quarta-feira, novembro 29, 2006

Em sépia tela...


























Espalham-se como planos
Em lisos, programados dias
Sob indigentes funções de cansaços

Planam… e da Graça traçam
Dizeres que a escrita contempla
Em suaves voos pelo espaço

E fala-se de Amor intenso
Camuflado
Inchado no corpo imenso
Do poema que se expande
Na numerologia aberta
Indiscreta
Em desafios de um tempo
Inacabado

Do Amor se fende a Verdade
Inaceitável, crua
Quando no dorso do poema
Crescem árvores nuas
Em lava e neve cumeadas
E se verga
A menina que o trigo apanha
Indiferente ao rolo elaborado
Sobre o seu mundo de nada

E o sorriso desperta
Leve, tímido, pelo alerta
Da serena amizade
Olvidado num canto
Surdo, mudo
Em sépia tela


(pintura de Graça Morais)

In "Transparência de Ser"

15 comentários:

Peter disse...

Vocês, os poetas, vivem por vezes num mundo à parte. É o caso.

Pintura de Graça Morais, em sépia, a condizer e com um belo traço.

"Da serena amizade
Olvidado num canto
Surdo, mudo
Em sépia tela"

Nilson Barcelli disse...

Acho que o teu poema é tão bom que valoriza a tela.
É simples de verificar isso. Depois de lido o poema, olhei de novo para o quadro e vi-o muito melhor.
Revela, para além da capacidade poética que te é reconhecida, que és boa observadora e tens uma imaginação criativa quase sem limites.
Beijos.

Menina_marota disse...

"...E se fala de Amor intenso
Camuflado
Inchado no corpo imenso
Do poema que se expande
Na numerologia aberta
Indiscreta
Em desafios de um tempo
Inacabado..."

Lindíssimo!

E a música a condizer, dando um toque ainda mais suave a este momento lindo!

Gostei imenso.

Beijinhos e continuação de boa semana ;)

Menina_marota disse...

Minha querida.

O Luís Gaspar leu um Poema teu hoje no Lugar aos Outros 29 do estúdio Raposa. Está divinal!
Vai aqui:

http://www.estudioraposa.com/
E, PARABÉNS!!!!

Beijinhos ;)

zezinhomota disse...

Minha amiga, que belo ler-te estas palavras que nos trazem um encanto enorme de estar vivo na mente, para poder admirar um momento que guardamos religiosamente.
Que estejas feliz ao lado da tua família.
Não sei se já to disse minha amiga, sou avô desde 18-09-2006 do Tomás é uma felicidade que não tem explicação.

Bjnhs

Para ti minha amiga e conterrânea.

ZezinhoMota

Alves Bento Belisário disse...

Gostei, e vou passar a visitar com frequência.

Abraço

Manuel Bento

MARTA disse...

E a amizade é sincera e simples como as tuas palavras e o sorriso que deixas...
Lindo o poema e a escolha da tela magnífica.
Adorei cada minuto
Beijos e abraços
Marta

Manel do Montado disse...

(...) E se verga
A menina que o trigo apanha
Indiferente ao rolo elaborado
Sobre o seu mundo de nada (...)
Esmagado não adjectiva suficientemente o que senti na conjugação conseguida de poema, tela e musica.
Fica bem e inspirada.

António Melenas disse...

"Quando no dorso do poema
Crescem árvores nuas"... no dorso do poema, quando se tem a tua imaginação e a ua sensibilidade, pode crescer tudo.
Belíssimo o poema.
Ouvi-te também na voz do Luís Gaspar. "Casamento" perfeito entre poema e voz-
Beijinhos
António
Ps. Ah, e gostei que tivesses gostado do meu poema

In Loko disse...

Esta tua Sépia Tela (que com tons escuros é muito bem colorida pelas tuas palavras) Amita, fez-me de repente lembrar do livro de Alves Redol - Gaibéus. O trabalho nas lezírias, dorido, mas também alegre nos cantares das gentes na apanha do milho doirado, sob o sol escaldante e nas amizades feitas na altura. Muito bonito este Sépia tela! Beijinhos grandes

Unicus disse...

Está fabuloso este poema.
Gosto dos tons sépia.
Bjs

mnemosyne disse...

Uma sépia tela de excelente bordadura caligráfica Amita :)
Um beijo

Carla disse...

E o leve sorriso que se esboça no teu rosto que desperta??

Simplesmente louco disse...

A melhor coisa na vida é amar; a segunda é ter alguém que nos ame; e a terceira é quando as duas acontecem ao mesmo tempo.
Desejo-te um bom fim-de-semana.
Um beijo.

Manel do Montado disse...

Por questões de segurança redireccionei o Montado para o seguinte link:
http://montadoaltaneiro.blogspot.com/

As minhas desculpas pelo incómodo.
Obrigado