quarta-feira, março 30, 2005

A Jura

Jura-se pela cegueira
Sendo essa a primeira
Que sai de almas caladas

Jura-se pelos filhos a saúde
Pelo desamor que a miúde
A cada momento passa

Jura-se pelo raio ardente
Caindo na cabeça demente
De quem a jura abraça

Jura-se no altar perante Deus
Eterno amor, olhos nos céus
Respeito e fidelidade

Jura-se em surdina até
Em rezas que a mofina vê
Quando se jura mais alto

Jura-se não dê um passo mais
E outros dizeres que tais
São juras que eu não canto

Jura-se a torto e a direito
Por orgulho por despeito
De descobertas passadas

Jura-se em actos de amor
Ou em confrontos de dor
Tempestade ou calmaria

Jura-se tanto, mas tanto
Que a jura perdeu encanto
E tornou-se romaria

4 comentários:

Estrela do mar disse...

...como concordo contigo...a "jura" tornou-se banal...todos a utilizam...sem muitas vezes perceber a real impotância que ela tem...gostei muito deste poema amita...

Um beijinho* grande amiguinha.

lualil disse...

Taí! Estou de acordo!! Banalizaram as juras.. todas, até as juras de amor!
bonito texto..
beijos,

Apenas, o cidadão disse...

gostei.
Em aflição, ou em excesso de emoção, jura-se. e lá por não se cumprir não quer dizer que na altura a jura não tenha sido verdadeira, no entanto, o tempo é mestre e o ser humano acomoda-se. a ideia é seguinte o que lhe é concedido é dado como garantido, e o que lhe é retirado é injusto.

andrye disse...

Gostei deste poema,pois é verdade hoje em dia até se jura pelo q é mentira daí a "jura" ter perdido o encanto!!Adorei este teu oputro blog amiga! :) beijo grande!