce abrigo
Palavras sorrindo ternura
Nos instantes no momento
Pleno vivências candura
Foram horas foi um dia
Enlaçados num segundo
Laço que não deslaço
Deslize terno pr’o mundo
Teu Sorriso feito abraço
Quem diria!...
terça-feira, maio 10, 2005
sonho-canção
Pudesse dizer meu amor
Meu carinho pão-de-mel
Ternura querido fulgor
Doçura azul meu farol
Dançando sorrir cantar
Toadas ternas m’embalar
No aconchego da luz e paz
Pudesse eu t’ofertar
As cores do arco-íris
Alvas imaculadas
Puras
Verdes rubras
Laranja cobalto em matiz
D’ouro e prata pinceladas
Em marfim
O cosmos refulgente ser
Estrelas sóis luas um astro
Lonjuras eternas correr
Para te oferecer um afago
Ser águia lince serpente
Sáurio peixe golfinho
Átomo molécula insecto
Só somente
Parte de ti num carinho
Pudesse ser o mar a natureza
Estável serenidade luz brilhante
Mas sou rocha que não quebra
Sou traço linha que não verga
Coração forte que não bate
Que omite olvidando apaga
A vida tudo se pudesse…
(alterações a um poema de Set. 2004)
Meu carinho pão-de-mel
Ternura querido fulgor
Doçura azul meu farol
Dançando sorrir cantar
Toadas ternas m’embalar
No aconchego da luz e paz
Pudesse eu t’ofertar
As cores do arco-íris
Alvas imaculadas
Puras
Verdes rubras
Laranja cobalto em matiz
D’ouro e prata pinceladas
Em marfim
O cosmos refulgente ser
Estrelas sóis luas um astro
Lonjuras eternas correr
Para te oferecer um afago
Ser águia lince serpente
Sáurio peixe golfinho
Átomo molécula insecto
Só somente
Parte de ti num carinho
Pudesse ser o mar a natureza
Estável serenidade luz brilhante
Mas sou rocha que não quebra
Sou traço linha que não verga
Coração forte que não bate
Que omite olvidando apaga
A vida tudo se pudesse…
(alterações a um poema de Set. 2004)
quarta-feira, maio 04, 2005
Poema verde
Se fosse o poema verde
O verde do teu espanto
Me vestiria d’encanto
E te daria… te daria
Uma branca pradaria
Numa asa azul fulgente
Se fosse o poema verde
O verde dos desejos teus
Rubro véu me cobriria
E voaria… voaria
Em ramos de sóis nos seus
Laços de brilho ardente
Se fosse o poema verde
O verde que esperas tanto
A Aurora o entardecer teu
Seria… oh se seria
O beijo a pele o manto
A doce essência
O fruto em flor meu
O verde do teu espanto
Me vestiria d’encanto
E te daria… te daria
Uma branca pradaria
Numa asa azul fulgente
Se fosse o poema verde
O verde dos desejos teus
Rubro véu me cobriria
E voaria… voaria
Em ramos de sóis nos seus
Laços de brilho ardente
Se fosse o poema verde
O verde que esperas tanto
A Aurora o entardecer teu
Seria… oh se seria
O beijo a pele o manto
A doce essência
O fruto em flor meu
sexta-feira, abril 29, 2005
Grinaldas
Grinaldas são
Chocolates doces
Que se abrem no caminho
Ternura de amores
Trilho em amplidão
Que se desdobra sozinho
Coroas de flores belas
Maviosas singelas
Seda veludo tecidas
Aves plumas esbatidas
Na solidão e contudo
É um enlace desnudo
São pétalas de rosas
Etéreos voares
Essências deleitosas
O silêncio cantante
Luz a cada instante
Formas d’amares
É alegria é saudade
Amor puro a verdade
Plenitude de dar
Voando pela palavra
Da ternura adorada
É partir e voltar
Chocolates doces
Que se abrem no caminho
Ternura de amores
Trilho em amplidão
Que se desdobra sozinho
Coroas de flores belas
Maviosas singelas
Seda veludo tecidas
Aves plumas esbatidas
Na solidão e contudo
É um enlace desnudo
São pétalas de rosas
Etéreos voares
Essências deleitosas
O silêncio cantante
Luz a cada instante
Formas d’amares
É alegria é saudade
Amor puro a verdade
Plenitude de dar
Voando pela palavra
Da ternura adorada
É partir e voltar
quarta-feira, abril 27, 2005
Poema desconexo
Vagueio num mar de letras
Poema sem ligação
Horas batidas no tempo
Que mais não são
Um denso momento
Rosa-dos-ventos girando sem vento
Vejo movimentos atados
Laços de escuridão
O negro encanecendo
Sinfonia sem mãos
Poesia estremecendo
Nuvens toando cavalos alados
É um poema desconexo
Na selva das folhas
Tombadas incerto
Ténue sopro d’areia
No sal do deserto
Poesia de pólos amorfos sem meias
Poema sem ligação
Horas batidas no tempo
Que mais não são
Um denso momento
Rosa-dos-ventos girando sem vento
Vejo movimentos atados
Laços de escuridão
O negro encanecendo
Sinfonia sem mãos
Poesia estremecendo
Nuvens toando cavalos alados
É um poema desconexo
Na selva das folhas
Tombadas incerto
Ténue sopro d’areia
No sal do deserto
Poesia de pólos amorfos sem meias
terça-feira, abril 26, 2005
Verde sol
Dizem que o sol é brilhante
Quando canta a tua canção
Ondulante
Dizem que as searas se transformam
Em mares d’oiro alquímico ao luar
Nas tuas mãos
Dizem que o peregrino estrelar
Ave sedenta de sons coloridos
Deslizantes
Te seguem
Percorrem
Se vestem
Desnudam
Transmutam
Atentos cantam
O canto
Que
Queres
Dizem… verde sol somente
Quando canta a tua canção
Ondulante
Dizem que as searas se transformam
Em mares d’oiro alquímico ao luar
Nas tuas mãos
Dizem que o peregrino estrelar
Ave sedenta de sons coloridos
Deslizantes
Te seguem
Percorrem
Se vestem
Desnudam
Transmutam
Atentos cantam
O canto
Que
Queres
Dizem… verde sol somente
terça-feira, abril 19, 2005
Fios de Letras
Entre as verdes letras tento
Insegura uns passos dar
Vendo sentindo sabendo
Das letras o seu dançar
Com meiguice se desdobram
E se dobram
Lançando flores em laços
E cantam encanto de mim
Suavidade sem fim
Transformadas em abraços
Ténues fios em suspensão
Translúcidos transparentes
E deslizo
Bailando em letras pendentes
São momentos em que não
Existe abrigo
No silêncio me quedo assim
Em ternura
Na candura
Serenidade de mim
E me sento
O canto das letras contemplo
Em doces pétalas enlaçada
A porta entreaberta olho
E escolho
A simplicidade encontrada
Das cores puras delicadas
Os fios de letras abandono
Sem mágoa sem dolo
E sigo abrindo
Flores por poetas cantadas
Num azul sonho
Sorrindo
Insegura uns passos dar
Vendo sentindo sabendo
Das letras o seu dançar
Com meiguice se desdobram
E se dobram
Lançando flores em laços
E cantam encanto de mim
Suavidade sem fim
Transformadas em abraços
Ténues fios em suspensão
Translúcidos transparentes
E deslizo
Bailando em letras pendentes
São momentos em que não
Existe abrigo
No silêncio me quedo assim
Em ternura
Na candura
Serenidade de mim
E me sento
O canto das letras contemplo
Em doces pétalas enlaçada
A porta entreaberta olho
E escolho
A simplicidade encontrada
Das cores puras delicadas
Os fios de letras abandono
Sem mágoa sem dolo
E sigo abrindo
Flores por poetas cantadas
Num azul sonho
Sorrindo
domingo, abril 17, 2005
CORRENTE DE LITERATURA
Tendo sido apanhada nesta corrente literária, agradeço
as amáveis palavras que me dedicaram os blogs:
www.outravoz.blogspot.com
www.conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt
Assim passo a responder às perguntas:
P: Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro
gostarias de ser?
R: Todos e nenhum. Todo o tipo de literatura me encanta
P: Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem
de ficção?
R: Vivo qualquer tipo de livro. Apanhadinha, não.
P: Qual foi o último livro que compraste?
R: “Memória das minhas putas tristes” de Gabriel Garcia
Marquez
P: Qual o último livro que leste?
R: “Os amores de Safo” de Erica Jong e
“The Kitchen God’s Wife” de Amy Tan
“O mistério do jogo das paciências” de Jostein Gaarder
P: Que livros estás a ler?
R: “A obscena senhora D” de Hilda Hilst
“Encontro com o Mestre” de Mestre DeRose
“Ilusões” de Richard Bach
Diversos livros de poesia
P: Que livros (5) levarias para uma ilha?
R: “Ulisses” de James Joyce
“O sentimento de si” de António Damásio
“A Selva” de Ferreira de Castro
“O Império” de Gore Vidal
“O sangue de Cristo e o Santo Graal” de Michael Baigent,
Richard Leigh e Henry Lincoln (para reler)
P: A quem vais passar esta cadeia (3) e porquê?
R: Ao Fernando B. do blog: www.lusomerlin.blogspot.com
Ao José Gomes do blog: www.movimentum.blogs.sapo.pt
Ao Bené do blog: www.oapanhadordesonhos.blogspot.com
Motivos especiais não tenho, a não ser que são bons e queridos
amigos que espero aceitem o desafio.
A todos(as) os outros(as) Amigos(as) que muito prezo e admiro
um cantinho muito especial está guardado em mim.
as amáveis palavras que me dedicaram os blogs:
www.outravoz.blogspot.com
www.conversasdexaxa3.blogs.sapo.pt
Assim passo a responder às perguntas:
P: Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro
gostarias de ser?
R: Todos e nenhum. Todo o tipo de literatura me encanta
P: Já alguma vez ficaste apanhadinho(a) por um personagem
de ficção?
R: Vivo qualquer tipo de livro. Apanhadinha, não.
P: Qual foi o último livro que compraste?
R: “Memória das minhas putas tristes” de Gabriel Garcia
Marquez
P: Qual o último livro que leste?
R: “Os amores de Safo” de Erica Jong e
“The Kitchen God’s Wife” de Amy Tan
“O mistério do jogo das paciências” de Jostein Gaarder
P: Que livros estás a ler?
R: “A obscena senhora D” de Hilda Hilst
“Encontro com o Mestre” de Mestre DeRose
“Ilusões” de Richard Bach
Diversos livros de poesia
P: Que livros (5) levarias para uma ilha?
R: “Ulisses” de James Joyce
“O sentimento de si” de António Damásio
“A Selva” de Ferreira de Castro
“O Império” de Gore Vidal
“O sangue de Cristo e o Santo Graal” de Michael Baigent,
Richard Leigh e Henry Lincoln (para reler)
P: A quem vais passar esta cadeia (3) e porquê?
R: Ao Fernando B. do blog: www.lusomerlin.blogspot.com
Ao José Gomes do blog: www.movimentum.blogs.sapo.pt
Ao Bené do blog: www.oapanhadordesonhos.blogspot.com
Motivos especiais não tenho, a não ser que são bons e queridos
amigos que espero aceitem o desafio.
A todos(as) os outros(as) Amigos(as) que muito prezo e admiro
um cantinho muito especial está guardado em mim.
sexta-feira, abril 15, 2005
Anatomia
São olhos, são mirantes
misteriosos, indagantes
os passos que aqui passam
São braços longos, envolventes
tentáculos nus, inconscientes
os olhos que me enlaçam
São mãos finas, delicadas
afagantes, espantadas
os braços que caem pendentes
São pés que correm sinuosos
ziguezagueantes, tortuosos
as mãos tacteantes, frementes
São corpos, peles, amantes
de outros que por instantes
os pés levam em correria
São eternas mentes
que leve desmentes
É Anatomia!
misteriosos, indagantes
os passos que aqui passam
São braços longos, envolventes
tentáculos nus, inconscientes
os olhos que me enlaçam
São mãos finas, delicadas
afagantes, espantadas
os braços que caem pendentes
São pés que correm sinuosos
ziguezagueantes, tortuosos
as mãos tacteantes, frementes
São corpos, peles, amantes
de outros que por instantes
os pés levam em correria
São eternas mentes
que leve desmentes
É Anatomia!
domingo, abril 10, 2005
São Olhos...
Teus olhos, amor, teus olhos
Na noite fria, na densa escuridão
Têm a dureza do aço mais não são
Que pedras negras, opacas, então
Teus olhos, amor, teus olhos
Pelo entardecer quando o sol se deita
São terra castanha, a areia que enfeita
Paisagem dormente em que se deleita
Teus olhos, amor, teus olhos
Na claridade fogosa intensa do dia
Ardem verdes matizes da pradaria
São ventos sibilantes em correria
Teus olhos, amor, teus olhos
Na tímida luz da aurora despontando
É barco à deriva de azul mar tentando
Inalar laços pontes no sufoco do canto
Os olhos, amor, os olhos
Que passam nos tempos serenos
Cândidos ternos alegres amenos
Condoídos piedosos são eternos
Na noite fria, na densa escuridão
Têm a dureza do aço mais não são
Que pedras negras, opacas, então
Teus olhos, amor, teus olhos
Pelo entardecer quando o sol se deita
São terra castanha, a areia que enfeita
Paisagem dormente em que se deleita
Teus olhos, amor, teus olhos
Na claridade fogosa intensa do dia
Ardem verdes matizes da pradaria
São ventos sibilantes em correria
Teus olhos, amor, teus olhos
Na tímida luz da aurora despontando
É barco à deriva de azul mar tentando
Inalar laços pontes no sufoco do canto
Os olhos, amor, os olhos
Que passam nos tempos serenos
Cândidos ternos alegres amenos
Condoídos piedosos são eternos
sexta-feira, abril 08, 2005
Brilhos
Conversando baixo, baixinho
Seguindo murmúrios, carinho
Pela leveza do éter voei
Seguindo rubros trilhos incauta
Beleza luzente de quem canta
Subtis promessas, amei
Da Aurora cantante me vesti
Com serena alegria me cobri
Foram só instantes, momentos
Percurso que o sonho dormente
A razão despertou inclemente
Me quedei em águas, tormentos
Vejo a porta entreaberta
De luz, em luz encoberta
Sinto o sol da lua musical
A flor aberta fremente
Rubras pétalas, ardente
Areias densas finas de sal
Mas no tudo eu sou nada
Nem pão, água ou espada
Nem pó, godo ou trilho
Trajo somente o sorriso
Doce, ameno, no brilho
Da ave nua, terno abrigo
Seguindo murmúrios, carinho
Pela leveza do éter voei
Seguindo rubros trilhos incauta
Beleza luzente de quem canta
Subtis promessas, amei
Da Aurora cantante me vesti
Com serena alegria me cobri
Foram só instantes, momentos
Percurso que o sonho dormente
A razão despertou inclemente
Me quedei em águas, tormentos
Vejo a porta entreaberta
De luz, em luz encoberta
Sinto o sol da lua musical
A flor aberta fremente
Rubras pétalas, ardente
Areias densas finas de sal
Mas no tudo eu sou nada
Nem pão, água ou espada
Nem pó, godo ou trilho
Trajo somente o sorriso
Doce, ameno, no brilho
Da ave nua, terno abrigo
terça-feira, abril 05, 2005
Fazei-vos à barca...
Fazei-vos à barca, senhores
Enquanto as águas são paradas
O cais se apinha de povo
De todos os credos e cores
Para ver que há de novo
Com o apelo da barca
Chegam ricos, chegam pobres
Carregando suas sortes.
Vêm os novos e idosos
Carentes e curiosos
Há mãos que oiro abraçam
Ombros pesando desgraça
Rostos em cor luminosos
Pés dolentes que s’arrastam
Fazei-vos à barca, senhores,
Enquanto a noite se fez dia
Trazei os vossos amores
A desesperança que porfia
Teceduras cruas da vida
Fazei-vos à barca, senhores…
Poema in "Transparência de Ser"
Enquanto as águas são paradas
O cais se apinha de povo
De todos os credos e cores
Para ver que há de novo
Com o apelo da barca
Chegam ricos, chegam pobres
Carregando suas sortes.
Vêm os novos e idosos
Carentes e curiosos
Há mãos que oiro abraçam
Ombros pesando desgraça
Rostos em cor luminosos
Pés dolentes que s’arrastam
Fazei-vos à barca, senhores,
Enquanto a noite se fez dia
Trazei os vossos amores
A desesperança que porfia
Teceduras cruas da vida
Fazei-vos à barca, senhores…
Poema in "Transparência de Ser"
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