
Reparte-se sob o cuidado dos dias
por onde flutua e caminha
em seus passos de dança
Reparte-se e não faz parte.
Divaga...
ao som da melodia clara
estremecida
nos seus braços de criança
E joga vida fora
com a leveza dos anos
Do Tempo não traz o momento,
nem enganos
E deixa que repartam seus cabelos
entre tranças, pendentes cachos,
ou em rabo-de-cavalo
com aquela fita luzente
que alvo bibe afaga
pelos folhos dos solfejos
ressoando pela sala
Parte-se e reparte-se
o cuidado breve das lembranças
que no centro de si vagueiam
doces, fluidas e cândidas,
e pelos sorrisos espelham
o que o Mundo não alcança
Oh! Que bom é ser criança...
(pintura de Claude Renoir)
Poema in "Transparência de Ser"

















