quarta-feira, dezembro 29, 2004

O Rio

Correndo anos e anos a fio
Tumultuosas águas dum rio
Evitando
Ultrapassando
Limos, lodos, escolhos
Derrubadas árvores interrompendo caminhos
Contemporizando
Aguentando
Marés inconstantes, turbulências
Desnudando mentiras, impaciências
Irritações
Reais efusões
Liberdades de voares permitidos
De ave planando nos ares dos sonhos
Matas desbravando
Subtilmente mostrando
Do rio o plácido leito delineado
Sua rota para a foz o mar encontrando
Tudo em vão
Só confusão
Prepotência, conveniente cegueira da mente
Esfusiante, desdizente, seguindo em frente…
Com serenidade
O lema: a verdade
Criando novas, frágeis penas arrancadas
Fortalecendo, treinando asas cortadas
Rasantes voares
Passados olhares
Arriscando subir às estrelas, ao azul céu
Percorrendo serras e vales lá do alto
Mirando o voluntarioso rio que se perdeu

4 comentários:

mauro_mars disse...

Todo o rio chega ao mar, onde não há os mesmo limites fisicos da margem a limitar a sua acção.

Beijinhos e um bom ano de 2005!

Estrela do mar disse...

...Amita hoje passei por aqui para te desejar umas boas entradas para o novo ano que se aproxima...
Um beijinho*.

Peter disse...

Como arranjas tempo e inspiração? Falas poeticamente? Se calhar ...

AS disse...

"Diz-se que é violento o rio que tudo arrasta, mas ninguém diz violentas as margens que o oprimem!"

Beijo grande