Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Brisa d' água




















Revolteio os teus cabelos
E em música te enlaço
Em tua face me revejo
Num terno e doce passado

Sobre o começo do dia
Te ofereço laços de frutas
Pela sofreguidão madura
Do espelho que te aninha
E da cama silente ainda
É surpresa, embaraço

Do nada quero a escama
Tecida no reflexo da rama
E dos pássaros em demanda
Em silêncio e calma aguardo
Nos ossos as asas que traço

Caminho na brisa d’água…

(pintura de Freydoon Rassouli)

Segunda-feira, Outubro 19, 2009

Sei quem sou ...



































tantas vezes não sabendo…
se rio, paragem, se brisa,
incompletude de momentos
na orla abstracta da vida

Da lua, voo em trilhos, ramais,
sob utópico brilho de cores
e danço reticências de ais
isolando profundos clamores

Assim a Natureza me criou
na tecedura leve das palavras
que me dizem: Vai! E não vou…
se o longe-perto aqui me clama

Se canto, se letras desfio,
nas águas do espaço correm doces
abraços e beijos, que envio
aos ternos amigos, meus amores

(escultura de Jean Pierre Augier)

Quarta-feira, Setembro 30, 2009





























Avisto os pés do frio
nas marés obscuras do ente
que entre ocultas ramas, dizem:
meu sustento
de espraio em areias salgadas

Mais que nada… indizentes!

Mas se digo,
alego o ser da mente
que trato
no silêncio da água
como se fôramos o presente
de algo in-ultrapassado
na inócua in-verbalidade
das asas que se sentem

Somos
a brisa descalça do pêndulo

(imagem de Amanda em deviantart.com)

Terça-feira, Setembro 08, 2009

Automatismo





















Sabes?!
As máquinas expelem bolas amarelas
conscientes de que elas
ditam ser alimentos saudáveis
anilhados, carimbados, numerados
em automatizadas etiquetas

Sabes?!
Em ruído se alinham estes passos
ensurdecedor, apartado de amor,
e nada mais são que meros farrapos
de algo que no trilho apenas conta
pela avidez da alquebrada existência

Sabes?!
Da análise visual - amarga inclemência -
o automatismo das mãos correndo
pelas pequenas bolas amarelas
de letárgica e inerte aparência
quando jorradas ao tabuleiro
na uniformidade de outros entes,
com espanto e dor nos apercebemos
que são seres outrora criados
na terra, ao sol, ao vento
com desvelados cuidados
antevendo sadios sustentos

Para onde caminhamos
se de nós o maquinismo da vida
na produção de massa intensiva
é parte demente?

Leves e doces eram os tempos
de outros singelos dias
que nos povoam a mente.


(pintura de Miguel Barros)

Terça-feira, Julho 28, 2009


































Caminho
A unívoca forma das ramas
Plena, verdejante, ausente de espelhos
E na planura me vejo
No espaço cantante e que enlaça
O amor,
No dúctil sentir das águas
Límpidas, imaculadas

Caminho
Na lentidão da brisa cantada
Em bemóis e sustenidos
Pela trilogia da casa
E que o violado piano enlaça
Como se fora lira
Em tempos esparsos

Lentamente
Absorvendo a leveza das cantatas
De Mozart, Beethoven e Bach
Sob trilhos caminhantes
Interiorizo e espalho
A paz no caminho
E sereno
A plenitude do fogo
Nas águas

(imagem de Edward R. Hughes)

Domingo, Julho 19, 2009

Convite














Ana Eugénio, esta linda menina, lançará o seu livro "Sagração do Dia" em
25 de Julho, pelas 17.30 horas, na Livraria Index (R. D. Manuel II, 320, Porto).

Vamos todos dar-lhe o nosso apoio?

Domingo, Julho 12, 2009



















Valeu a pena
Percorrer duros trilhos em águas
Dos lagos enfrentar vozes caladas
Sob pedras sussurrantes
E na existência de entraves
Crer, de coração aberto,
A incertitude certa
De longos e ausentes laços

Valeu a pena
Pelos sorrisos francos, abertos
Em tecedura de tempos ternos
E rever…
Rever em breve espaço
O que nem a memória esbate
Ao longo do caminho traçado

Valeu a pena
Este voante ponto mínimo
Espalhar o nomadismo dos dias
E da inclemente nostalgia das aves
Em coroas de flores
Em leves e doces aromas
Perfumar o todo em um
Com ternura, cada traço

Um todo somos, em nada…
Sigamos a rama florida
No carinho que a enlaça
E semeemos flores
Em água límpida e clara



PS: A todos agradeço o que nem a ausência desfaz.
Na teia criada ficará, para sempre, uma voz
que o ameno silêncio ultrapassa.
A “Transparência de Ser” com carinho vos abraça.


(imagem Google)