sábado, junho 03, 2017

Pai


Ouve tua filha na carne rasgada.
Em poema, a vida são anos passados.
Sorrisos leves, inócuos, espontâneos,
Trazidos pela lembrança de idos anos

Escuta, Pai, os murmúrios do vento
Travados pela brisa que encanta
Como se fosse dança de criança,
Visão silente, afagada pelo sentimento
Nutrido pela raça

Se o tudo é nada, Pai,
Nas letras miúdas esparsas,
Vem com a delonga da lembrança
E traz contigo o ser amigo
Do simples e brando sorriso

Que não se apaga


sábado, dezembro 20, 2014

quarta-feira, outubro 15, 2014

Remoínhos de mar



















Andam cavalos à solta
na torna de cada onda
em remoínhos do ocaso.
Da espuma fazem sombras
e do vento o seu canto

Cada volta um tormento
de crinas onde eu danço
esta tardia esperança
de flores no meu regaço

Indomáveis, atrevidos,
nas tornas em contradança,
não são cavalos perdidos;
soltam palavras de espanto -
ternuras de um sorriso -
e, neste solto vai-vem da vida,
fendem silentes laços

No mar andam cavalos
de crinas soltas ao vento…
desenham sombras, alento
na criança adormecida

terça-feira, setembro 23, 2014

Convite

 
 
A nossa amiga Otília Martel (Menina Marota) vai proceder ao lançamento de um novo livro
no próximo dia 4 de Outubro, às 17 horas, no Mosteiro de Corpus Christi, em V. N. Gaia.
 
Sendo uma eterna buscadora do Belo, tanto através da sua peculiar escrita como pelo seu
gosto apurado, Otília brinda-nos com mais uma excelente obra.
 
Convido-vos a estar presente, homenageando, igualmente, quem tanto se empenhou pela
divulgação da Poesia e de novos Poetas.
 
Lá estarei!
 
 
 

terça-feira, junho 03, 2014

Convite


quarta-feira, dezembro 18, 2013

sexta-feira, dezembro 06, 2013

Acasos de vida II


















O cheiro do Verão ainda amornava o ar.

Prevendo que teria de ficar a trabalhar até mais tarde, pedira à sua mãe que
lhe emprestasse o carro. Nesse dia não seria muito fácil obter boleia para o
Porto porque era um dia de feriado facultativo e a empresa trabalhava a meio gás.

Quando tudo estava preparado para o evento do dia seguinte, fez-se à estrada e
pensou “Credo! Hoje há imenso movimento!” sem se lembrar que nesses dias
muita gente aproveitava para passear, ir a Espanha às compras, ou simplesmente
estar de regresso de umas mini férias.

O lusco-fusco instalara-se no ar e a fila de carros era quase contínua.

Numa grande recta, vendo uma abertura segura, procedeu à ultrapassagem dos
carros mais lentos.

Eis senão quando avista, a uns 50 metros à sua frente, uma motorizada em diagonal,
atravessada na estrada, sem qualquer sinalização, dirigindo-se ao passeio do lado
esquerdo, onde nem uma rampa havia.
Surpresa e aflita para não bater em cheio na motorizada, abrandou, rodou o volante
para a direita, o que não evitou de lhe tocar de raspão, e chocou com pouca força na
porta do condutor de um Mini branco.
Atónita, nervosa e sem acção, estacionou mais adiante.

Passados alguns minutos começou a ouvir um burburinho e vozes exaltadas.

Saiu do carro e deparou-se-lhe um conflito entre o senhor da motorizada e o do Mini.
O primeiro acusava o segundo de lhe ter batido e este negava.
Nenhum percebeu o que se tinha passado.
Então, dirigiu-se para o tumulto e disse: “Tenham calma! Fui eu que bati nos
senhores e tenho seguro.”

Ó palavras que disse!...
O da motorizada puxou dos galões e informou-a que era polícia;
o outro só exclamava: “Poem mulheres a conduzir e é isto que se vê!...”

O polícia acompanhou-a, muito irritado, até ao carro, exigiu que lhe mostrasse
os documentos e perguntou:
“Onde é que a menina trabalha?”
“Na Oeberg, senhor guarda.”
 “Ai, coitada da menina! E amanhã como é que vai trabalhar sem carro?”
“Não se preocupe, senhor guarda! Primeiro trato do seguro e depois vou para
a empresa.” respondeu, surpreendida pela alteração de trato.

No dia seguinte, quando chegou à Oeberg, uma colega informou-a que um polícia
já tinha telefonado 4 vezes a saber se ela já tinha chegado e se estava bem.

(A inauguração da empresa era naquele dia e o chefe dele havia sido convidado)