quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Na areia grossa

Não sei se era noite, se dia. Não me recordo. A mente não me dizia, correndo o tempo.
Indicaram-me uma casa antiga como sendo um templo.
Entrei num átrio sem nada, de paredes altas e, à minha frente, deparava-se uma alta escadaria que subi, sem cansaço.
De novo um pequeno hall nu, uma semi-obscuridade, que tinha como ornamento uma singela mesa e uma cadeira onde te sentavas tranjando tons escuros.
Ninguém saiu nem entrou, não vi janelas nem portas e, como num passe de magia, desapareceste.
Procurei-te por todo o lado percorrendo salas de nada. Minhas botas afundando em areias grossas mas segui, sempre, em frente. Cruzei portas, atravessei um postigo em busca das vozes que ouvia distantes. Um casal tagarela e sorridente, em sentido inverso ao meu, passou o postigo, sem me ver, tal era a cumplicidade entre os dois.
Regressei, sem qualquer temor, envolta na mesma serenidade desde que naquela casa entrei.
Mas…sempre que dava um passo, as minhas botas afundavam…na areia grossa.

Dos sonhos e seus mistérios
Coração descompassado
Saltando
São segundos infindos
No éter voando
Parábolas da Mente…

2 comentários:

AS disse...

Amita, belissimo texto!

Tantas vezes na aparência tranquila do chão que pisamos, se escondem areias movediças...

Um beijo grande

Manoel Carlos disse...

A quem, a sonhar, anda nas nuvens, falta-lhe o chão sob os pés.