Em tempo devido, já pelo mesmo ultrapassado, tive a honra de ser
nomeada pela Maria* e pelo Peter** para dar seguimento à
corrente “Meme” que, por idêntico motivo, me abstenho de
explicar e a quem muito agradeço.
Transcrevo, de seguida, uma das inúmeras passagens constantes
do livro “Crónica do Pássaro de Corda” de Haruki Murakami que
muito gostei de ler e que deram origem a um ou outro poema por
me terem feito pensar.
“Sem dar por isso, comecei a falar sozinho. Num sussurro, saíam-
me da boca fragmentos de reflexões de que nem eu próprio tinha
consciência. Era superior ás minhas forças. Desligada da minha
mente, a minha boca movia-se sozinha, de maneira automática,
independentemente da minha vontade, lançando nas trevas
palavras que aos meus olhos não faziam sentido. As palavras
provinham de uma zona de sombra para logo a seguir serem
absorvidas por outra. O meu corpo parecia ter-se transformado
num túnel vazio, uma conduta a ligar dois pontos por onde
transitavam as sílabas. Tratava-se de fragmentos de reflexões,
sem sombra de dúvida, mas era como se aqueles pensamentos
fossem gerados fora da minha consciência.”
Pelo exposto no primeiro parágrafo, também me sinto muito
honrada e grata ao Manoel Carlos*** pelo desafio sobre
“O que ando a ler” e que convosco partilho:
“Inquérito às Quatro Confidências” de Maria Gabriela Llansol -
escritora portuguesa, duas vezes galardoada com o Grande
Prémio APE e com várias obras de mérito publicadas.
“Confissões de uma Liberal” de Maria Filomena Mónica – um
livro de crónicas focando vários temas da actualidade, revelando
a sabedoria de um olhar inconformista, liberal e céptico, sobre a
realidade portuguesa e estrangeira.
“Combateremos a Sombra” de Lídia Jorge – escritora
portuguesa muito conceituada e considerada como uma das vozes
mais originais e poderosas da ficção do nosso País. A acção
desenrola-se sobre a condição de zelador do mundo secreto,
de um psicanalista.
Apesar de não dar seguimento aos desafios, pois a todos nomeio,
aproveito esta oportunidade para agradecer aos meus amigos
Clave de Lua II, Letras Pinceladas e Nimbypolis (constantes
dos links) a amabilidade que também tiveram em nomear-me
para o Thinking Blogger Award e aos quais não tive
oportunidade, em tempo, de agradecer.
Grata por tudo, com muita amizade, a todos desejo muita luz e paz
nos vossos caminhos.
* http://wwwthornlessrose.blogspot.com/
** http://conversasdexaxa4.blogspot.com/
*** http://www.agrestino.blogger.com.br/
sexta-feira, julho 13, 2007
domingo, junho 17, 2007
Flamas de Junho

Espalhar do amor o tempo incerto
dos lírios e açucenas nas urzes nascidas no deserto
alinhadas em folhas de linho
e da água omitidas que urge e se bebe
Leve será o sonho, ilusão tardia
percorrendo o tabuado convés do navio
que se lava de tarde e atrasa
a brasa nele contida
entre as folhas orvalhadas da vida
Espalhar o amor na plenitude da aurora
quando o enlace do silêncio não tarda a demora
daquele voar quieto, de celsitude aberta
no transporte do que subsiste
aqui, ali, tão breve e perto
Menina de amor silente e de vela
adormece flamas de vento
em doce espera
(pintura de Lord Frederick Leighton)
Poema in "Transparência de Ser"
segunda-feira, junho 11, 2007
Breve nota
Olá a todos
Apresento as minhas desculpas pela ausência forçada.
Estou sem computador e ainda não sei se terei de
adquirir um novo.
Este tem um sistema operativo completamente
diferente e, além disso, só esporadicamente me é
permitido o acesso.
Espero que compreendam esta situação imprevista
e a todos desejo dias plenos de sol e, acima de tudo,
que sejam felizes.
Com muito carinho e amizade, um grande abraço da
Amita
Apresento as minhas desculpas pela ausência forçada.
Estou sem computador e ainda não sei se terei de
adquirir um novo.
Este tem um sistema operativo completamente
diferente e, além disso, só esporadicamente me é
permitido o acesso.
Espero que compreendam esta situação imprevista
e a todos desejo dias plenos de sol e, acima de tudo,
que sejam felizes.
Com muito carinho e amizade, um grande abraço da
Amita
sexta-feira, maio 11, 2007
No fio do poema

Pela boca do céu corre um poema velho
em amor, sol e espuma do rio é leito;
se nas cerradas janelas em escolhos flutua
moroso nos passos, a palavra desnuda
Pelos caminhos bifurcados o rio se alarga
nas ondulantes areias de um só traço
qual folha muda em lenta desfolhada
no leve poisio de um ponto no espaço
Será talvez um poema no fio das horas
sobre a antiguidade - tecidos de um canto –
onde breves letras expandidas em branco
sob círculos ovalados se desdobram
e no repouso dos joelhos aninhadas
em silêncio pairam, as mãos cantadas
(pintura de Nasrin Afrouz)
domingo, maio 06, 2007
Fitas e Laços

Levanta-te, poeta, e ergue a tua taça!
Brindemos ao tempo das fitas
universitárias,
ao empedrado desfile pela praça,
ao passeio por ruas estreitas
escalonadas,
ao arrasto das latas e pinturas abstractas,
às intrigantes vozes em monocórdicas musicalidades,
nos ritos e rituais pela estrada dos laços.
Brindemos! E então talvez
se depositem ocasionais máscaras,
as penas das aves fecundem das caixas a opacidade,
os rios subam escadas desérticas
na diletante engenharia matemática,
e um fonema a expensas isolado
se liberte num voo cantado.
Sejamos coesos e unos
no misterioso conceito dos traços
para que sob os alpendres minúsculos
cresça a Paz das árvores
e de todas as casas suspensas
jorrem flores pelo espaço.
Se fitas não tenho, poeta,
teço linhas em amenos laços.
(imagem do Google)
segunda-feira, abril 30, 2007
A Consulta

Longo e lento ritual programado em anos
sob a morosidade do pêndulo sustendo cabeças
salpicando ilusões e desenganos.
Passeava pelos corredores apinhados de gente
em romaria parada
e vagueava no sentido das idades indefinidas
sustentadas pela parede qual suporte ansiado
pelos traços de cansaço e na espera entorpecidos.
Horas tecendo o frio…
Resistentes espelhos de dor e mágoa
na previsão dos planos sobrevoados.
Deles, em número, tornava-se parte
nas águas pelo frio adentradas
nas correntes do navio em cais parado
na embriaguez de voláteis asas
esbatidas entre o negro e o verde pálido.
De quando em vez, alguém passava apressado
sob as ideias fixas dos papeis remexidos
com sombria cara.
Então regressava ao ameno poisio do livro
aberto sobre o plástico e escrevia…
Até que uma voz estridente estremecia
o silêncio rumorejado
despertando os cordeiros no espaço fechado.
(pintura de Rogério Ribeiro)
segunda-feira, abril 23, 2007
Paisagem

Encadeiam-se semanas…
Se a contento tudo passa
passará também o vento
na acalmia da brisa silente
Da força que me anima
construo pespontos de asas
e assim vou caminhando
em lentos e serenos passos
sobre casas, navios, escadas
frondosas árvores
que ocasionalmente avisto
sob a brisa marítima orvalhada
jorrando cascatas
na obliquidade escusa dos traços
no paralelismo confuso da matemática
ou no ponto minúsculo do poema
que no nada-tudo observa e cala
Que mais dizer se de um talvez se edificam
muros em escala?
Será porventura um sustento no espaço?
Do tudo apenas sei nada…
Qual ponto mínimo
observo, medito e tento
alcançar sábias palavras
sob a escassez do fio do tempo
Se ainda existo
a serenidade com carinho embalo
num límpido e terno sorriso claro
sobre a paisagem
(pintura de Júlia Calçada)
quinta-feira, abril 19, 2007
quarta-feira, abril 18, 2007
Prémio...
Surpreendida e honrada agradeço à Poesia Portuguesa as palavras e a nomeação deste blogue com o prémio:

Tarefa difícil é-me imposta agora, ao ter de escolher 5 blogues da minha preferência. Todos o são, mesmo aqueles que, por escassez de tempo, ainda não incluí nos links.
Assim sendo distingo, pela enorme qualidade que poderão verificar, os seguintes:
Assim sendo distingo, pela enorme qualidade que poderão verificar, os seguintes:
Manoel Carlos
Nilson Barcelli
Meia Lua
Peter & Cª
António Melenas
Na esperança de que a corrente tenha continuidade, aqui deixo o carinho de um imenso abraço.
Imagem fotoplatforma
Nilson Barcelli
Meia Lua
Peter & Cª
António Melenas
Na esperança de que a corrente tenha continuidade, aqui deixo o carinho de um imenso abraço.

Imagem fotoplatforma
sexta-feira, abril 13, 2007
Les Trois Arts

Assim nos quedamos
no breve relaxamento dos anos
nas horas passadas em pontas
que teus dedos em branco e negro
o meu cetim afagaram
Cúmplices segredos
na postura do silêncio
dos rituais em leves traços
e dos sussurros, os embalos
(resposta ao desafio da Maria a quem agradeço)
Tela de Júlia Calçada
sexta-feira, abril 06, 2007
Venho ...

Venho de um tempo de graciosas asas
pelo silêncio adormecidas quando acamadas
de paredes nuas que ao longe me penduram
rostos inanimados sobre o telhado das árvores
do cume da montanha unido ao umbigo do vale
com pespontos de água sobre a estrada
do seio das mulheres translúcidas
da terra nascidas e da lua sussurradas
do mar, a solidão amanheço a escada
nas miscigenadas vagas de azul e verde
Venho, permaneço e caminho
no amor em branco-prata
a serenidade doce da cantata.
(pintura de Noronha da Costa)
(perante a temporal impossibilidade de visitas a todos desejo uma Feliz Páscoa)
domingo, abril 01, 2007
A indelével certeza

A indelével certeza dos anos encostados à parede
Se em mim cobriu enganos não teceu erros
E dos muros levantados amarelecidos no tempo
Resta a árvore que sustenta os longos fios
De um cabelo em marfim penteado
Que pelos afagos dos dedos
A raiz alimenta
Floresce a dança perene da memória
Em vagas macias, leves
Em laços de rede fina
Ondulando dos anos a hora
De mulher menina que canta
A indelével e alva certeza da brisa
Que anos tece nos cabelos
E te bebo minha hora perdida no tempo
Na leveza deste sentir em contemplação ausente
Quando me sento sob o silêncio das folhas
Em doce acalento
(pintura de Corinna Button)
segunda-feira, março 19, 2007
Entre dois tempos

I
Hoje...
Especialmente hoje...
que avistei peixes negros de bocas cosidas por dentro
pés de cabelo, sem sustento
lançando fogos de artifício
de brilhos desprovidos
e trajando enganos
Hoje...
Especialmente hoje...
o suave perfume da mensagem
reforçou os frágeis troncos da jangada
que no Amor ruma alada
pela consistência da viagem.
(escrito em 16 do corrente)
II
Transmutaram-se os peixes em pássaros
Soltando faíscas obscuras das inexistentes asas
E marchavam lentos enganos
Quais soldados de chumbo caramelizados
Derretendo viscosidades sobre o telhado
Que do jogo faziam parte.
Por vezes voam distraídas as projecções dos dedos
Na imprevisível chegada de pássaros negros.
Circunscrito o ontem no percurso
Bordo árvores de papel imaculado
Em orientais pastos recortados
Onde despontam as flores que uso
E o doce sorriso de um abraço
No branco-azul sereno de um canto.
(imagem de Young-jin Han)
domingo, março 11, 2007
Tempos de Matéria

Fina e ténue linha separa o riso do choro.
Em ponto pequeno é um sinal de fogo e
de revoltas águas no areal inconsistente das casas.
O frenesim da matéria descansou leve
no inabalável passo dos anos.
Tantos anos…
respirados sob lentes fumadas
e de opacidade surda ante
uns quantos estremecidos brados
de um presente passado
pela floresta dizimada
pela alva montanha liquefeita
pelo mar rasgado em actos metálicos
e na dor sem sombra das crianças
que a fome e a guerra enlaçam
nas horas loucas perdidas no Tempo
Fina e ténue linha separa o riso do choro
quando sob o areal inconsistente das casas
o Homem demente não age, ainda pensa …
(imagem de Lucemar de Souza)
terça-feira, março 06, 2007
Véus de redes

E caminhamos
Sobre reluzentes espaços
Onde nas nuvens espaçamos os sentidos
De deliberada e urgente ausência
E tornamo-nos aves de vento sobre
O sentimento de palavras
Outrora de planos leves quando
Em inocuidade
Seguimos os fáceis traços não vistos
E na incongruência tecidos
Lenta-mente sobre sorrisos doces
Como aquela criança inocente
Brincando na infinitude da mente
Do tudo algo se sabe, se sente
Por vezes numa única palavra
De um passo na brisa suave
Que em sussurros nos canta
Barcos, árvores e fogo
Sob o degelo do entendimento
Para onde caminham as águas?
Assim meu coração clama
Em brados de mar e vento
Para que serene eternamente
E do amor se teçam véus de redes
Na plenitude refulgentes
(imagem de Rarindra Prakarsa)
domingo, fevereiro 18, 2007
Até sempre!
Este sítio permanecerá em descanso por tempo indeterminado.
Sensibilizada, Amita agradece o imenso e inesquecível carinho
que lhe dedicaram nestes quase 3 anos de existência.
Com a ternura de um abraço, a todos deseja um caminho
pleno de brilhos.
Bem Hajam!
Sensibilizada, Amita agradece o imenso e inesquecível carinho
que lhe dedicaram nestes quase 3 anos de existência.
Com a ternura de um abraço, a todos deseja um caminho
pleno de brilhos.
Bem Hajam!
quinta-feira, janeiro 18, 2007
À deriva

Emblemáticas, monocórdicas, arredias,
pelos dias pairam letras e palavras
numa invasão programada
e de constância interrompida
trespassando as paredes da casa
E alego convincente
- Amanhã vou! - Ia…
se o ontem no presente
pelo nada se abria
E soldava-as lentas e leves
num espartilho de sal e pedra
na certeza desejada e incumprida
daquele sorver de passos
vozes, beijos, rever laços,
em lonjura adormecida
Sob a equidistante neblina,
adensada e caminhante,
embalei as velas do nosso barco
numa serena deriva
onde verdes peixes cantavam
nos murmurados solfejos
de um mar de amor, paz e vida
Emblemáticas, monocórdicas, arredias,
dançam letras e palavras
na lesta terminologia
de fortes correntes de água
(Fotografia de Zacarias Pereira da Mata -
Blog: http://zacariasdamata.blog.com/ )
Poema in "Transparência de Ser"
domingo, janeiro 07, 2007
sublimando...

Sob os aglomerados,
caminham as cidades
em bandos apressados
Não se falam, não se tocam e, se param,
pelo vazio o olhar se esquece,
espartilhado, estreito e ténue.
São como teias de vento e divagam
no cursor breve da matéria
esboçada em cinzel de água e pedra
Além, do alto, em qualquer parte,
medita-se, e de nós se faz a espera
tecendo candeias em peito aberto -
modeladas, sublimadas -
e com suavidade se espalham
em alvas árvores… de neve
(pintura de Shinichi Osawa)
Poema in "Transparência de Ser"
sexta-feira, dezembro 29, 2006
Rosas brancas

Encomendei as flores mais belas
Rosas brancas
Tão singelas
Para um cântico de Luz
Espalhado no caminho
Leve, doce, infindo
Que à Paz de todos conduz.
E em enlaces de melodia
Suave, profunda e linda
O Tudo cantava, sorria
Trazendo nos braços a água
A montanha, a pradaria
As pedras, os seixos, as aves
E a alma do poeta breve
O infinito em fé se abre
E sob o brilho intenso…
Sereno...
Caminha.
Parabéns Maria Azenha
A todos os amigos desejo um Feliz 2007
com muita Paz e Luz nos seus caminhos.
sábado, dezembro 16, 2006
em tela suspensa

Perante uma outra de mim oscila a hora
posta e exposta na rectangular forma
de um espaço fechado
O que sente não se sabe.
E passam… e repassa
no olhar, a curiosidade
sobre a mancha escarlate
imobilizada, enquadrada
na suspensão de alvas extremidades
Talvez os braços estenda sobre as águas
e, sem limite nem fronteiras, as afague
nos dedos, nascente de mar;
ou descanse o filtro coado do pensamento
ante muros levantados de cal
envolta no azul da mente
Talvez sorria sussurros ou pense
na solidariedade do momento
no gracioso cântico das almas
no suave leito de lama quente
eterno retorno de gente
ao doce embalo da criança
Posta e exposta
oscila a hora,
o instante breve
no canto perene do Tempo
(pintura de José Luís Abassolo)
Poema in "Transparência de Ser"
A todos desejo alegres Festividades plenas de Amor e Paz.
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