segunda-feira, novembro 19, 2018

Talvez....


Talvez me voe... talvez não...
um poema incompleto,
seja errado, seja certo,
numa escrita de Verão

Talvez caminhe... talvez pare...
o pensamento em ti.
Talvez apenas te enlacem
caminhos que omiti

E as árvores correm mudas
sob os pios agudos dos pássaros
Talvez saibas mas não usas
protegendo os estilhaços
pelos trilhos arrastados
ante o brilho amorfo da lua
que nua, longínqua e crua
se vira para outro lado

Talvez avistemos um dia,
da rosa, as pétalas rubras,
e dancemos a harmonia
dos abraços apertados


quinta-feira, julho 26, 2018

A indelével certeza


A indelével certeza dos anos encostados à parede
se de mim cobriu enganos, não teceu erros.
E dos muros levantados, amarelecidos no tempo,
resta a árvore que sustenta longos fios
de um cabelo em marfim penteado
que pelo afago dos dedos
a raiz alimenta

Floresce a dança perene da memória
em vagas macias, leves,
em laços de rede fina
ondulando nos anos a hora
de mulher-menina que canta
a indelével e alva certeza da brisa
que anos tece nos cabelos

E te bebo, minha hora perdida no tempo,
na leveza deste sentir em contemplação ausente
quando me sento, sob o silêncio das folhas
em doce acalento


quarta-feira, julho 04, 2018

Palavras doces


Pelas palavras doces
em alinhavos de letras
unidos  nos surpreendemos
numa esfera suspensa

E disfarçámos...
dizeres de outrora, alentos,
que nos traziam pendentes
num mar revolto de águas

E conversámos...
como se o tempo distanciado
fosse apenas
aquele reencontro sentido
e, nos fonemas, eterno abrigo
que a espera não alcança
sob a eterna lonjura da dança
de um tempo em contratempo

Inconscientes, revolvemos
as águas límpidas e claras
de um voar tão presente
que em nós, cada se entende
e sob o silêncio cala
em divergentes, etéreas ramas


quinta-feira, junho 21, 2018

Quisera ser...

Quisera ser a ave de idos tempos
na quimera, (alegria de transparentes
e desprendidos momentos)
quando a vida nos consente

Quisera ser o falcão sempre atento
do seu voo dançante, dolente,
na presa camuflada, aninhada
no ninho de tanta gente

Quisera ser a andorinha
(parte de mim, parte de nada)
espiada no ar, ninho em casa
soletrando repetidas anuidades

Muito mais quisera ser
pelo trilho caminhante
mas do voo da ave que sou
o volante tempo me tornou
nada mais que um passarinho


sábado, junho 03, 2017

Pai


Ouve tua filha na carne rasgada.
Em poema, a vida são anos passados.
Sorrisos leves, inócuos, espontâneos,
Trazidos pela lembrança de idos anos

Escuta, Pai, os murmúrios do vento
Travados pela brisa que encanta
Como se fosse dança de criança,
Visão silente, afagada pelo sentimento
Nutrido pela raça

Se o tudo é nada, Pai,
Nas letras miúdas esparsas,
Vem com a delonga da lembrança
E traz contigo o ser amigo
Do simples e brando sorriso

Que não se apaga


sábado, dezembro 20, 2014

quarta-feira, outubro 15, 2014

Remoínhos de mar



















Andam cavalos à solta
na torna de cada onda
em remoínhos do ocaso.
Da espuma fazem sombras
e do vento o seu canto

Cada volta um tormento
de crinas onde eu danço
esta tardia esperança
de flores no meu regaço

Indomáveis, atrevidos,
nas tornas em contradança,
não são cavalos perdidos;
soltam palavras de espanto -
ternuras de um sorriso -
e, neste solto vai-vem da vida,
fendem silentes laços

No mar andam cavalos
de crinas soltas ao vento…
desenham sombras, alento
na criança adormecida