terça-feira, abril 23, 2013
domingo, março 17, 2013
domingo, janeiro 06, 2013
Vi!
Vi, ninguém me contou,
o que sentias nessa pele
seca, dura e fria,
outrora tão macia e cuidada
Vi, com os olhos que o ser transporta,
sentires diversos
caminhantes de porta em porta
que abrias e não fechavas
Vi a omissão de plenos dias
nas folhas desbotadas pelo tempo
nesse livro adormecido
que não cuidavas
Segui teus passos em silêncio
qual cristal pela neblina esfumado.
Por ti, senti o medo
na flor de um tempo não desabrochado
quando passaste
absorta, num mundo distante,
a meu lado
Crê que as agruras da vida
serão a luz nos teus passos
das horas acres, indomáveis
em que te vi
amorfa, desatenta, desesperada
sábado, maio 26, 2012
Do vento...
Falemos do ruído do vento
Do despertar intenso em cascata
Das mãos que em sonhos se agarram
Às névoas escuras e claras –
Estigma de esmaecidos momentos
Em branco e preto sentidos
Falemos de todo e qualquer pensamento
Correndo nas veias do acaso;
Das folhas redondas que caem
Em leves ornatos de dança
Sobre o prado que as enlaça
Verdejante ou definhado
Falemos da terra que trais
De que nasceste e para onde vais
Em adornos de renda;
Da mulher formosa que pariu ais
E a ti dedicou sua senda;
Dos capitéis jorrando lágrimas -
Refllexos em transparências -
No leito seco do rio
Falemos de memórias trazidas no vento;
Da rama esmagada, dolorida
Reclamada pela encruzilhada do tempo
Sem mais espaço nem medida;
De gente leve em cantaria -
Entalhes de vidas cruzadas
Pelas Sílfides – na sina em ti assente
Falemos baixinho
Mas falemos
Da palavra a ausência
Em imersos sentimentos
sexta-feira, maio 11, 2012
Flutuando
sob as brumas de um recente passado
no marasmo intenso dos dias
De súbito, das letras me apaguei
e ainda hoje não sei
das palavras fugidias
Durante a noite dos dias
em véus adormecida
portas, janelas fechei
aos tempos idos:
minha mãe, sorrindo, as abria;
meu pai, um poema inacabado
em meu peito escrevia
com flor de sal e água
que o silêncio afagava
qual doce canção de outrora
nos caracóis de menina
Assim permaneci tempos infindos
sem hora nem data de despertar o arco-íris
amar a dança em mim intensa
sob brandos sons emitidos
da aveludada flor em rosa aberta
com ternura e sorrisos
(pintura de Chen Yang-chun)
segunda-feira, abril 16, 2012
Labirinto dos sonhos

Caminhava num estreito e degradado corredor
sumida nos sons de um silêncio profundo, abstracto.
Para trás, ficavam seres estranhos
com seus olhos carregados num misto de dor, ódio,
desconfiança e espanto.
Caminhava apressada como que instruída
pelo apelo da derradeira porta.
Na sua pressa, quase esbarrou com três homens furibundos
sustendo no ar uma frágil e pequena cadeira de pinho
ocupada por uma criança com uma corda grossa no pescoço.
Atónita, alarmada olhou para cima.
A meio metro da cabeça, a ponta erecta estava cortada.
Entrou no quarto dos fundos onde uma mulher desvairada
acusava, com gestos, o menino da cadeira por todo o mal sucedido.
Que mal?
Porquê tanta demência se nem um som se ouvia?
Olhou ao seu redor tentando entender o que apenas sentia.
Naquele quarto pequeno, onde o caos se tinha instalado,
avistou mais duas crianças, imóveis, subnutridas:
uma num canto em novelo encolhida,
outra numa enxerga e virada para a parede.
Devagarinho, rodou-a.
O seu mundo era outro.
Aquele das coisas mais simples e belas
onde a mobilidade cerebral a ciência ainda não conserta.
Mais tarde veio a saber que, a menina da enxerga,
havia sido encontrada, abandonada, num destroço qualquer.
Ainda hoje estremece pela peculiaridade isócrona do sonho.
(pintura de Carrington)
terça-feira, abril 10, 2012
ParesDEpar
Como as palavras
os pares
caminham
unidos
pelos
estádios da alma
Em sussurros coloridos
a alegria
baila
Entoam cantigas
memórias da
Dita
e, da Desdita
os percalços
de rumos
tomados
Espelham sorrisos
de vidas
passadas
e de
esperança
na brisa rude
e lenta
que amanham
Pelo pincel da noite
sob um amor
inspirado
são pares de
um todo
em terna
dança
na paleta das
palavras
para a sua exposição "De então para cá", a realisar no dia 12 do corrente,
das 18H às 20H, na Galeria Municipal Palácio Ribamar, em Algés)
quarta-feira, março 21, 2012
Verbo

Chove! Apenas chove!
Assim se ensina, assim se dita
e a interposta pessoa não se move
subjugada pelo rumo da sina
Naquele dia choveu!
Num além longínquo ou perto
e, sob a intransigência do verbo,
cada sonho esvaeceu
Mas eis senão quando
se assume o diletante Poeta
urdindo caminhos sem meta
na deflexão defectiva…
E me chove tanto, tanto,
que me anoiteço no canto.
Mas se me prouvesse a vida
amanheceria, estou certa,
nas mãos leves do Poeta
e sorriria. Então sorriria.
(pintura de Julio Romero de Torres)
Poema in "Transparência de Ser"
Flor de Letras

Docemente, alinho palavras
na entretecida canção de sal e água.
Por vezes, ao seu redor
esvoaçam picos, formas de pássaros,
coloridos alinhavos sob um fogo encantado
Olho-os na voz do silêncio desfolhado.
Se por vezes sinto em acalmia a brasa,
outras, estremeço pelo vazio
gritante que clama a inconsistência,
a lenta perdição da mente
pelo deserto de inconstância desperto
que da chama nada entende
nem da verdade
Quisera ser aroma em flor de letras e,
gota a gota, elaborar a palavra em falta
quando cada verso de dor e treva
transforma em dúctil manto
essa voz de pranto e mágoa
Às vezes, vibrante, penso
silenciar o remoinho do espaço
e sorrindo docemente espalho
no fogo, o sal, a água
da eterna estrada em cascata
(fotografia de Luiz Edmundo Alves)
Poema em "Transparência de Ser"
sábado, março 17, 2012
Borboletas
Solta dos sentidos
a palavra
sob os dispersos sons emitidos
Pausa-te no verbo
reinventa-te
cresce-te no verde da estória
e
na incompletude da espera
pela rama emoldurada
desenha
coloridas borboletas
na comitente hora
em reticências
quarta-feira, janeiro 11, 2012
Deambulações primeiras

(imagem de Edward Robert Hughes)
Sobrepostas as linhas primeiras dos traços
no arrojo inocente dos planos rectos
por onde caminhávamos sozinhos -
eu aqui, tu desse lado –
prisioneiros do vale dos sonhos
em palavras projectados
no centro atmosférico da sala
Dançávamos-lhes as sombras,
escutando pela meta noite os passos,
como se gente fosse
ou entes em deambulações abstractas
quando mais não eram
do tom, a leve mudança,
a imperceptível molécula
que se abre e se dispersa
no rebordo de uma folha gotejante
Amar assim, sobre o verde atapetado,
debruçando-nos em pontos lisos, entre planos,
e com o silêncio na linguagem
partir… acompanhados,
é um tudo sentir, num quase nada
(in "Transparência de Ser")
O fio do Tempo

pintura de Francisco Laranjo
Deslizamos nas palavras
do tudo, do quase nada
que transitam num estado catatónico
sinóptico, lerdo, morfológico
sob uma cândida dolência
no fio das horas sem tempo
E tecemos juntos a igualdade
esse sentir convergente
de quem plana nas mesmas asas
mesmo quando inconsciente
Claros e plenos nos vemos
da distância percorrida
da vida que vidas cria em letras
do adormecer na praia do medo
da aventura em defesa
e da Beleza... a sua essência
Assim intuímos as palavras
nos recônditos ínfimos de um solo arado
de tanto sentir semeado
sob sorrisos serenos
do tudo, do quase nada
que transitam num estado catatónico
sinóptico, lerdo, morfológico
sob uma cândida dolência
no fio das horas sem tempo
E tecemos juntos a igualdade
esse sentir convergente
de quem plana nas mesmas asas
mesmo quando inconsciente
Claros e plenos nos vemos
da distância percorrida
da vida que vidas cria em letras
do adormecer na praia do medo
da aventura em defesa
e da Beleza... a sua essência
Assim intuímos as palavras
nos recônditos ínfimos de um solo arado
de tanto sentir semeado
sob sorrisos serenos
E nem nos desligamos
na água, no sol, no vento
a Natureza de nós é parte
calorosa e intensa
na água, no sol, no vento
a Natureza de nós é parte
calorosa e intensa
(in "Transparência de Ser")
terça-feira, novembro 08, 2011
Esclarecimento
Olá, a todos os que por aqui passam.
Agradeço os e-mails que me têm enviado e muito me apraz
verificar que, apesar da minha longa ausência, a Amizade resiste
ao silêncio.
Em tempos recebi uma sms a pedir-me para entrar no blog Cosythings
aberto, nessa altura, por umas amigas no blogspot.
Inexplicavelmente, algumas partes apareceram postadas neste
meu blog. Ainda hoje não sei como tal aconteceu.
Tenho conhecimento que não são pinturas mas sim Trabalhos Manuais
onde são usados tecidos antigos, miniaturas diversas e outros artigos,
em molduras envidraçadas.
Não faço parte desse blog nem passei a fazer Trabalhos Manuais.
Ainda estou de "licença", com a esperança de regressar em breve.
Um bjinho e uma saudosa flor.
Agradeço os e-mails que me têm enviado e muito me apraz
verificar que, apesar da minha longa ausência, a Amizade resiste
ao silêncio.
Em tempos recebi uma sms a pedir-me para entrar no blog Cosythings
aberto, nessa altura, por umas amigas no blogspot.
Inexplicavelmente, algumas partes apareceram postadas neste
meu blog. Ainda hoje não sei como tal aconteceu.
Tenho conhecimento que não são pinturas mas sim Trabalhos Manuais
onde são usados tecidos antigos, miniaturas diversas e outros artigos,
em molduras envidraçadas.
Não faço parte desse blog nem passei a fazer Trabalhos Manuais.
Ainda estou de "licença", com a esperança de regressar em breve.
Um bjinho e uma saudosa flor.
domingo, outubro 16, 2011
COSYTHINGS: A Cosythings, surgiu por bincadeira! Um dia, re...
COSYTHINGS:
A Cosythings, surgiu por bincadeira! Um dia, re...: A Cosythings , surgiu por bincadeira! Um dia, resolvi tentar fazer uns quadros para oferecer aos filhos de um casal amigo muito especi...
A Cosythings, surgiu por bincadeira! Um dia, re...: A Cosythings , surgiu por bincadeira! Um dia, resolvi tentar fazer uns quadros para oferecer aos filhos de um casal amigo muito especi...
quarta-feira, dezembro 15, 2010
Boas Festas

Muito grata pela amizade e compreensão que sempre e
em especial este ano me dispensaram, desejo-lhes
umas Boas Festas e um bom Ano Novo.
Um carinhoso, imenso e saudoso abraço e uma flor da
Amita
Fátima Fernandes
sábado, outubro 16, 2010
L' empreinte du silence

Sem ter-te nem guar-te
observo o instante da hora
no espaço fugaz da memória
e contemplo
risonhos momentos
de água límpida e clara
Um quasi nada separava
dos templos o branco imaculado
por onde percorremos
outros trajectos de abraços
na silenciada sinfonia
cúmplice que amor enlaça
Fomos os passos na borda do rio
que desfio… desfias…
pelas letras e sorrisos
e no tempo se tornaram
gotas de aurora em traços
(pintura de Janusz Migacz)
domingo, outubro 03, 2010
III Antologia de Poetas Lusófonos

Depois do sucesso das I e II Antologias de Poetas Lusófonos, que contou com
mensagens de parabéns dos Presidentes da República de Portugal e do Brasil,
assim como do Primeiro-ministro de Portugal, de diversas Embaixadas, imensas
instituições e muitas pessoas individuais nasce agora a III Antologia de Poetas
Lusófonos.
No total, são mais de 200 poetas nas três Antologias, de 14 países. A III Antologia,
conta com a participação de 98 poetas de 11 países.
Neste sentido:
O Presidente do Município de Pombal e a Folheto Edições têm a honra de convidar
V. Exa. e Família para a apresentação da III Antologia de Poetas Lusófonos, a
realizar no próximo dia 9 de Outubro de 2010, pelas 16 horas, no Auditório da
Biblioteca Municipal de Pombal (Portugal).
Haverá um momento de poesia com a participação de vários poetas e actuação do
Grupo de Tunos de Leiria. A cerimónia terminará com um Porto de Honra.
sábado, julho 31, 2010

Docemente, alinho palavras
na entretecida canção de sal e água
Por vezes, ao seu redor
esvoaçam picos, formas de pássaros
coloridos alinhavos sob um fogo encantado
Olho-os na voz do silêncio desfolhado
Se por vezes sinto em acalmia a brasa
outras, estremeço pelo vazio
gritante que clama a inconsistência
a lenta perdição da mente
pelo deserto de inconstância desperto
que da chama nada entende
nem da verdade
Quisera ser aroma em flor de letras e
gota a gota elaborar a palavra em falta
quando cada verso de dor e treva
transforma em dúctil manto
essa voz de pranto e mágoa
Às vezes vibrante penso
silenciar o remoinho do espaço
e sorrindo docemente espalho
no fogo, o sal, a água
na eterna estrada em cascata
(fotografia de Luiz Edmundo Alves)
Poema em "Transparência de Ser"
domingo, julho 11, 2010
Chão de meninos

Abriu-se um rio de fogo
Naquele chão de meninos
Ancorados num navio
Previsto porto de abrigo
Erravam suas formas singelas
Em sonoridades coloridas
Tão rubras, tão amarelas
Palco das peças da vida
Vaguearam em descobertas
Cada canto, cada estigma
Efémeras lápides, esquinas
Sob a cruz de ufanas velas
Que o tempo deu guarida
E de sombras se vestia
Num leve sopro de vento
Em fel se abriram as águas.
Inomináveis descobertas,
Vis portentos resguardados,
Surgiram com turvas máscaras
E os meninos gritaram:
Mais não quero! Basta!
(pintura de Georges Seurat)
sexta-feira, junho 18, 2010
Singularidade

Ilusão súbita e tardia
Quando mãos abriam em ondas de prata
Seu corpo submerso em bolsas de água -
Quimera em mantos esparsos
Respirava o deslizar borbulhante da pele
De intensidade profunda e leve
Qual suave e doce melodia
Pelos devaneares sentidos
De um silêncio em que se abarca
Num farol estranho que canta
Voava pelo mundo da utopia
Em fugazes cordéis de laços
Sorrindo incauta e intensa
Nas bolhas desfeitas nos braços
E pelo corpo do poema
De traços dobrados
Geravam-se raízes
Em sépia clareadas
(imagem do Google)
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