quarta-feira, julho 01, 2009

Floating beauty

































Vivo o monte, vivo a brisa
Da pradaria infinda
Pelos abraços e beijos -
Intensos desejos -
De quem se sabe e caminha
Leve, nos laços tecidos,
Constância de sílabas e traços
Que ao longe se adivinham…

E bordo, pedaços já gastos
Deste povo como estigma

Se canto, se porventura enlaço
As canas de água fina
Alcanço, entre a lua e o espaço
As palavras: Amigo… Amiga…
Na plenitude terna de um abraço
Qual espiga amadurecida
Envolta nas verdes folhas d’um canto


(imagem de Chen Yang-chun)

domingo, junho 21, 2009


Felicito-te e faço votos de um enorme sucesso.
Até ao próximo dia 27, pelas 16.00

sábado, junho 06, 2009

Nunca digas...




















Nunca digas que é tarde, meu amor
Se esta vida está aqui p'ra ser vivida,
Se o amor ilumina a nossa vida,
E a tristeza e sofrimento me dão dor.

Nunca me digas “É tarde!”, meu amor
Só é tarde quando não houver saída,
P'ro sofrimento da tua partida,
Em quem te adora e te ama com fervor.

Um dia que eu não possa ver teu rosto,
E ouvir tua voz doce e perfumada,
Ficarei com a amargura do desgosto,

De te perder p'ra sempre, minha amada.
Até lá tenho tudo o que mais gosto,
Depois, não tendo a ti, não tenho nada.


(Soneto e pintura de Rui Santos )

sábado, maio 30, 2009

II Antologia Noites de Poesia em Vermoim



















Felicito todos os poetas participantes.
Até ao próximo dia 6 de Junho

sábado, maio 23, 2009

Maio, maduro Maio





















Prevemos caminhos, abraços,
Sentidos nos laços do tempo.
Prevemos mas não sabemos
Se o abraço se esvai no pêndulo
Que alonga lento os laços

Fomos o sorriso a alegria
Cúmplices ensejos em traços
Da vida outrora cantada
E que o mar distancia
Em ondas batidas na fraga

Do Maio, maduro Maio,
Cantou o poeta, as águas,
Num labor em poisio incerto,
Renascido e da rama aberto
Cada dia primeiro, em chama

Assim movemos o silêncio cantado
Assim espaçamos os abraços
Neste mar calado e ameno
Que revolteia flores a contento
Nas areias que nos trazem
E que ocultamos, alheios,
Nos desvelos da saudade.


(imagem recebida por e-mail)

quinta-feira, maio 07, 2009




















Pai
Todos os dias tento florir os rios das casas,
Afagar peixes aflitos que saltam nos telhados
Das mãos de exímio e incauto jogador
Que da existência cultiva baralhos


Pai
No mar, o sal cresceu em lágrimas,
Secas, áridas, pelas dunas do concreto
E sob a incerteza certa do vento,
Lerdas, sobrevoam andorinhas


Maio já vai maduro, pai.
A criança em maias tecida
Desfolhou palavras de vidro
E sobre a tela em letras sentidas
Tenta, cada dia, o plantio
Da flor-semente do sorriso
Sobre as asas das avezinhas.


Porém, o primeiro em Maio esvoaça
Pelo unívoco silêncio de um grito -
Passeante em águas baças


(imagem recebida por mail sem nome de autor)

quarta-feira, abril 08, 2009

Tempestades

























Falemos de tempestade,
de nomenclatura, da gramática,
do facto de facto estudado
e em urdidura consumado,
da discrepante revolta estática
num tempo de propriedade

Do levante ao poente
varrem-se letras, sinais
gravados no útero da mente
que nem o tumulto pára…
E nas tempestades, sem mais,
da árvore erradicam-se ramas

Falemos baixinho dos ais aflitos.
Acomodemos as águas
a advir nos olhos cansados
de dor nas ínfimas entranhas
e, no sufoco do grito,
em convenções divulgado

Com tais raios e troviscos
na linguística fragmentada,
sob espanto nunca visto
pela semiologia alterada
sopra um vento com sorrisos:
- Adapta-te ou ficas parada!


(imagem de Blanca Ruth Casanova)

sexta-feira, março 27, 2009


























Entontecidos e acuados
deambulam pelos telhados
em magnética invisibilidade

São vozes derramando vitualhas
em odes de tempestade
tacteando a flauta da verdade

Dizem: maldição, incongruência!
Dizem: da menina-larva,
do benjamim precoce,
o aclarar a demência…

Olvidam que é hora do amor,
da partilha em simplicidade
qual sublime beija-flor
a tecer partituras de humanidade
com a coragem e vigor
que na natureza de nós
em ternos laços
nos dança


(imagem Getty Images)

(participação no Jogo daqui com as palavras:
amor, beija-flor, benjamim, coragem, flauta, maldição,
ode, partilha, simplicidade, tecer, verdade, vitualhas)

segunda-feira, março 16, 2009

Vidas em Fragmentos

Teresa Gonçalves, também conhecida pelo pseudónimo Ísis,
com várias obras de poesia publicadas, lança pela Edium
Editores o seu livro de contos “Vidas em Fragmentos” no próximo
dia 21 de Março, às 21,30, na Junta de Freguesia de Vermoim,
sita à Av. D. Manuel II, 1573, Maia.

Apresentação a cargo do poeta e escritor Fernando Campos Castro.
Acompanhamento musical por Carlos Andrade.























Até ao dia 21 do corrente, às 21,30.



quarta-feira, março 11, 2009

Rio alma


















Lento corre… corre claro…
do verde pinta tonalidades
no solo esconso e avança -
inclinado, inquinado -
procura de longo alcance

Corre entre o silêncio das causas
simples que à natureza encanta
e corre… corre…
ao murmúrio das folhas dança
o nascimento de um passado
em avanço incessante

Pelo caminho desflora
flores, raízes e pedras -
pela noite, pela aurora -
e num tumulto suave lança
a ilusão ao poeta
que em seu nicho desperta
a musicalidade de um canto

Corre em verde, em cobalto,
pelo linho em sépia terra…
o caminho é desperto
a quem o bebe
e da leveza se espanta


(imagem recebida por mail sem autoria)


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Em outra dimensão...

Dentro da noite de nós
há mistérios incontidos,
peças de vento
na vasteza de um oceano infindo,
a oscilação de um navio
em indomável situação de vazio

Soberano da noite sem voz,
pela savana avança o tigre
ao rufar dos tambores
em monocórdica batida.
A agudeza do seu olhar
em branco e preto tecido
lapida, em subtis fragmentos,
as raízes do dia.

É Morfeu clamando o esmaecido
com a sacudidela de suas teias
incomensuráveis, densas e finas

sexta-feira, fevereiro 06, 2009






























Seremos ...
a porta do vento, um tempo que passa;
da gesta, o momento;
na minuta de uma tela, a palavra;
o despojado improviso
na lonjura de nada;
o vazio de um ontem sentido;
do canto da roda, a transparência esparsa

Mesmo assim, lançaremos
à brisa das águas
a utopia das cores em miscelânea,
e viveremos
o vórtice lento
nos braços da árvore
que embalaremos,
tu, eu, nós, em igual tempo,
até que em luz o silêncio se faça

Então, dançaremos
amenos sorrisos
de amor em cascata


(tela de Maria José Amorim)


quinta-feira, janeiro 29, 2009

O 9º defeito genético























Chamaram-lhe anormal,
escaganifobético, demente.
Mal eles sabiam
de Friedreich, a ataxia,
fardo que se carrega e se sente

Foi num querer singular,
supremo,
uma fábula à deriva,
um desejo profundo,
autêntico,
para aquele renascer dando vida,
fruto de paixão, um novo começo,
límpido,
num salsifré em hora tardia

Nada nem ninguém previa
o nono cromossoma doente
e que, aquele fardo pesado, dolente,
transporte de alegria e sofrimento,
mais tarde seria,
num qualquer tempo diferente,
a solidariedade de tanta gente
sob ternos sorrisos,
carinho e amor intensos


(participaçao do jogo daqui )


quinta-feira, janeiro 15, 2009

















Há momentos inesquecíveis,
outros tantos de partilha
entre aprazíveis sorrisos
Há momentos feitos de quase nadas
que tanto nos marcam
e em sussurros nos dizem:
Estou aqui, nesta presença ausente!

Aguardamos e
cuidamos que amanhã ainda é tempo…
ensejo que nos passa levemente
em maré e ondas de vento

Neste dia,
aquele imenso abraço é urgente
para que a distância da vida
nos torne unos, claros e perenes
na amizade que jamais se esquece
apesar dos percalços da vida
e do recobro do silêncio
nesta pedra que o azul suspende


(pintura de Enrique Lemus)

domingo, janeiro 04, 2009

Luar de Janeiro

































Gosto do suave perfume das flores,
das marés o salpicar,
da gota amena do orvalho,
da brisa fresca da manhã,
do sol despontando sereno
ao fundo da minha janela
que mantenho entreaberta
às aves singelas e seu trinar.

Gosto do intenso aroma a terra
enlaçado em maresia,
das pedras com musgo vestidas
na voz cândida do poeta,
da lua se esvaindo tímida
em cada novo despertar.

Gosto da árvore erecta sem rama
neste Inverno duro e frio,
do transeunte que traça
no silêncio o seu destino,
da sinfonia colorida
no infinito em pinceladas
qual pintor que beija e abraça
o belo do mundo e canta
com ternura e nostalgia
os sentimentos da vida
em Janeiro ao luar.


(Pintura de John William Inchbold)




quarta-feira, dezembro 31, 2008

Flor de águas
















Ao meu amigo Manoel Carlos


Espelho meu…
Espelho de cada hora
Que no tempo desfolhas ramas,
Ternas ramas d'outrora,
Cantadas
Nas manhãs de folhas cândidas
Onde me aninho e embalo
Meigas e doces palavras

Se minhas rugas afagas
Com mãos suaves meus cabelos
Brancos, em flor de águas,
Contigo eu adormeço
E em leves sonhos aconteço
Na magia de menina
Que é meu e teu sustento.
E se de utopia eu falo
Nosso será, eterno, o começo



Que a Amizade, Fraternidade e a Paz
enlace todos os que, por mim, seus caminhos
cruzaram. Um Bom Ano de 2009.

domingo, dezembro 14, 2008

Por vezes ...

















Por vezes,
nas horas há letras escassas
prolongadas no caminho
em submersos compassos
que não dominas… domino…
no cruzadismo dos dias

Por vezes,
é tempo de emoções contidas
nos rastos antigos dos passos;
desse tempo eternizamos,
do amor, a etérea dádiva.

E, do sonho,
marés brilhantes e claras
nos permanecem e animam
nos momentos de silêncio

Por vezes… nas vezes quantas…


Com muito carinho desejo a todos os que aqui passam ou
passaram um Alegre Natal e que o Ano Novo vos traga
muita Felicidade.

(Imagem Google)

segunda-feira, dezembro 08, 2008

A "estória" de um poema

Em 17 de Novembro de 2006, publiquei no meu blogue brancoepreto-I um singelo poema que foi lido pela primeira vez no Lugar aos Outros 35, do Estúdio Raposa, pela voz inconfundível do Luís Gaspar.

Durante corrente ano, a Truca estabeleceu informar os seus leitores sobre os 10 poemas mais ouvidos mensalmente no Palavras d'Ouro.

Para surpresa minha, fui constatando que o mesmo poema ficou classificado em 6º, 5º e 7º lugares nos meses de Fevereiro, Março e Outubro, respectivamente.

Espantada com tal classificação, indaguei junto do meu amigo e responsável pelo programa Luís Gaspar que me garantiu a fiabilidade dos downloads efectuados e das estatísticas apresentadas.

Perante os factos acima, quero agradecer à pessoa (ou pessoas) que, com dedicação, perseverança e (acredito) amizade, fizeram com que o meu poema "Em rosa rubra" atingisse o 4º lugar no mês findo.

Nos teus braços de palavras
Me enrolam carícias mudas
Qual rosa rubra despontada
Que seu doce aroma espalha
E pelo espaço perdura

Soltam-se pelas cidades, inter muros
Os pontos que no Tudo abarcam
Estilhaços esvaídos em leve fumo
Quando em ti me lês nos traços
Desprendidos, planos, profundos

Sob as longas raízes criadas
Me enfeitas e desnudas
A serenidade dos passos
O beijo que o vento permuta
Esse encontro inesperado
Num qualquer presente-passado
Feito de essência e candura

Assim me enlaçam palavras
Fragrâncias de rosa rubra


Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

terça-feira, dezembro 02, 2008

O sonho e a vida



















A quem perguntarei sobre o lapso
entre o sonho e a vida?
Quem me dirá do deslizante pincel
que a tela não termina?
E das cores, do negro e branco,
que em galhos desnudos se aninham?
E do sorriso das pedras
sob os afagos do rio
quando o sol acontece
nas manhãs quentes ou frias?

Nada sei da mutante existência
do dia a dia,
da avaliação contínua,
do simulacro do medo
que dos sonhos tantas vezes é tormento.

Somos uma partícula mínima,
observante e distraída,
no imenso espaço atento,
crendo que sabe e pensa
dos indeléveis caminhos.


(imagem de Nora Carrol)

domingo, novembro 30, 2008

Cristal












Uma rocha; num prado a Aurora,
verdejante planura em cristal.
Leves, tilintam cincelos
doces cânticos de Natal

Contemplo o misticismo das mãos
que pelo rosto de tantos espalham
a preciosidade da via do pão,
sem urdir aleivosia
nem falsa comiseração

Nesta rocha onde me sento –
eremitério de silêncio – secos,
meus olhos jorram unguento
para que a alegria alcance
a face de cada criança
que pelo mundo se estende
e que o fluxo do cristal brilhe,
em infinitude, nas mentes,
para que cada dia seja Natal



imagem de Arbego/Armando
(para o 8º Jogo daqui )