quinta-feira, novembro 06, 2008

como um traço de vento

























Por ela passou, fugaz…
Simbiose perfeita de terra e luar
Como um traço de vento

As palavras rubras alongadas na altura
Sabiamente
Urdiam momentos de espanto e silêncio

Nada sabia
Da aflição da vida
Da criança esquecida entre os trapos do caminho
Omissão de tanta gente
Dos seres cavos que habitam
Flores leves e tímidas
Que hauriam ternamente

Soletrava a crua nudez dos passos
O poço profundo do caos
Sob o nicho das letras miúdas,
Tão cândidas, tão puras,
Em deslizantes ecos no espaço
Da realidade inconsciente

O que dela esperava, não sei,
Se jamais aprofundei o mistério
Que em capa se estende
Nos cintilantes olhos de ténue gente


(imagem de Henri Gervex)

17 comentários:

TMara disse...

Amita, deduzo k o poema é de tua autoria e, este "deduzo" tem a ver com um estilo literário diferente.
Mas poeticamnte eficaz.
Bjs
Luz e paz

Amita disse...

TMara: "deduzes" e deduzes muito bem :)
Todos os poemas e/ou textos existentes nos meus 3 blogues foram escritos por mim e já lá vão mais de 4 anos.
As poucas que vezes que neles coloquei palavras de outrem, a sua autoria está devidamente identificada, o mesmo acontecendo com as imagens.
Bjo e bfs
Fátima Fernandes (Amita)

Nilson Barcelli disse...

Continuas a escrever no domínio da excelência.
Não vejo grandes diferenças, ainda que todos os poemas o sejam... a tua impressão digital está lá, algures entre as "flores tímidas" e as "palavras rubras".
Parabéns por tanta qualidade.
Beijinhos.

Marta disse...

Por essa pureza, descansa uma simples palavra....
O Luar que tudo vê, abençoa e guarda num mistério nem sempre desvendado....
Obrigada pela visita e pelo comentário carinhoso.....
Beijos e abraços
Marta

lupussignatus disse...

brisa

que

nos

despe

da

dor

Peter disse...

"Tão cândido, tão puro", suavemente o poema insinua-se...

em azul disse...

É assim que o espanto me deixa sem palavras e caio num saboroso silêncio.
Um beijo
em azul

Paula Raposo disse...

Pleno de musicalidade aos meus ouvidos e de doce 'crua nudez dos passos'...adorei o teu poema!! Muitos beijos.

Nilson Barcelli disse...

Conheces-me...?
Bom fim de semana.
Beijinhos.

Vieira Calado disse...

Gostei bastante deste poema.
Penso que há um tempo que aqui não vinha... mas fiz bem aparecer por cá.

Um abraço

Anónimo disse...

muito bom! parabéns Amita! Amo a poesia e reconheço quem escreve com a alma, sensibilidade!

vou colocar um link no meu blog com a URL do seu blog "branco-e-preto.

Eu também escrevo, já publiquei um livro, e agora estou inaugurando um espaço na web, um blog para publicar o que li e gostei e também aos poucos alguns textos e poesias da minha autoria!
abraços

Anónimo disse...

muito bom! parabéns Amita! Amo a poesia e reconheço quem escreve com a alma, sensibilidade!

vou colocar um link no meu blog com a URL do seu blog "branco-e-preto.

Eu também escrevo, já publiquei um livro, e agora estou inaugurando um espaço na web, um blog para publicar o que li e gostei e também aos poucos alguns textos e poesias da minha autoria!
abraços

Micas disse...

Os teus poemas tem o "dom" de apaziguar. Um bálsamo para a alma.
Grata pela partilha.
Beijinho

Nilson Barcelli disse...

Bom fim de semana,
Beijinhos.

Junior disse...

"O que dela esperava, não sei,
Se jamais aprofundei o mistério"

Eu gosto muito do clima "o que esperava, não sei" ... fala-se de algo inesperado algo que venha a surpreeender ...

ZezinhoMota disse...

Amita! Amiga conterrânea.

Habituei-me às suas palavras que complementam sempre belas poesias.

Quem sou eu perante tal realidade? Um simples aprendiz e assim vou aprendendo a tentar melhorar aquilo que escrevo.

Fique bem...

Bjnhs

ZezinhoMota

lobices disse...

...vim deixar um abraço à Amita
...um bonito poema