sexta-feira, abril 02, 2021

Veremos!

Assim existimos 

na lentidão espacial 

dos trilhos em traços 

delineados, 

indefinidos,

programados,

por quem a mente obriga 

à incerteza dos passos.

Será que a infinitude 

inconsciente 

nos enlaça? 

Veremos!...

quarta-feira, agosto 05, 2020

Porquê?

Tantas vezes me pergunto:
o que por aqui faço??
sendo a vida feita de traços 
com trajectos delineados
outros surgem
absortos, indefinidos, 
que ao meu ser escapam

Cada um e cada qual
prossegue seus passos
na actual prioridade
programada, imaginada
segundo sonhos dormentes 
que em surpresa se abrem

Tudo se omite, se esquece,
temporária ou definitivamente
pela ambição emergente.
E de meu caminho ausente,
inquiro. tantas vezes, "que acontece?" 
quando, apenas, a todos anseio
saúde, paz, sorrisos e abraços





sábado, junho 27, 2020

A Espera

Espero
sita na berma da estrada
de densas escarpas rodeada
impalpáveis, não imaginadas,
pelas leves mentes em ténue água...
sonhos, magia, passadas factuas

Espero
amorfa, em atenção ausente
pelos dizeres dessa outra gente,
vagos, codificados,
em ornamentos incontidos
abrigando o que não sentem

Espero
como tantos tristes de nós
ansiosos por outra voz
alegre, fiel, consciente
apresentando o devir silente
ocultado, alterado,
por oportunos e meros interesses

Assim se vive a planura de cada dia
na via escolhida em mordaça
esperando que num claro amanhã
a doce maré dum sorriso nos traga

sábado, maio 16, 2020

Silêncio


Ai, quem me dera
ser uma simples letra
projectada no espaço
e pela luz irradiada
num simples e mero abraço

Ai, quem me dera
encontrar aquele sorriso dos tempos
nos camuflados momentos
de existência vivente
que de súbito se foram
inconscientes

Ai, quem me dera
ser a voz deste inócuo,
pesado silêncio
neste tempo de dorida leveza
sentido no sorriso de tanta gente
neste meu País amado
e tão ausente...

domingo, setembro 29, 2019

Em silêncio canto


Canto o fio da mensagem
Condutor das horas mortas
Do vento as ondas, a dor
Quando bate à minha porta

Canto a barca florida
Deslizando em mansas águas
A breve nota, distraída
Que me enleia e me abraça

Os finos véus de areia canto
Do deserto em ouro tecido
O luar, o monte, o mar
Do sonho, a voz ao ouvido

Das crianças canto os passos
Em crescimento contínuo
E mesmo deitada danço
Palavras de sol e abrigo

E se por Ventura as canto
Desfolho searas antigas
Ternas memórias, encanto
No nomadismo dos dias

domingo, maio 12, 2019

Feliz Novo Ano


Somos duas valendo mil
metade para cada lado
ameando o que sentiste/senti
quando viste e eu vi
alegria-fruto do pós-parto.

Agora, em tempo corrente,
corrente que não se quebra,
venham mais mil entre a gente
que o amor de nós é silente
em tudo o que da vida se espera.

Neste dia especial,
menina de mil encantos,
às doze e quinze nasceste
isolando qualquer mal
com teu sorriso num manto
de fé, no amor que vives/viveste.


(À minha filha por mais um Aniversário)



quarta-feira, março 27, 2019

Pela calçada do tempo


Caminhava o arrasto da sombra
sob a linha ténue da vida.
Curta a senda, longos os passos...
pela rua das flores que, lentamente, subia.

Da calçada, apenas o empedrado lhe sussurrava
uma canção antiga, que trauteava baixinho,
embalando a caixa de chocolate
nos seus braços trémulos e finos.

Extenuado, febril pelo sol do meio-dia
aninhou-se no degrau da soleira de uma casa
desfiando memórias encandecidas:
a licença obtida para ver a família;
a turbulenta viagem a bordo do Santa Maria;
aqueles braços pequeninos que para ele corriam.

Adormeceu a existência do tempo
num envolvente sorriso.