domingo, julho 12, 2009



















Valeu a pena
Percorrer duros trilhos em águas
Dos lagos enfrentar vozes caladas
Sob pedras sussurrantes
E na existência de entraves
Crer, de coração aberto,
A incertitude certa
De longos e ausentes laços

Valeu a pena
Pelos sorrisos francos, abertos
Em tecedura de tempos ternos
E rever…
Rever em breve espaço
O que nem a memória esbate
Ao longo do caminho traçado

Valeu a pena
Este voante ponto mínimo
Espalhar o nomadismo dos dias
E da inclemente nostalgia das aves
Em coroas de flores
Em leves e doces aromas
Perfumar o todo em um
Com ternura, cada traço

Um todo somos, em nada…
Sigamos a rama florida
No carinho que a enlaça
E semeemos flores
Em água límpida e clara



PS: A todos agradeço o que nem a ausência desfaz.
Na teia criada ficará, para sempre, uma voz
que o ameno silêncio ultrapassa.
A “Transparência de Ser” com carinho vos abraça.


(imagem Google)

quarta-feira, julho 01, 2009

Floating beauty

































Vivo o monte, vivo a brisa
Da pradaria infinda
Pelos abraços e beijos -
Intensos desejos -
De quem se sabe e caminha
Leve, nos laços tecidos,
Constância de sílabas e traços
Que ao longe se adivinham…

E bordo, pedaços já gastos
Deste povo como estigma

Se canto, se porventura enlaço
As canas de água fina
Alcanço, entre a lua e o espaço
As palavras: Amigo… Amiga…
Na plenitude terna de um abraço
Qual espiga amadurecida
Envolta nas verdes folhas d’um canto


(imagem de Chen Yang-chun)

domingo, junho 21, 2009


Felicito-te e faço votos de um enorme sucesso.
Até ao próximo dia 27, pelas 16.00

sábado, junho 06, 2009

Nunca digas...




















Nunca digas que é tarde, meu amor
Se esta vida está aqui p'ra ser vivida,
Se o amor ilumina a nossa vida,
E a tristeza e sofrimento me dão dor.

Nunca me digas “É tarde!”, meu amor
Só é tarde quando não houver saída,
P'ro sofrimento da tua partida,
Em quem te adora e te ama com fervor.

Um dia que eu não possa ver teu rosto,
E ouvir tua voz doce e perfumada,
Ficarei com a amargura do desgosto,

De te perder p'ra sempre, minha amada.
Até lá tenho tudo o que mais gosto,
Depois, não tendo a ti, não tenho nada.


(Soneto e pintura de Rui Santos )

sábado, maio 30, 2009

II Antologia Noites de Poesia em Vermoim



















Felicito todos os poetas participantes.
Até ao próximo dia 6 de Junho

sábado, maio 23, 2009

Maio, maduro Maio





















Prevemos caminhos, abraços,
Sentidos nos laços do tempo.
Prevemos mas não sabemos
Se o abraço se esvai no pêndulo
Que alonga lento os laços

Fomos o sorriso a alegria
Cúmplices ensejos em traços
Da vida outrora cantada
E que o mar distancia
Em ondas batidas na fraga

Do Maio, maduro Maio,
Cantou o poeta, as águas,
Num labor em poisio incerto,
Renascido e da rama aberto
Cada dia primeiro, em chama

Assim movemos o silêncio cantado
Assim espaçamos os abraços
Neste mar calado e ameno
Que revolteia flores a contento
Nas areias que nos trazem
E que ocultamos, alheios,
Nos desvelos da saudade.


(imagem recebida por e-mail)

quinta-feira, maio 07, 2009




















Pai
Todos os dias tento florir os rios das casas,
Afagar peixes aflitos que saltam nos telhados
Das mãos de exímio e incauto jogador
Que da existência cultiva baralhos


Pai
No mar, o sal cresceu em lágrimas,
Secas, áridas, pelas dunas do concreto
E sob a incerteza certa do vento,
Lerdas, sobrevoam andorinhas


Maio já vai maduro, pai.
A criança em maias tecida
Desfolhou palavras de vidro
E sobre a tela em letras sentidas
Tenta, cada dia, o plantio
Da flor-semente do sorriso
Sobre as asas das avezinhas.


Porém, o primeiro em Maio esvoaça
Pelo unívoco silêncio de um grito -
Passeante em águas baças


(imagem recebida por mail sem nome de autor)

quarta-feira, abril 08, 2009

Tempestades

























Falemos de tempestade,
de nomenclatura, da gramática,
do facto de facto estudado
e em urdidura consumado,
da discrepante revolta estática
num tempo de propriedade

Do levante ao poente
varrem-se letras, sinais
gravados no útero da mente
que nem o tumulto pára…
E nas tempestades, sem mais,
da árvore erradicam-se ramas

Falemos baixinho dos ais aflitos.
Acomodemos as águas
a advir nos olhos cansados
de dor nas ínfimas entranhas
e, no sufoco do grito,
em convenções divulgado

Com tais raios e troviscos
na linguística fragmentada,
sob espanto nunca visto
pela semiologia alterada
sopra um vento com sorrisos:
- Adapta-te ou ficas parada!


(imagem de Blanca Ruth Casanova)

sexta-feira, março 27, 2009


























Entontecidos e acuados
deambulam pelos telhados
em magnética invisibilidade

São vozes derramando vitualhas
em odes de tempestade
tacteando a flauta da verdade

Dizem: maldição, incongruência!
Dizem: da menina-larva,
do benjamim precoce,
o aclarar a demência…

Olvidam que é hora do amor,
da partilha em simplicidade
qual sublime beija-flor
a tecer partituras de humanidade
com a coragem e vigor
que na natureza de nós
em ternos laços
nos dança


(imagem Getty Images)

(participação no Jogo daqui com as palavras:
amor, beija-flor, benjamim, coragem, flauta, maldição,
ode, partilha, simplicidade, tecer, verdade, vitualhas)

segunda-feira, março 16, 2009

Vidas em Fragmentos

Teresa Gonçalves, também conhecida pelo pseudónimo Ísis,
com várias obras de poesia publicadas, lança pela Edium
Editores o seu livro de contos “Vidas em Fragmentos” no próximo
dia 21 de Março, às 21,30, na Junta de Freguesia de Vermoim,
sita à Av. D. Manuel II, 1573, Maia.

Apresentação a cargo do poeta e escritor Fernando Campos Castro.
Acompanhamento musical por Carlos Andrade.























Até ao dia 21 do corrente, às 21,30.



quarta-feira, março 11, 2009

Rio alma


















Lento corre… corre claro…
do verde pinta tonalidades
no solo esconso e avança -
inclinado, inquinado -
procura de longo alcance

Corre entre o silêncio das causas
simples que à natureza encanta
e corre… corre…
ao murmúrio das folhas dança
o nascimento de um passado
em avanço incessante

Pelo caminho desflora
flores, raízes e pedras -
pela noite, pela aurora -
e num tumulto suave lança
a ilusão ao poeta
que em seu nicho desperta
a musicalidade de um canto

Corre em verde, em cobalto,
pelo linho em sépia terra…
o caminho é desperto
a quem o bebe
e da leveza se espanta


(imagem recebida por mail sem autoria)


quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Em outra dimensão...

Dentro da noite de nós
há mistérios incontidos,
peças de vento
na vasteza de um oceano infindo,
a oscilação de um navio
em indomável situação de vazio

Soberano da noite sem voz,
pela savana avança o tigre
ao rufar dos tambores
em monocórdica batida.
A agudeza do seu olhar
em branco e preto tecido
lapida, em subtis fragmentos,
as raízes do dia.

É Morfeu clamando o esmaecido
com a sacudidela de suas teias
incomensuráveis, densas e finas

sexta-feira, fevereiro 06, 2009






























Seremos ...
a porta do vento, um tempo que passa;
da gesta, o momento;
na minuta de uma tela, a palavra;
o despojado improviso
na lonjura de nada;
o vazio de um ontem sentido;
do canto da roda, a transparência esparsa

Mesmo assim, lançaremos
à brisa das águas
a utopia das cores em miscelânea,
e viveremos
o vórtice lento
nos braços da árvore
que embalaremos,
tu, eu, nós, em igual tempo,
até que em luz o silêncio se faça

Então, dançaremos
amenos sorrisos
de amor em cascata


(tela de Maria José Amorim)


quinta-feira, janeiro 29, 2009

O 9º defeito genético























Chamaram-lhe anormal,
escaganifobético, demente.
Mal eles sabiam
de Friedreich, a ataxia,
fardo que se carrega e se sente

Foi num querer singular,
supremo,
uma fábula à deriva,
um desejo profundo,
autêntico,
para aquele renascer dando vida,
fruto de paixão, um novo começo,
límpido,
num salsifré em hora tardia

Nada nem ninguém previa
o nono cromossoma doente
e que, aquele fardo pesado, dolente,
transporte de alegria e sofrimento,
mais tarde seria,
num qualquer tempo diferente,
a solidariedade de tanta gente
sob ternos sorrisos,
carinho e amor intensos


(participaçao do jogo daqui )


quinta-feira, janeiro 15, 2009

















Há momentos inesquecíveis,
outros tantos de partilha
entre aprazíveis sorrisos
Há momentos feitos de quase nadas
que tanto nos marcam
e em sussurros nos dizem:
Estou aqui, nesta presença ausente!

Aguardamos e
cuidamos que amanhã ainda é tempo…
ensejo que nos passa levemente
em maré e ondas de vento

Neste dia,
aquele imenso abraço é urgente
para que a distância da vida
nos torne unos, claros e perenes
na amizade que jamais se esquece
apesar dos percalços da vida
e do recobro do silêncio
nesta pedra que o azul suspende


(pintura de Enrique Lemus)

domingo, janeiro 04, 2009

Luar de Janeiro

































Gosto do suave perfume das flores,
das marés o salpicar,
da gota amena do orvalho,
da brisa fresca da manhã,
do sol despontando sereno
ao fundo da minha janela
que mantenho entreaberta
às aves singelas e seu trinar.

Gosto do intenso aroma a terra
enlaçado em maresia,
das pedras com musgo vestidas
na voz cândida do poeta,
da lua se esvaindo tímida
em cada novo despertar.

Gosto da árvore erecta sem rama
neste Inverno duro e frio,
do transeunte que traça
no silêncio o seu destino,
da sinfonia colorida
no infinito em pinceladas
qual pintor que beija e abraça
o belo do mundo e canta
com ternura e nostalgia
os sentimentos da vida
em Janeiro ao luar.


(Pintura de John William Inchbold)




quarta-feira, dezembro 31, 2008

Flor de águas
















Ao meu amigo Manoel Carlos


Espelho meu…
Espelho de cada hora
Que no tempo desfolhas ramas,
Ternas ramas d'outrora,
Cantadas
Nas manhãs de folhas cândidas
Onde me aninho e embalo
Meigas e doces palavras

Se minhas rugas afagas
Com mãos suaves meus cabelos
Brancos, em flor de águas,
Contigo eu adormeço
E em leves sonhos aconteço
Na magia de menina
Que é meu e teu sustento.
E se de utopia eu falo
Nosso será, eterno, o começo



Que a Amizade, Fraternidade e a Paz
enlace todos os que, por mim, seus caminhos
cruzaram. Um Bom Ano de 2009.

domingo, dezembro 14, 2008

Por vezes ...

















Por vezes,
nas horas há letras escassas
prolongadas no caminho
em submersos compassos
que não dominas… domino…
no cruzadismo dos dias

Por vezes,
é tempo de emoções contidas
nos rastos antigos dos passos;
desse tempo eternizamos,
do amor, a etérea dádiva.

E, do sonho,
marés brilhantes e claras
nos permanecem e animam
nos momentos de silêncio

Por vezes… nas vezes quantas…


Com muito carinho desejo a todos os que aqui passam ou
passaram um Alegre Natal e que o Ano Novo vos traga
muita Felicidade.

(Imagem Google)

segunda-feira, dezembro 08, 2008

A "estória" de um poema

Em 17 de Novembro de 2006, publiquei no meu blogue brancoepreto-I um singelo poema que foi lido pela primeira vez no Lugar aos Outros 35, do Estúdio Raposa, pela voz inconfundível do Luís Gaspar.

Durante corrente ano, a Truca estabeleceu informar os seus leitores sobre os 10 poemas mais ouvidos mensalmente no Palavras d'Ouro.

Para surpresa minha, fui constatando que o mesmo poema ficou classificado em 6º, 5º e 7º lugares nos meses de Fevereiro, Março e Outubro, respectivamente.

Espantada com tal classificação, indaguei junto do meu amigo e responsável pelo programa Luís Gaspar que me garantiu a fiabilidade dos downloads efectuados e das estatísticas apresentadas.

Perante os factos acima, quero agradecer à pessoa (ou pessoas) que, com dedicação, perseverança e (acredito) amizade, fizeram com que o meu poema "Em rosa rubra" atingisse o 4º lugar no mês findo.

Nos teus braços de palavras
Me enrolam carícias mudas
Qual rosa rubra despontada
Que seu doce aroma espalha
E pelo espaço perdura

Soltam-se pelas cidades, inter muros
Os pontos que no Tudo abarcam
Estilhaços esvaídos em leve fumo
Quando em ti me lês nos traços
Desprendidos, planos, profundos

Sob as longas raízes criadas
Me enfeitas e desnudas
A serenidade dos passos
O beijo que o vento permuta
Esse encontro inesperado
Num qualquer presente-passado
Feito de essência e candura

Assim me enlaçam palavras
Fragrâncias de rosa rubra


Ouvir o poema na voz do Luís Gaspar
(Desligar p.f. a música de fundo para ouvir o poema)

terça-feira, dezembro 02, 2008

O sonho e a vida



















A quem perguntarei sobre o lapso
entre o sonho e a vida?
Quem me dirá do deslizante pincel
que a tela não termina?
E das cores, do negro e branco,
que em galhos desnudos se aninham?
E do sorriso das pedras
sob os afagos do rio
quando o sol acontece
nas manhãs quentes ou frias?

Nada sei da mutante existência
do dia a dia,
da avaliação contínua,
do simulacro do medo
que dos sonhos tantas vezes é tormento.

Somos uma partícula mínima,
observante e distraída,
no imenso espaço atento,
crendo que sabe e pensa
dos indeléveis caminhos.


(imagem de Nora Carrol)

domingo, novembro 30, 2008

Cristal












Uma rocha; num prado a Aurora,
verdejante planura em cristal.
Leves, tilintam cincelos
doces cânticos de Natal

Contemplo o misticismo das mãos
que pelo rosto de tantos espalham
a preciosidade da via do pão,
sem urdir aleivosia
nem falsa comiseração

Nesta rocha onde me sento –
eremitério de silêncio – secos,
meus olhos jorram unguento
para que a alegria alcance
a face de cada criança
que pelo mundo se estende
e que o fluxo do cristal brilhe,
em infinitude, nas mentes,
para que cada dia seja Natal



imagem de Arbego/Armando
(para o 8º Jogo daqui )

quinta-feira, novembro 06, 2008

como um traço de vento

























Por ela passou, fugaz…
Simbiose perfeita de terra e luar
Como um traço de vento

As palavras rubras alongadas na altura
Sabiamente
Urdiam momentos de espanto e silêncio

Nada sabia
Da aflição da vida
Da criança esquecida entre os trapos do caminho
Omissão de tanta gente
Dos seres cavos que habitam
Flores leves e tímidas
Que hauriam ternamente

Soletrava a crua nudez dos passos
O poço profundo do caos
Sob o nicho das letras miúdas,
Tão cândidas, tão puras,
Em deslizantes ecos no espaço
Da realidade inconsciente

O que dela esperava, não sei,
Se jamais aprofundei o mistério
Que em capa se estende
Nos cintilantes olhos de ténue gente


(imagem de Henri Gervex)

sexta-feira, outubro 31, 2008

Três tempos






















Sobre os telhados das casas
O mundo dança
Em falaz sintonia
Qual bailarino-equilibrista
Lançando raios na escuridão

Do amor menor,
Galanteio em tempos idos,
Vivenciámos a capitulação
Num reino de fausta mentira

O amanhã, em harmonia
Será tecido nos alinhavos –
Esforço de longos dias –
Da liberdade, da luz da vida
Num unívoco sentimento
E sob os telhados das casas
Bailarão sorrisos amenos
No gesto leve da rama
Em marés dúcteis e calmas

Assim se queira… Assim se faça…


(imagem de Alfred Gockel)

(minha participação no 7º jogo daqui )

quarta-feira, outubro 22, 2008

Estado das coisas














Neste estado de coisas singelas
De facilidades mútuas
Premeditados erros são acasos
No trajecto usual da lua

Quando se fecha uma porta
Além, janelas se abrem
Entregando do vento norte
As areias em voragem

Revolto, o mar se modera
Pelos contos inacabados
Tão fáceis, doces e breves
Se a vida que se leva
Desliza para outro lado

As coisas seguem correndo
Embotando singelos pecados
E na futilidade que se dita
Suave, adormecem os enganos
De um presente… passado
Na obscuridade deste estado
De coisas dóceis e leves


(imagem de Jorge Oliveira)

domingo, outubro 05, 2008

60 em sol e azul-mar























Breve, tão breve
Este vasculhar do corpo da palavra

Breve, tão leve
No casulo, o nefelibata se fez criança
Na fusão das flores, luar e da água
Pelo avassalador ostracismo das raízes em rosácea
Qual silhueta amena e cândida

Breve, tão ténue
O conselheiro exponente da morte, da loucura, do lodo
Tecia, degrau a degrau, um inferno de sombra
Com pena de chocolate
Com o erodido e variável método do sobressalto
Pela vulnerabilidade da obstrução
Em forma de tapeçaria sobre a caixa de cal e vida
Em contínuo movimento

Breve, tão breve
Pensa-se afastar o vapor envolvente
Da conversa em tempestade
Sobre o distanciamento amortecido num país sem farol
A inundar de orvalho em linha vertical

Mas o poeta, apoiado no cotovelo,
Desponta a manhã
Num intenso, imenso divagar
Fazendo emergir da viagem
Pelo céu das letras amenas
Um amor maior a comungar

Breve, tão leve
Renasce a palavra de sol e azul-mar
Num sorriso com licença para voar


(pintura de Chagall)

(minha participação do jogo daqui )

sexta-feira, setembro 19, 2008

Somos crianças de nós












Somos crianças de nós
Naquele lugar de olvido
Somos marés sem voz
Em guarda do seu destino

Somos a água que passa
Entre azuis luzentes
A brisa que canta e traça
Esse palrar de gente

Somos o sorriso constante
Sobre aquele que chama
O dizer de tão distante
Que vos enleia e abraça

A rama nascida somos
Programada na distância
Em dores jamais sofridas
Não sabidas na constância
De nossas vidas floridas
Da água que fez crianças
Como nós que vos enlaçam

Sussurros de toda a gente
Omitidos à distância


(imagem de Anne Geddes)

terça-feira, agosto 12, 2008

A semente






















Dizes-me que tudo é passado
e que as letras a teu lado
são meras curiosidades planas…
quando vejo a utopia incauta
te perseguir como lâminas,
fulgentes,
qual memória do vento na rama
indizente e, pela calada da noite,
a toda a hora brada e clama

Esse sentir de esperança e mágoa
omitido no vazio de horas cantadas
em desafio
de outras vozes no espaço,
restrito, alargado,
sob um silêncio
mais das vezes camuflado

Assim se restolha a semente
em poisio após a lavra
e, após um tempo ausente,
seus membros espalha,
lentos, ao sopro do vento,
numa terna canção de letras
no deserto ramificadas

Escuta! Ouve,
da rama o canto, a chama, e
na semente o sopro da calma.


(imagem Google)

sábado, agosto 02, 2008

Em tempo de espera




















Falamos de um terno amor,
de todo um tempo em espera,
num variável movimento
de olhos cansados

Um país imaginário nos tornamos,
na vertical postura das palavras,
convencionadas, planas,
dotadas ao ostracismo do luar

Sobre a moldura dos nefelibatas
corre lesta a noite rubra
num intocável inferno de asas

E dessa conversa muda
tanto de nós se afunda
do casulo a inundar
no gestual vapor do olhar


(minha participação para o jogo daqui )

Imagem Google

quinta-feira, julho 03, 2008

Singelo Canal

Teresa Gonçalves, apesar de só recentemente ter aderido às lides bloguistas, tem variadíssima obra publicada, da qual destaco "Olhar interior" (2003), "Entre dois nós" (2006) e a antologia "Porto em Poesia" (2004).

Como Ísis, um dos seus pseudónimos virtuais, participou em jornais, boletins e páginas poéticas nomeadamente no Brasil e Canadá.


Capa do livro

O lançamento do seu livro de poesia "Singelo Canal", com Prefácio dos Drs. Paulina de Sousa e Francisco Coimbra, terá lugar no próximo dia 9 de Julho, (quarta-feira) às 21,00 horas, na Feira do Livro da Maia, Praça do Dr. José Vieira de Carvalho, (antiga Praça do Município), com o apoio da Biblioteca Municipal da Maia.


Falar de amor

onde existe entre flancos
clamor da aurora
iremos falar de amor

sobre a chama
dos punhais cravados em combate
iremos falar de amor

nas ruas desertas
pela cortina do silêncio
iremos falar de amor

sobre todas as palavras
que não foram ditas
não dizemos palavras
frescas do acaso
falaremos de amor

amor de todo o tempo
inventado nas pupilas do sol
ao fecundar a terra.

(Poema de Teresa Gonçalves aqui)

terça-feira, junho 24, 2008

A Lenda













No início de um século remoto, em terras de Espanha,
o povo andava em sobressalto, apavorado.
Uns, atónitos, clamavam atando as mãos à cabeça
É coisa do diabo!”.
Outros, de joelhos no chão e olhos esbugalhados,
bradavam “É milagre!”, “O fim do mundo!”, “Oremos, irmãos!”.

Os senhores mais poderosos da época enviaram emissários
às origens da sabedoria com missivas secretas.

Ali se reuniram discretos e protegidos alquimistas, zelosos
e estudiosos pensadores, cogitando vasculhar o corpo da
loucura (assim lhe chamaram) a emergir em forma de
cotovelo da água.

Perante tal impossibilidade, os primeiros recolheram lodo,
raízes dadas à costa pela maré, pó de pedra da rosácea
da igreja da Madre del Mar, areia, algas, resquícios de sal, e
tudo misturaram com mezinhas, poções e cal.

Os eruditos debruçaram-se sobre volumosos livros, códices,
papiros e elaboradas equações matemáticas. Sem explicação
para o fenómeno, afirmaram “Aumentem o tributo ao povo!”,
Sacrifiquem-se cabritos!”, “Imolem-se os ímpios!”.

Todos os métodos usados de nada serviram.

Subitamente, para espanto de toda a gente, o mar aquietou.

Ainda hoje, naquele lugarejo isolado, conta-se aos mais
pequenos a lenda do tornado.


(minha participação no jogo das 12 palavras daqui )

sexta-feira, junho 13, 2008

Uma voz na pedra






























Não sei se respondo ou se pergunto.
Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio.

Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra.
Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.

De súbito, ergo-me como uma torre de sombra fulgurante.
A minha tristeza é a da sede e a da chama.
Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio.

O que eu amo não sei. Amo. Amo em total abandono.
Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.

Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim.
Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido.

Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença.
Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.
Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.


Poema de António Ramos Rosa

(imagem Getty Images)

quinta-feira, junho 05, 2008

Menina Marota

Em Setembro de 2005 assistimos ao nascimento do blogue Poesia Portuguesa cujo principal intuito sempre foi a divulgação de excelentes poetas nacionais deste mundo virtual, sendo, na sua maioria, desconhecidos.

A esta nobre e árdua tarefa de amor e dádiva empenhou-se a Otília Martel, conhecida pelo nick Menina Marota.

Pela projecção que a todos deste, bem hajas.

É chegado o momento de nos ofertares a tua sensibilidade traduzida em palavras impressas, esse teu "desnudar de alma" para o qual, estou certa, todos desejamos o maior sucesso.

Até ao próximo dia 15.

quinta-feira, maio 22, 2008

Inocência

























É amena a hora e o tempo casto.

Na flor, o orvalho da manhã
estende-se em planos
indeléveis, indefinidos, breves,
qual pena em mão de criança
que do sonho nada teme.

E, sorrindo à brisa, se balança
indiferente ao conselheiro sem idade -
exponente pluriforme da morte -
em incauta obstrução à vulnerabilidade.

É amena a hora e o tempo casto.

Da silhueta ténue da rosa-menina
urge afastar densos passos
sobrepostos na tapeçaria da vida.


(participação no 3º jogo daqui )

Pintura de Lucien Lévy-Dhurmer

segunda-feira, abril 28, 2008

Escrevo...




















Escrevo…
O teu nome de sombra num leito de chocolate
no envolvente degrau da espaçada memória.

Escrevo…
Omitindo a ténue licença do sol
despontado pela linha das flores,
na caixa em eterna viagem.

E, da vida,
teço outonais ramas de palavras
de infinitude suspensa.

Escrevo…
A inefável nudez da hora.


(minha prestação para o 2º Jogo daqui )

Pintura de Henry Asencio

sexta-feira, abril 11, 2008

Re-flexão


















Algo me diz que és passado
na suposição aberta de um engano.

Algo me dita palavras
de um outrora unificado
por ternos sorrisos
em pinceladas de água
quando em pontas dançava
a borda do sol poente
num oculto eternizado.

Agora, leves meus pés deslizam
sobre a rápida aproximação da calçada
talvez seguindo o rasto de outros passos,
antigos, que o tempo disfarça
em sombras de vento
que por mim correndo passam
no sentido contrário do caminho
que em silêncio me dança.



(pintura de Júlia Calçada)


Poema in "Transparência de Ser"

sábado, abril 05, 2008

Nuvens
























Dizem que são da mente espaços retidos
de quem sentindo se adentra;
Espiralados, volantes navios
ao fulgor dos beijos do vento;
O recosto dos deuses decidindo
do Homem o seu destino
que na Fortuna não pensa;
Densos rios jorrando pérolas
a quente ou frio;
Um borbulhar de correntes
suspensas, num tempo vazio;
Um acaso de alvas estradas
na pintura de um arco-íris;
Flocos de algodão doce
em afagos inter vindos;
Nas letras, respiro de verdes
num horizonte de anil
suave, qual canto omitido.


Tudo isso proverá o desatino
do poeta que à janela da noite se aninha
nos solfejos do silêncio como estigma
quando a utopia em lento fio desliza
e, sob o fumo do cigarro, canta
para além do não dito.


(pintura de Renné Magritte)


Poema in "Transparência de Ser"

sexta-feira, março 21, 2008

Dias























Tecemos nas horas dos dias
momentos inteiros.

Tecemos o vento, a brisa,
o mar a contento;
o canto do pássaro,
a voz que caminha
leve, nas rugas dos dias -
que não sinto… não sentes…-
e segue sozinha.

Tecemos estradas
nos alinhavos da vida;
luares, montanhas
por nós omitidas;
a lavra, a seara,
o espigueiro vazio;
a fome que nos passa
na quentura do frio;
a casa, a ponte,
o jardim florido no eixo do rio;
no espaço, o instante
do sol que se colhe;
na água, a magia
dos olhos sem norte
pela porta esquecida.

E assim vamos loucos e soltos
de tudo em olvido
pintando sorrisos
nas horas sem dias


(pintura de Rackman Undine)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Em prata















Amanheceste em prata

Reflexo de ti maior
em união de águas

Assim se quer o Amor –
esperança e chama


(fotografia de autor desconhecido)


Poema in "Transparência de Ser"

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Ausência













"O homem põe e Deus dispõe"
seus passos
e, de atraso em atraso,
contam-se as horas dos dias inócuos,
contam-se as névoas sem colóquios,
na mudez constante
nesta aparente distância amante
num tempo escasso de instantes.

Assim seja! Assim se compreenda
no que tarda o sorriso
e a solícita demência.


(pintura de Juan Montes)


poema in "Transparência de Ser"

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Nós, os outros























Nós, os outros, habitamos a textura
aquosa e impura da cidade adormecida
quando o negro nela se abate

Nós, os outros, abrigamos o frio
nos jornais remexidos,
aninhados no vazio dos recantos
que o cimento e a pedra calam

Somos gente sem nome nem destino
em tempo indeterminado;
andarilhos na mão que se estende,
vestidos de invisibilidade

Nós, os outros, também sonhamos
a metáfora ténue dos papeis gastos,
da vida a essência dos dias plenos
entre a existência dos muros lentos
levantados pela hibridez da hora em viragem

Assim caminhamos o esquecimento
sob a trama da luz baça da cidade


(imagem Google)

Poema in "Transparência de Ser"

domingo, dezembro 30, 2007

E...











na acalmia da noite floriu a luz …



“As pequeninas coisas” nasceram a 28, estão bem
e estamos muito felizes.
Agradeço-vos o apoio e as carinhosas palavras.
Para vós, meus amigos, um venturoso 2008.


(imagem do Google)

terça-feira, novembro 06, 2007

As pequeninas coisas












Mãe
Escuta a brisa que meu ventre abre
Na terra dos sonhos o canto das pequeninas coisas
De braços estendidos o enlevo do sorriso que as afaga
Aquele murmurejar de água soletrando o rio
Plácido

Mãe
Sente os dois mundos que em mim trago
Saboreando o néctar das coisas invisíveis e cândidas
Entre a música e a leveza da dança
No balanço certo das outonais cores
Em folhas irisadas e suaves

Seis meses, mãe, são caminhados
Na voz das pequeninas coisas
Sob o azul da luz e o verde dos laços


(pintura de Carivano)

Ouvir o poema na voz de Luís Gaspar
(desligar a música de fundo, p.f)

quarta-feira, outubro 24, 2007

Bamboo

































Impulsivas, envolventes, activas
São as palavras escondidas
No barulho líquido da memória
Palavras que pintam casos
Casos excertos de acasos
Cantigas, bailados, histórias

Repercutem por todo o lado
No branco por dentro sentido
Erosão ténue de um passado
Do tempo sem tempo onde habito

Ao longe, o fundo anilado
Me afaga e me acalma
Nos voos de contos contados -
Menina ainda criança -
Refúgio eterno de braços
Esbatidos na distância

E nos bambus coloridos
Cada nó define um traço
Das letras rebeldes, unidas
Pela força que caminha
Na memória líquida dos laços
Carinho de cor que embalo

Impulsivas, envolventes, activas
Na tela em silêncio deslizam
Sob o pincel de meus passos


(pintura de Jane Yechieli)

domingo, outubro 14, 2007

Setembro

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Intoxicados são o tempo e a vontade
sob o ar rarefeito dos aromas mortos
em branco adejado no que urge e faz demora
qual contrapeso no degrau compacto das horas

O silêncio esvaziado das vozes em mim cantadas
suave e lentamente dia fora
acarretam saudades dos trinados
em suspensa melodia aquosa

Assim se fez o Setembro da casa em obras

Mas quando as portas da noite se abrem
renasce em malhas de lã a vida
multiplicando mimosas flores nos dedos
onde apenas o amor dá sentido
no profundo sonho infinito
da árvore, do sol – terno aconchego –
etéreo jardim que me abriga


(pintura de Ana Vieira)

Poema in "Transparência se Ser"

sábado, setembro 08, 2007

Hora de ponta


pintura de Cecília Ferreira

Caminha-se na paralisia do tempo
em fragmentos dissipados
e cria-se a oclusão selectiva dos passos
na temperatura metódica da posse
que a luz indirecta tem e que abre
sobre a mesa do pão-nosso de cada dia
em trapos de mármore

No tumulto da hora de ponta
evanesce-se o sorriso
em deambulações automáticas
na superfície vertical dos hiatos
que, das tempestades invisíveis, são tributários
quais vidas em saldo
perante a irracionalidade do mundo
de que tu e eu fazemos parte

Assim desliza o tempo e a vontade.
E aqui, do meu canto,
embalo as frases sofridas
chegadas nas auréolas da chuva
pela Natureza derramadas
na eterna esperança
que Luz se faça


(Breve nota: Ausente por obras em casa
com carinho vos abraço.)


Poema in "Transparência de Ser"

quinta-feira, agosto 30, 2007

Momentos


pintura de Arthur Rackham

Entre o mar e a relva onde me sento
habita um fluir em sussurros verdes
pela rama do parque que guarda e entende;
bifurcada, desliza uma estrada no vórtice do tempo
e, do sentido adverso, em razão suspensa

Quantas vezes pelo silêncio me chegam
nas pontas das folhas ao sopro do vento
amenas melodias
breves excertos de vidas
indizíveis e cálidos momentos

A todos enlaço na vereda dos fonemas
leve, tão leve que o avivar surpreende
o mistério da estrada em cores desperta
que a Natureza me estende
pelas raízes singelas
da infinitude da mente

Em voo suave, um doce sorriso plana
entre ti de mim ausentes
na musical perenidade da palavra


Poema in "Transparência de Ser"

terça-feira, agosto 21, 2007

Passagem


Pintura de Freydoon Rassouli


Avistara-se no poço profundo de janelas dúplices.
Uma, aberta pela brisa nocturna;
outra, pelo mar sereno em prata clareado

Encontrara-se e via
a fluência da inusitada e nobre palavra
nos trâmites da cidade camuflada
pela diligente armadura
em sol e sombra projectada
nos brilhos da folhagem feita água

Remexia, e abrandavam os luares sobre a margem
quando, pela hora do silêncio,
dançavam sorridentes pássaros

À luz do crepúsculo
volatilizava-se em correntes freáticas
no encaixe perfeito do nicho encontrado


Poema in "Transparência de Ser"

sábado, agosto 11, 2007

30 de Julho...


Pintura de Danielle Richard

Para ti, Amiga, neste dia especial, com os votos
sinceros de um caminho pleno de Luz e Alegria:


Um jardim, uma rosa, um lago.
És um oásis na cidade fremente
Que passa do outro lado
Entre muros, asfaltos, mas presente.

Jardim de aves levíssimas
Musicado de verde.
És um relógio, suspenso.

Rosa irisada pelo sol doirado
Solitária na cadência do dia.
És a palavra nua, infinda.

Lago azul de dançantes seres
Vogando em pontes, laços, abrigos.
És água de serenos sorrisos.

Que somente
Sob a fragilidade do tempo
Tudo vês e tudo sentes.

És a sensibilidade isolada
Por entre a cidade correndo.

quarta-feira, agosto 01, 2007

Dois Mundos
















Zelamos, com o crescer dos anos,
esse mundo dos segredos,
e da osmose não sabemos
se adormecemos o sono
se o sonho acordamos.

À luz do crepúsculo,
em matizes de fogo e chama,
emergem dedos em melodia aquática -
estranhas danças, leves solfejos,
pinturas silentes, abstractas -
num aroma adocicado sobre a casa.

Observo, admiro e comparo
da chuva, a pluralidade
das formas caindo no campo -
sem hipótese nem escolha -
sentindo da terra a proximidade

Sob a acalmia profunda que se abre,
da tela desvanece-se o chilreio das aves,
a estridulação dos insectos,
do vento o sopro nas gruas da árvore
e, perfeitos, os dois mundos cantam
o centro da água.

Deles não se prevêem espaços.


(pintura de J R Costa)
(em pesquisa Google)


Poema in "Transparência de Ser"

quarta-feira, julho 25, 2007

Eterno abraço

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Enlaço-te
numa rama profunda e delicada
nas letras em densas águas
voluntariosas que não acalmam

Acompanho cada passo de luz e sombra
quando espelhas cansaço
da luta que te permeia
e, silente, espaças

E vivo
a Dita, a Desdita, com que enfeitas
outros traços
paralelos, singelos, que interessa?!,
se deles me fazes parte

E se me calo
e de silêncio adormeço
estremeço
sempre que um adoro me voa
e me lembra cantigas de outrora
no baloiçar de um eterno abraço


(pintura de Pierre Auguste Cot)


Poema in "transparência de Ser"

quinta-feira, julho 19, 2007

A Parnaso


























Estranha és, ó Visitante,
mãe das horas profundas silenciadas!

Em folha sépia desfolhas palavras nuas,
no corpo de cada pedra escura
ondas brilhantes abres,
mais doces que um sítio isolado.

Libertas o medo das frias manhãs cansadas,
em letras voas pelo lanço da escada
íngreme, movendo um círculo espiralado
tecido num tubo de água.

E me ditas com ternura
da terra as sombras
em rama fina e delicada,
do pó do deserto o ouro, a prata,
nos entre-veios das pétalas rubras
em danças leves pela sala.

Estranha és, ó Visitante,
na candura com que enleias e traças
as asas que a brisa suave canta.


(pintura de DelMar ) aqui

sexta-feira, julho 13, 2007

Desafios

Em tempo devido, já pelo mesmo ultrapassado, tive a honra de ser
nomeada pela Maria* e pelo Peter** para dar seguimento à
corrente “Meme” que, por idêntico motivo, me abstenho de
explicar e a quem muito agradeço.

Transcrevo, de seguida, uma das inúmeras passagens constantes
do livro “Crónica do Pássaro de Corda” de Haruki Murakami que
muito gostei de ler e que deram origem a um ou outro poema por
me terem feito pensar.

“Sem dar por isso, comecei a falar sozinho. Num sussurro, saíam-
me da boca fragmentos de reflexões de que nem eu próprio tinha
consciência. Era superior ás minhas forças. Desligada da minha
mente, a minha boca movia-se sozinha, de maneira automática,
independentemente da minha vontade, lançando nas trevas
palavras que aos meus olhos não faziam sentido. As palavras
provinham de uma zona de sombra para logo a seguir serem
absorvidas por outra. O meu corpo parecia ter-se transformado
num túnel vazio, uma conduta a ligar dois pontos por onde
transitavam as sílabas. Tratava-se de fragmentos de reflexões,
sem sombra de dúvida, mas era como se aqueles pensamentos
fossem gerados fora da minha consciência.”


Pelo exposto no primeiro parágrafo, também me sinto muito
honrada e grata ao Manoel Carlos*** pelo desafio sobre
“O que ando a ler” e que convosco partilho:

“Inquérito às Quatro Confidências” de Maria Gabriela Llansol -
escritora portuguesa, duas vezes galardoada com o Grande
Prémio APE e com várias obras de mérito publicadas.

“Confissões de uma Liberal” de Maria Filomena Mónica – um
livro de crónicas focando vários temas da actualidade, revelando
a sabedoria de um olhar inconformista, liberal e céptico, sobre a
realidade portuguesa e estrangeira.

“Combateremos a Sombra” de Lídia Jorge – escritora
portuguesa muito conceituada e considerada como uma das vozes
mais originais e poderosas da ficção do nosso País. A acção
desenrola-se sobre a condição de zelador do mundo secreto,
de um psicanalista.

Apesar de não dar seguimento aos desafios, pois a todos nomeio,
aproveito esta oportunidade para agradecer aos meus amigos
Clave de Lua II, Letras Pinceladas e Nimbypolis (constantes
dos links) a amabilidade que também tiveram em nomear-me
para o Thinking Blogger Award e aos quais não tive
oportunidade, em tempo, de agradecer.

Grata por tudo, com muita amizade, a todos desejo muita luz e paz
nos vossos caminhos.



* http://wwwthornlessrose.blogspot.com/

** http://conversasdexaxa4.blogspot.com/

*** http://www.agrestino.blogger.com.br/