sábado, maio 26, 2012

Do vento...

Falemos do ruído do vento
Do despertar intenso em cascata
Das mãos que em sonhos se agarram
Às névoas escuras e claras –
Estigma de esmaecidos momentos
Em branco e preto sentidos

Falemos de todo e qualquer pensamento
Correndo nas veias do acaso;
Das folhas redondas que caem
Em leves ornatos de dança
Sobre o prado que as enlaça
Verdejante ou definhado

Falemos da terra que trais
De que nasceste e para onde vais
Em adornos de renda;
Da mulher formosa que pariu ais
E a ti dedicou sua senda;
Dos capitéis jorrando lágrimas -
Refllexos em transparências -
No leito seco do rio

Falemos de memórias trazidas no vento;
Da rama esmagada, dolorida
Reclamada pela encruzilhada do tempo
Sem mais espaço nem medida;
De gente leve em cantaria -
Entalhes de vidas cruzadas
Pelas Sílfides – na sina em ti assente

Falemos baixinho
Mas falemos
Da palavra a ausência
Em imersos sentimentos

6 comentários:

Marta disse...

Falemos de memórias, de tudo o que desperta os sentimentos e nos faz sentir o vento...
Mesmo quando a ausência está presente....
Lindo e suave..
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Menina Marota disse...

"...
Falemos baixinho
Mas falemos
Da palavra a ausência
Em imersos sentimentos"


Gostei tanto deste poema...
Beijo e boa semana.

Manoel Carlos disse...

Falemos sim, porém por enquanto calo-me e sorvo tão belas palavras.
Manoel Carlos

Menina Marota disse...

Para quando mais poemas? Já fazem falta...não sejas preguiçosa!
Bjs

pessoa nenhuma disse...

melodia nas palavras

Iridescent Girl disse...

Poemas lindos como sempre me acostumaste... Parece que também tu te ausentaste... Eu... Voltei num novo "mood" ;) Visita-me! ♥