terça-feira, abril 05, 2005

Fazei-vos à barca...

Fazei-vos à barca, senhores
Enquanto as águas são paradas

O cais se apinha de povo
De todos os credos e cores
Para ver que há de novo
Com o apelo da barca

Chegam ricos, chegam pobres
Carregando suas sortes.
Vêm os novos e idosos
Carentes e curiosos
Há mãos que oiro abraçam
Ombros pesando desgraça
Rostos em cor luminosos
Pés dolentes que s’arrastam

Fazei-vos à barca, senhores,
Enquanto a noite se fez dia
Trazei os vossos amores
A desesperança que porfia
Teceduras cruas da vida

Fazei-vos à barca, senhores…


Poema in "Transparência de Ser"

9 comentários:

Peter disse...

Não será a "barca de Caronte"? Estive no blog sobre Portugal. Precisa ser actualizado.Não o deixem morrer pois é um projecto interessante.

Pintelho disse...

Gostei muito de conhecer este teu espaço. Parabéns.

ponto azul disse...

Mudaste o template!Ficou giro, eu gosto!Bjs :-)

Estrela do mar disse...

...Amita...antes de tudo...queria-te dizer que adoro esta música da Enya...belíssima escolha...a outra...já tu sabes amiguinha...o teu deslizar nas letras...levam sempre a lindíssimos poemas e em tudo o que tu tão bem escreves...parabéns...

Continuação de uma boa semana.
Um beijinho*.

JPD disse...

olá amita!

Partindo que não será a Nau Catrineta, o muito e muito bonito que esta barca canta não esclarece se é à chegada ou á partida. porém, como a emoção forte ocorre na partida por ser incerto as surpresas do percurso; a chegada vale por ser seguro os afectos que a aguardam.
Bjs

José Gomes disse...

Amita,
Eu não dizia... nabice como a minha só... EU!
É um blog que me vai dar gosto lê-lo nas calmas...
Falam para aqui em música... só que ainda não ouvi um pio!!!
No outro blog sim...
Mas é para ir experimentando...
Um beijo.

Carmem L Vilanova disse...

A barca que leva nossos sonhos, nossas esperanças, nossos objetivos na vida... Tenho uma barca assim, feita dentro de mim e nela levo tudo o que de belo, bom e sábio há em minha vida!
Lindo, lindo!
Beijinhos!

Manoel Carlos disse...

Eu, tão à deriva, longe da Barca de São Pedro, em comoção, longe dos desvalidos e venturosos que acorrem à tua barca; à devida, espreito o navegar sereno e seguro de quem singra pelas letras nas quais me afogo.

Fernando B. disse...


Belo como sempre. Eu tento apanhar a barca enquanto é tempo...

Beijocas,