
Encadeiam-se semanas…
Se a contento tudo passa
passará também o vento
na acalmia da brisa silente
Da força que me anima
construo pespontos de asas
e assim vou caminhando
em lentos e serenos passos
sobre casas, navios, escadas
frondosas árvores
que ocasionalmente avisto
sob a brisa marítima orvalhada
jorrando cascatas
na obliquidade escusa dos traços
no paralelismo confuso da matemática
ou no ponto minúsculo do poema
que no nada-tudo observa e cala
Que mais dizer se de um talvez se edificam
muros em escala?
Será porventura um sustento no espaço?
Do tudo apenas sei nada…
Qual ponto mínimo
observo, medito e tento
alcançar sábias palavras
sob a escassez do fio do tempo
Se ainda existo
a serenidade com carinho embalo
num límpido e terno sorriso claro
sobre a paisagem
(pintura de Júlia Calçada)


















