
Ouço-te num qualquer outro registo de dança
onde pensares e sentires são devolvidos em contracapa
nua, de cor única e vazia de espelhos
Olho-te e não te vejo.
Só os esboços estudados da dança
permanecem em meus ouvidos como inconstância
de desafios musicados
de suspiros
de muros levantados
e de búzios fendidos
por onde se escapa o que nem a brisa alcança
Olho-te por entre o arvoredo de um mar salgado
agitando formas de cotovelos apoiados nas águas
numa outra de mim que o registo fez parte
quando fendiam as paredes da casa
agora brancas, imaculadas,
pelo silêncio sorridente e ameno das asas
que descubro serenamente e destapo
nas cores luzentes das sonoridades
que enfeitam e alegram o espaço
no repouso cantante, suave,
do regaço que eleva e embala
(imagem de Pino Daeni)
Poema in "Transparência de Ser"

















