terça-feira, setembro 08, 2009

Automatismo





















Sabes?!
As máquinas expelem bolas amarelas
conscientes de que elas
ditam ser alimentos saudáveis
anilhados, carimbados, numerados
em automatizadas etiquetas

Sabes?!
Em ruído se alinham estes passos
ensurdecedor, apartado de amor,
e nada mais são que meros farrapos
de algo que no trilho apenas conta
pela avidez da alquebrada existência

Sabes?!
Da análise visual - amarga inclemência -
o automatismo das mãos correndo
pelas pequenas bolas amarelas
de letárgica e inerte aparência
quando jorradas ao tabuleiro
na uniformidade de outros entes,
com espanto e dor nos apercebemos
que são seres outrora criados
na terra, ao sol, ao vento
com desvelados cuidados
antevendo sadios sustentos

Para onde caminhamos
se de nós o maquinismo da vida
na produção de massa intensiva
é parte demente?

Leves e doces eram os tempos
de outros singelos dias
que nos povoam a mente.


(pintura de Miguel Barros)

8 comentários:

Paula Raposo disse...

Uma imagem lindíssima!
A realidade bem retratada pelas tuas palavras...beijinhos.

Anónimo disse...

Só sei que nada sei, mas sou dedicado e eterno aprendiz, sempre a buscar os caminhos da reinvenção cotidiana da vida.
Manoel Carlos

Marta disse...

Para onde caminhamos??
A eterna pergunta....uma realidade num poema brilhante..
Lindo, Amita
Beijos e abraços
Marta

maré disse...

caminhamos na incerteza da noite.

a oriente dos caminhos do verdadeiro legado humanista.

caminhamos em sulcos abertos, em falésias do vento que perde a identidade da terra.


_______

beijo amita

tecas disse...

Sei apenas que ao ler os teus poemas, encontro o caminho directo para a minha alma.
Magnifico.
Bji querida Amita

Peter disse...

"Leves e doces eram os tempos
de outros singelos dias
que nos povoam a mente."

Eu que o diga...

Vieira Calado disse...

"Leves e doces eram os tempos
de outros singelos dias..."

Por aqui nos mostra a angústia ante os dias de hoje
que nos subjugam.

Belo poema!

Bjs

A.J.Faria disse...

É com alguma nostalgia que volto a passar no seu espaço!
Excelente poema que nos reflectir um pouco sobre a corrente incontornável da vida.

Tudo de bom!

Abraço,