sábado, maio 01, 2010

Um dia pela Vida*

























Codificados são os números
símbolos, letras, espaços
que te entoam como laços
no fulgor do teu ser profundo

Segues o texto indecifrável
pelas mentes normalizadas
tentas outras sementes
de outrora, em ondas claras

E de repente
como animal em cavalgada
na árvore em doce rama
descobres da vida a essência
no que a palavra cala
pela subsistência da flor amena
que em estádio de silêncio
o amor preenche e vaza

Quisera ser a triangular forma da palavra
no subtil aroma da longa, incansável vaga
feita de fogo, terra, sal e água


(imagem recebida por e-mail)

* poema para o livro "45 Poemas pela Vida
corrente solidária". Núcleo da Maia. Liga Portuguesa
contra o Cancro. Edium Editores

sábado, fevereiro 27, 2010
























Belíssimo! Talvez muitos considerem um superlativo vulgar
quando se fala de poesia, mas a suave transparência das palavras,
o seu dedilhar como renda delicada, o encantamento que nos
envolve leva-nos a uma incansável e contínua leitura.
Assim é o meu sentir do recente livro da Maria Azenha intitulado
de amor ardem os bosques” de onde retirei o poema:


Não sabes, leitor, como estou rodeada de silêncio
há uma ave onde este texto se apoia.
fecho os olhos, e o poema traz para este lugar
o búzio dos cofres

escrevo em filigranas de ar
secretas harpas de sombras
onde as primeiras letras ousam pousar.
durante anos treinei o lúmen do coração
em cântaros de sol subindo os primeiros degraus

depois habituei-me à confidência das aves
pousada na inteligência dos bosques
movidos a vento e água,
acácias entre mãos

por último a ciência da respiração
no sumo das auroras



Grata, Maria Azenha, pela partilha de belos momentos de leitura
nesta sua dádiva de amor nas palavras.

segunda-feira, janeiro 04, 2010
























Pelos telhados de zinco
Ruídos se espalham
Quais flamas em denso destino
De amargura urdida nas asas
De quem o voo quer e nem plana
Do se ser e não ser nada
Pela incongruência espalhada
Por um dito que se abafa
Na eterna voluntariedade
De vãos anseios fortuitos

Sou o que sou
E ninguém me cala.
Sou a voz do caos silenciado.
Aquele pensar de todos
No medo instalado
Pela precariedade do momento
Que no tempo cria espaço.
Desejo de passos em manhã clara.
A aurora vespertina
Sob o trinado dos pássaros.
O brilho que acalenta e serena
Os frisos revoltos do mar
Onde o cavo frio de dedos
Doba teceduras de ar

Com beijos, sorrisos, desvelos
Vos enlaço, acaricio
Das águas transmuto flores de lírios
Nos passos verdes da rama.
Num Inverno de frio extenso
Das folhas a voz suspendo
Esses sons amachucados
E sob pingos de mel
Casulos teço… de palavras


(imagem de Zhaoming Wu)

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Entre Dois Pólos



































Somos uma aventura surreal
Em isócrona sublimidade
Um sereno e leve respiro
Um diáfano e confesso encanto

Para as mentes sublunares
A irracionalidade somos
Ligando a intransponível razão
Ao diâmetro de todos os círculos
Com uma celeste e inatingível força

É o tempo de errância entre dois pólos
Como se uma arcana conspiração tivesse efeito
E, nas intemporais medidas,
Do ponto de suspensão a unidade,
O abstraccionismo dual,
Levemente constatassem
De PI a ternária natureza
E da raiz o secreto tetrágono.

Eremitas num todo flutuaremos
Absortos, incrédulos, abstractos,
Sob o mistério de um número perfeito
Em descobertas infindas
Pela matemática perda do círculo
Na prodigiosa candura do espaço.



A todos desejo umas alegres Festividades e 2010 em harmonia
e Paz.
Bem hajam.


(imagem de René Magritte)

quarta-feira, novembro 11, 2009

Brisa d' água




















Revolteio os teus cabelos
E em música te enlaço
Em tua face me revejo
Num terno e doce passado

Sobre o começo do dia
Te ofereço laços de frutas
Pela sofreguidão madura
Do espelho que te aninha
E da cama silente ainda
É surpresa, embaraço

Do nada quero a escama
Tecida no reflexo da rama
E dos pássaros em demanda
Em silêncio e calma aguardo
Nos ossos as asas que traço

Caminho na brisa d’água…

(pintura de Freydoon Rassouli)

segunda-feira, outubro 19, 2009

Sei quem sou ...



































tantas vezes não sabendo…
se rio, paragem, se brisa,
incompletude de momentos
na orla abstracta da vida

Da lua, voo em trilhos, ramais,
sob utópico brilho de cores
e danço reticências de ais
isolando profundos clamores

Assim a Natureza me criou
na tecedura leve das palavras
que me dizem: Vai! E não vou…
se o longe-perto aqui me clama

Se canto, se letras desfio,
nas águas do espaço correm doces
abraços e beijos, que envio
aos ternos amigos, meus amores

(escultura de Jean Pierre Augier)

quarta-feira, setembro 30, 2009





























Avisto os pés do frio
nas marés obscuras do ente
que entre ocultas ramas, dizem:
meu sustento
de espraio em areias salgadas

Mais que nada… indizentes!

Mas se digo,
alego o ser da mente
que trato
no silêncio da água
como se fôramos o presente
de algo in-ultrapassado
na inócua in-verbalidade
das asas que se sentem

Somos
a brisa descalça do pêndulo

(imagem de Amanda em deviantart.com)

terça-feira, setembro 08, 2009

Automatismo





















Sabes?!
As máquinas expelem bolas amarelas
conscientes de que elas
ditam ser alimentos saudáveis
anilhados, carimbados, numerados
em automatizadas etiquetas

Sabes?!
Em ruído se alinham estes passos
ensurdecedor, apartado de amor,
e nada mais são que meros farrapos
de algo que no trilho apenas conta
pela avidez da alquebrada existência

Sabes?!
Da análise visual - amarga inclemência -
o automatismo das mãos correndo
pelas pequenas bolas amarelas
de letárgica e inerte aparência
quando jorradas ao tabuleiro
na uniformidade de outros entes,
com espanto e dor nos apercebemos
que são seres outrora criados
na terra, ao sol, ao vento
com desvelados cuidados
antevendo sadios sustentos

Para onde caminhamos
se de nós o maquinismo da vida
na produção de massa intensiva
é parte demente?

Leves e doces eram os tempos
de outros singelos dias
que nos povoam a mente.


(pintura de Miguel Barros)

terça-feira, julho 28, 2009


































Caminho
A unívoca forma das ramas
Plena, verdejante, ausente de espelhos
E na planura me vejo
No espaço cantante e que enlaça
O amor,
No dúctil sentir das águas
Límpidas, imaculadas

Caminho
Na lentidão da brisa cantada
Em bemóis e sustenidos
Pela trilogia da casa
E que o violado piano enlaça
Como se fora lira
Em tempos esparsos

Lentamente
Absorvendo a leveza das cantatas
De Mozart, Beethoven e Bach
Sob trilhos caminhantes
Interiorizo e espalho
A paz no caminho
E sereno
A plenitude do fogo
Nas águas

(imagem de Edward R. Hughes)

domingo, julho 19, 2009

Convite














Ana Eugénio, esta linda menina, lançará o seu livro "Sagração do Dia" em
25 de Julho, pelas 17.30 horas, na Livraria Index (R. D. Manuel II, 320, Porto).

Vamos todos dar-lhe o nosso apoio?

domingo, julho 12, 2009



















Valeu a pena
Percorrer duros trilhos em águas
Dos lagos enfrentar vozes caladas
Sob pedras sussurrantes
E na existência de entraves
Crer, de coração aberto,
A incertitude certa
De longos e ausentes laços

Valeu a pena
Pelos sorrisos francos, abertos
Em tecedura de tempos ternos
E rever…
Rever em breve espaço
O que nem a memória esbate
Ao longo do caminho traçado

Valeu a pena
Este voante ponto mínimo
Espalhar o nomadismo dos dias
E da inclemente nostalgia das aves
Em coroas de flores
Em leves e doces aromas
Perfumar o todo em um
Com ternura, cada traço

Um todo somos, em nada…
Sigamos a rama florida
No carinho que a enlaça
E semeemos flores
Em água límpida e clara



PS: A todos agradeço o que nem a ausência desfaz.
Na teia criada ficará, para sempre, uma voz
que o ameno silêncio ultrapassa.
A “Transparência de Ser” com carinho vos abraça.


(imagem Google)

quarta-feira, julho 01, 2009

Floating beauty

































Vivo o monte, vivo a brisa
Da pradaria infinda
Pelos abraços e beijos -
Intensos desejos -
De quem se sabe e caminha
Leve, nos laços tecidos,
Constância de sílabas e traços
Que ao longe se adivinham…

E bordo, pedaços já gastos
Deste povo como estigma

Se canto, se porventura enlaço
As canas de água fina
Alcanço, entre a lua e o espaço
As palavras: Amigo… Amiga…
Na plenitude terna de um abraço
Qual espiga amadurecida
Envolta nas verdes folhas d’um canto


(imagem de Chen Yang-chun)

domingo, junho 21, 2009


Felicito-te e faço votos de um enorme sucesso.
Até ao próximo dia 27, pelas 16.00

sábado, junho 06, 2009

Nunca digas...




















Nunca digas que é tarde, meu amor
Se esta vida está aqui p'ra ser vivida,
Se o amor ilumina a nossa vida,
E a tristeza e sofrimento me dão dor.

Nunca me digas “É tarde!”, meu amor
Só é tarde quando não houver saída,
P'ro sofrimento da tua partida,
Em quem te adora e te ama com fervor.

Um dia que eu não possa ver teu rosto,
E ouvir tua voz doce e perfumada,
Ficarei com a amargura do desgosto,

De te perder p'ra sempre, minha amada.
Até lá tenho tudo o que mais gosto,
Depois, não tendo a ti, não tenho nada.


(Soneto e pintura de Rui Santos )

sábado, maio 30, 2009

II Antologia Noites de Poesia em Vermoim



















Felicito todos os poetas participantes.
Até ao próximo dia 6 de Junho

sábado, maio 23, 2009

Maio, maduro Maio





















Prevemos caminhos, abraços,
Sentidos nos laços do tempo.
Prevemos mas não sabemos
Se o abraço se esvai no pêndulo
Que alonga lento os laços

Fomos o sorriso a alegria
Cúmplices ensejos em traços
Da vida outrora cantada
E que o mar distancia
Em ondas batidas na fraga

Do Maio, maduro Maio,
Cantou o poeta, as águas,
Num labor em poisio incerto,
Renascido e da rama aberto
Cada dia primeiro, em chama

Assim movemos o silêncio cantado
Assim espaçamos os abraços
Neste mar calado e ameno
Que revolteia flores a contento
Nas areias que nos trazem
E que ocultamos, alheios,
Nos desvelos da saudade.


(imagem recebida por e-mail)

quinta-feira, maio 07, 2009




















Pai
Todos os dias tento florir os rios das casas,
Afagar peixes aflitos que saltam nos telhados
Das mãos de exímio e incauto jogador
Que da existência cultiva baralhos


Pai
No mar, o sal cresceu em lágrimas,
Secas, áridas, pelas dunas do concreto
E sob a incerteza certa do vento,
Lerdas, sobrevoam andorinhas


Maio já vai maduro, pai.
A criança em maias tecida
Desfolhou palavras de vidro
E sobre a tela em letras sentidas
Tenta, cada dia, o plantio
Da flor-semente do sorriso
Sobre as asas das avezinhas.


Porém, o primeiro em Maio esvoaça
Pelo unívoco silêncio de um grito -
Passeante em águas baças


(imagem recebida por mail sem nome de autor)

quarta-feira, abril 08, 2009

Tempestades

























Falemos de tempestade,
de nomenclatura, da gramática,
do facto de facto estudado
e em urdidura consumado,
da discrepante revolta estática
num tempo de propriedade

Do levante ao poente
varrem-se letras, sinais
gravados no útero da mente
que nem o tumulto pára…
E nas tempestades, sem mais,
da árvore erradicam-se ramas

Falemos baixinho dos ais aflitos.
Acomodemos as águas
a advir nos olhos cansados
de dor nas ínfimas entranhas
e, no sufoco do grito,
em convenções divulgado

Com tais raios e troviscos
na linguística fragmentada,
sob espanto nunca visto
pela semiologia alterada
sopra um vento com sorrisos:
- Adapta-te ou ficas parada!


(imagem de Blanca Ruth Casanova)

sexta-feira, março 27, 2009


























Entontecidos e acuados
deambulam pelos telhados
em magnética invisibilidade

São vozes derramando vitualhas
em odes de tempestade
tacteando a flauta da verdade

Dizem: maldição, incongruência!
Dizem: da menina-larva,
do benjamim precoce,
o aclarar a demência…

Olvidam que é hora do amor,
da partilha em simplicidade
qual sublime beija-flor
a tecer partituras de humanidade
com a coragem e vigor
que na natureza de nós
em ternos laços
nos dança


(imagem Getty Images)

(participação no Jogo daqui com as palavras:
amor, beija-flor, benjamim, coragem, flauta, maldição,
ode, partilha, simplicidade, tecer, verdade, vitualhas)

segunda-feira, março 16, 2009

Vidas em Fragmentos

Teresa Gonçalves, também conhecida pelo pseudónimo Ísis,
com várias obras de poesia publicadas, lança pela Edium
Editores o seu livro de contos “Vidas em Fragmentos” no próximo
dia 21 de Março, às 21,30, na Junta de Freguesia de Vermoim,
sita à Av. D. Manuel II, 1573, Maia.

Apresentação a cargo do poeta e escritor Fernando Campos Castro.
Acompanhamento musical por Carlos Andrade.























Até ao dia 21 do corrente, às 21,30.