quarta-feira, março 21, 2012

Flor de Letras
















Docemente, alinho palavras
na entretecida canção de sal e água.

Por vezes, ao seu redor
esvoaçam picos, formas de pássaros,
coloridos alinhavos sob um fogo encantado

Olho-os na voz do silêncio desfolhado.

Se por vezes sinto em acalmia a brasa,
outras, estremeço pelo vazio
gritante que clama a inconsistência,
a lenta perdição da mente
pelo deserto de inconstância desperto
que da chama nada entende
nem da verdade

Quisera ser aroma em flor de letras e,
gota a gota, elaborar a palavra em falta
quando cada verso de dor e treva
transforma em dúctil manto
essa voz de pranto e mágoa

Às vezes, vibrante, penso
silenciar o remoinho do espaço
e sorrindo docemente espalho
no fogo, o sal, a água
da eterna estrada em cascata


(fotografia de Luiz Edmundo Alves)

Poema em "Transparência de Ser"

17 comentários:

Menina_marota disse...

"Quisera ser aroma em flor de letras e
Gota a gota elaborar a palavra em falta
Quando cada verso de dor e treva
Transforma em dúctil manto
Essa voz de pranto e mágoa"

E porque as Letras traduzem a doçura daquilo que sentimos, o que vimos através delas, na nossa alma e na dos outros e é também um encontro de mundos paralelos, este teu poema disse-me muito... tu sabes!

A beleza da imagem dispensa comentários!!

Um beijo e grata pela partilha deste belissimo poema.

;)))

Marta disse...

Sente-se em cada uma destas palavras a beleza dessa flor....
Doce o aroma, romântica a cascata....
Belo, Amita...
Beijos e abraços
Marta

Lucubrina disse...

Que alinhavar de palavras!!!
Perante elas me silencio.
Lindo poema com uma imagem escolhida na perfeição.
Obrigado por este momento.

Luisa disse...

No teu poema não faltam as palavras e as que não estão lá é porque não foram precisas. Encontraste as certas.

Paula Raposo disse...

Lindíssimo o teu poema!! Doce, doce...muitos beijos.

Micas disse...

Um poema para além de belo. Não sei comentar nem escrever poesia, gosto de a sentir a quem a sabe fazer. Grata pela partilha.

Agradeço o comentário deixado lá em "Casa" e que muito me tocou. Obrigada do fundo do coração.
Tudo de bom e uma excelente semana plena de Luz :)

Menina_marota disse...

Olá, Madrinha...

Vinha ver se tinhas actualizado... deixo um beijinho e que tenhas uma boa semana ;))

alice disse...

este poema tem um poema dentro que tem de ser lido com o coração. um dos que mais gostei, amita. beijinho.

tecas disse...

Deus meu! Maravilha de poema. " Flor de Letras "é arte de criar palavras, alimentando o sonho que só as flores do amor conhecem o seu perfume.
Lindo poema. Sem palavras para comentar, limito-me a deixar registrado: Simplesmente belo.
Bji
Tecas

Fa menor disse...

Gostei de conhecer os teus cantinhos!

beijos

In Loko disse...

"Quisera a lenta perdição da mente,
nas suas manhas de teias envolventes, fazer crescer seivas e casulos, berços de sonos pesados, retiros de despertares vindouros"...

Sempre que te leio amiga Amita fico fascinado, levas-me nas palavras e o embalo da leitura é soberbo!!!

Beijinhos

Lucinha disse...

uau Amita que lindo post, parabéns... Deixa me apresentar..
Sou de São Paulo - Brasil, passeando por terras portuguesas que é muito linda mesmo.. Matando saudades pq estive em Porto mais ou menos 4anos atrás e fiquei apaixonada por esse País lindo.
E agora quero formar parte desse grupo maravilhosos através de blog. Posso contar com sua visita em meu blog?? e junto trazer amigos seus que ficarei feliz demais. Parabéns fica com Deus.. voltarei outras vzs. Aceite minha amizade e meu carinho.Bjsss

Paradoxos disse...

profunfamente belo!

Edu

Nilson Barcelli disse...

"Quando cada verso de dor e treva
Transforma em dúctil manto
Essa voz de pranto e mágoa"
Como tu escreves bem cara amiga. Esta parte é deliciosa, mas todo o poema é excelente. Como há anos fazes, de resto.

Beijinhos.

Menina_marota disse...

Deixo um beijito, aguardando actualização... e aproveitei para te ler novamente... sabes como adoro a tua poesia...
Bj ;)

RESSACA disse...

Aqui nasceu o Espaço que irá agitar as águas da Passividade Portuguesa...

Júlia Coutinho disse...

Como eu gosto de quem escreve poesia, e como eu os "invejo"... sem quaisquer laivos maldosos, claro.
Vom dar-te um beijinho